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Banco dos Brics: 29 projetos no Brasil somam cerca de US$ 7 bilhões

O NDB, banco dos Brics sediado em Xangai e presidido por Dilma Rousseff, financia obras com dólar e moedas locais. Veja quanto veio ao Brasil.

Dois homens de terno apertam as mãos diante de um painel verde do Novo Banco de Desenvolvimento, com bandeira da China e flores na mesa.
O vice-ministro das Finanças da China e o então presidente do NDB assinam o primeiro acordo de empréstimo do banco com Xangai, em 21 de dezembro de 2016.Foto: Bb3015 / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em julho de 2025, a presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), Dilma Rousseff, disse que o banco tinha aprovado 29 projetos no Brasil. O valor citado foi de cerca de US$ 7 bilhões, segundo InfoMoney e Poder360.

O NDB é conhecido como o banco dos Brics. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul são os sócios fundadores. A pergunta para o leitor brasileiro é simples: quanto dinheiro chega, e em qual moeda?

Quem criou o banco e onde fica

O acordo de criação foi assinado na cúpula do Brics em Fortaleza, em julho de 2014. Ele entrou em vigor em 2015, segundo o Brics Policy Center. A sede fica em Xangai, na China, de acordo com o relatório anual do próprio banco.

Dilma Rousseff, ex-presidenta do Brasil, foi reconduzida ao cargo em março de 2025, por mais cinco anos. A indicação foi da Rússia, que tinha a vez de indicar, segundo o Congresso em Foco.

Como o banco se financia

O banco tem capital autorizado de US$ 100 bilhões. O capital inicial subscrito, ou seja, comprometido pelos sócios, é de US$ 50 bilhões. Desse valor, só US$ 10 bilhões são pagos à vista. Os US$ 40 bilhões restantes são capital exigível, cobrado apenas se o banco precisar, segundo o Brics Policy Center.

O banco também capta dinheiro no mercado, emitindo títulos de dívida. Em julho de 2025, Dilma disse: “Desde que eu cheguei lá, nós captamos mais de US$ 16,1 bilhões”, segundo a InfoMoney.

O que empresta e quanto foi para o Brasil

O NDB financia obras de infraestrutura, energia limpa, transporte e saúde. Em outubro de 2023, o banco e o governo brasileiro assinaram um empréstimo de US$ 1 bilhão. O dinheiro foi para o FGI PEAC, que garante crédito a micro, pequenas e médias empresas e é gerido pelo BNDES, segundo a Agência Sebrae.

Brasil no NDB: principais números de julho de 2025

Valores em dólar, informados por Dilma Rousseff em coletiva após a reunião anual no Rio

Indicador Valor
Projetos aprovados 29
Valor aprovado cerca de US$ 7 bilhões
Já desembolsado US$ 4 bilhões
Carteira em andamento US$ 2,3 bilhões

Fonte: InfoMoney; Poder360. Elaboração: redação.

Os números variam entre veículos. O Correio da Manhã publicou US$ 6,3 bilhões para o mesmo anúncio. Com US$ 7 bilhões, a fatia do Brasil fica em cerca de 17,5% dos US$ 40 bilhões aprovados pelo banco.

Em dezembro de 2025, o conselho aprovou US$ 320 milhões para o Brazil Smart Hospital, um hospital inteligente ligado ao Ministério da Saúde, em São Paulo. No mesmo dia, aprovou US$ 150 milhões para um programa de desenvolvimento social e sustentável em Maceió, segundo o relatório anual.

Moeda local: o ganho prometido

A promessa mais importante para o Brasil é a moeda. Dilma disse que o banco quer captar e emprestar mais em moedas locais, segundo o Correio da Manhã. Quem toma empréstimo em real não paga a variação do dólar. Mas o efeito depende de quanto do dinheiro sai nessas moedas.

A fatia já chegou a 30%, segundo o ministro das Finanças da Rússia, Anton Siluanov. Ele preside o conselho de governadores do banco. A meta é passar de 45% até 2031, segundo a CGTN, que citou declarações de maio de 2026.

Dilma também negou sinais de desdolarização: “Eu não vejo assim, claramente, nenhum sinal de desdolarização”, disse, segundo a InfoMoney. Nos empréstimos ao Brasil, o dólar ainda é a moeda principal. Os reais aparecem como contrapartida dos governos, como R$ 110 milhões do governo federal no hospital.

O que diz o NDB: Em coletiva no Rio, em 5 de julho de 2025, Dilma Rousseff disse que o banco quer captar e emprestar mais em moedas locais, segundo o Correio da Manhã. Não encontramos comunicado atual do banco sobre o tema em sua página oficial.

O que fica em aberto

Os números do Brasil mais citados são de julho de 2025. Não encontramos um total atualizado para o país nas fontes consultadas. O relatório anual de 2026 do banco também não apareceu na pesquisa.

O relatório de 2025 mostra que o banco aprovou 19 projetos e US$ 3,17 bilhões no ano. Com a meta de 45% em moeda local até 2031, a pergunta para o Brasil é quanto dos próximos empréstimos virá em real.

Como fizemos: Usamos o relatório anual 2025 do NDB, a página do projeto Brazil Smart Hospital no site do banco e reportagens sobre a coletiva de julho de 2025 (InfoMoney, Poder360 e Correio da Manhã), além de CGTN, Agência Sebrae, Congresso em Foco e Brics Policy Center. Acessamos as fontes em 22 de outubro de 2026. Os valores estão em dólar, sem correção pela inflação, porque não comparamos anos. A fatia de 17,5% (US$ 7 bilhões divididos por US$ 40 bilhões) é cálculo nosso. Não conseguimos a lista completa de projetos por país.

Fontes