OEA, Parlasul e outras missões acompanham o 2º turno no Brasil
Missões internacionais, entre elas OEA e Parlasul, acompanham o segundo turno de 25 de outubro, sob regras do TSE e sem poder de decidir o resultado.

No domingo (25), o Brasil vota no segundo turno das eleições gerais. Segundo o Times Brasil, a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Parlamento do Mercosul (Parlasul) e outras cinco organizações internacionais acompanham a etapa. No primeiro turno, em 4 de outubro, a Agência Brasil contou mais de 140 observadores de organizações internacionais.
Observador eleitoral acompanha a votação, a apuração e a totalização, isto é, a soma dos votos de todas as urnas. Ele não disputa votos. A Resolução TSE nº 23.678, de 17 de dezembro de 2021, define as regras das missões. Segundo o Politize, ela aceita missões de organizações internacionais, governos estrangeiros e personalidades reconhecidas, desde que assinem um acordo de procedimentos com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Quem está no Brasil
No primeiro turno, a OEA teve o maior número de observadores informado, 91 de 23 nacionalidades. Segundo a Agência Brasil, a missão é chefiada por José Miguel Insulza, ex-secretário-geral da organização e ex-chanceler do Chile. O acordo foi assinado em 13 de agosto, segundo o Jornal do Brasil.
O Parlamento do Mercosul (Parlasul) é liderado pelo parlamentar argentino Raul Bittel. A lista da Agência Brasil, para o primeiro turno, inclui ainda a União Europeia, a Liga dos Estados Árabes, a Uniore e a Rede Mundial de Justiça Eleitoral, sem líderes nem números informados.
O Centro Carter, dos Estados Unidos, é o caso mais confuso. Em 5 de agosto, o Poder360 informou que o grupo desistiu de observar por dificuldades financeiras. Em 1º de outubro, a Agência Brasil relatou observadores do centro já no país. Em 18 de outubro, o Times Brasil o incluiu entre as missões do segundo turno. Não encontramos explicação para a mudança.
O que podem fazer e o que não podem
Segundo o Correio da Manhã, os observadores acompanham a votação, a apuração, a totalização e as auditorias do sistema. Devem atuar com imparcialidade e usar credenciais emitidas pelo TSE. A reportagem afirma que as missões não interferem no trabalho da Justiça Eleitoral.
A Declaração de Princípios para a Observação Internacional de Eleições, lembrada na ONU em 2005, pede respeito à soberania e às leis do país. Ela pede também que a missão não interfira no processo nem o obstrua.
Depois da votação, as missões publicam avaliações e recomendações. A OEA divulgou um relatório preliminar sobre o primeiro turno em 6 de outubro. A lista completa de vedações da resolução do TSE não foi verificada nesta reportagem.
O pedido de Flávio Bolsonaro e o ambiente da eleição
Em 21 de julho, em evento em Brasília com representantes de 42 países, o então pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu mais observadores. Segundo a Folha de S.Paulo, citada pelo Correio Braziliense, ele disse: “não estou questionando o sistema de votação brasileiro”. Ele também pediu que “todos os países possam mandar a maior quantidade de observadores possível para as nossas eleições”.
Na mesma fala, ele citou a empresa Smartmatic e sugeriu relação com o sistema brasileiro. Segundo o Correio, o TSE já desmentiu essa ligação.
O que diz o TSE: Em 2 de outubro, a diretora de Assuntos Internacionais do tribunal, Renata Gil, afirmou: “Democracias maduras não têm medo de serem observadas. A transparência fortalece a democracia”, segundo o Times Brasil. Não enviamos perguntas ao TSE para este texto.
O relatório da OEA também trata do ambiente. Segundo a BPMoney, a missão escreveu que “as eleições no Brasil não ficaram isentas desse ativismo político internacional”. Ela citou insultos de chefes de Estado estrangeiros a uma candidatura, sem nomear autores. A OEA também chamou de “particularmente preocupante” a circulação de informações falsas.
O que isso significa
Observadores não contam votos nem decidem o resultado. Eles avaliam o processo e dizem o que viram, com recomendações.
Duas questões seguem abertas. A primeira é a situação do Centro Carter, sobre a qual as reportagens divergem. A segunda é a avaliação da OEA sobre o segundo turno, que ainda não foi divulgada.
Como fizemos: Reunimos informações de reportagens publicadas entre julho e outubro de 2026, da Declaração de Princípios (ACE Project) e do Politize (2022), acessadas em 23 de outubro de 2026. Não conseguimos abrir os sites do TSE nem o texto integral da Resolução TSE nº 23.678/2021, por isso as regras vêm de reportagens e não de leitura direta da norma. Os números de observadores são os informados pela Agência Brasil e pela OEA, sem contagem independente. A lista do segundo turno vem de uma única reportagem, o Times Brasil, e a presença do Centro Carter nele não bate com o relato de agosto do Poder360. Não enviamos perguntas à OEA, ao Centro Carter nem à Parlasul; as posições citadas são públicas.
Fontes
- Observadores internacionais chegam ao Brasil para acompanhar as eleições — Agência Brasil, via Jornal do Brasil (acesso em 23/10/2026)
- Missões de observação do TSE: sete órgãos internacionais no 2º turno — Times Brasil (acesso em 23/10/2026)
- OEA enviará observadores internacionais para eleições de outubro no Brasil — Jornal do Brasil (acesso em 23/10/2026)
- OEA critica ativismo político internacional e insultos em eleição brasileira — BPMoney (acesso em 23/10/2026)
- OEA elogia organização das eleições no Brasil, mas alerta para desinformação — A Crítica (acesso em 23/10/2026)
- Carter Center desiste de observar eleições de 2026 no Brasil — Poder360 (acesso em 23/10/2026)
- Missões internacionais acompanharão eleições de 2026 — Correio da Manhã (acesso em 23/10/2026)
- Em evento, Flávio Bolsonaro pede mais observadores para eleição — Correio Braziliense (acesso em 23/10/2026)
- Observadores internacionais e o monitoramento das eleições — Politize (acesso em 23/10/2026)
- The Declaration of Principles for International Election Observation — ACE Project (acesso em 23/10/2026)
- Sede do Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília — Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0) (acesso em 23/10/2026)



