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Sem Lula, BRICS apoia em Nova Délhi papel maior do Brasil na ONU

Mauro Vieira representou o presidente na cúpula; a declaração final critica tarifas unilaterais e cobra a volta do Órgão de Apelação da OMC.

Homem de terno discursa em púlpito diante de painel azul da conferência de apoio à Síria, em Londres.
O chanceler Mauro Vieira discursa em conferência em Londres, em fevereiro de 2016, em foto de arquivo.Foto: DFID - UK Department for International Development / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na 18ª cúpula do BRICS, no sábado (12) e no domingo (13), em Nova Délhi. No primeiro dia, os líderes aprovaram por unanimidade a Declaração de Nova Délhi, segundo a agência indiana UNI. O texto registra o apoio de China e Rússia a um papel maior de Brasil e Índia na Organização das Nações Unidas (ONU).

O BRICS nasceu com Brasil, Rússia, Índia e China, e depois incorporou a África do Sul. Hoje inclui também países como Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. A Índia presidiu o bloco em 2026, e a cúpula encerrou o mandato indiano, segundo o Itamaraty.

A ausência de Lula

Em 25 de agosto, o Poder360 informou que Lula não iria à Índia. A cúpula ocorreu 22 dias antes do primeiro turno da eleição presidencial, o que dificultava a viagem. Segundo o Metrópoles, a delegação brasileira teve Vieira e o embaixador Maurício Lyrio, negociador do país no bloco.

O anfitrião foi o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. Os presidentes da China, Xi Jinping, e da Rússia, Vladimir Putin, foram a Nova Délhi, segundo o site Bahia Notícias e a UNI. Putin não esteve pessoalmente nas cúpulas de 2023, na África do Sul, e de 2025, no Rio de Janeiro. Ele é alvo de um mandado de prisão do Tribunal Penal Internacional, lembra o Metrópoles.

A ex-presidente Dilma Rousseff também participou do encontro. Ela preside o Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como o banco do BRICS.

O que diz a declaração

O documento defende uma reforma ampla da ONU, incluindo o Conselho de Segurança. Segundo o texto, China e Rússia, membros permanentes do Conselho, reiteraram apoio às aspirações de Brasil e Índia de ter um papel maior na organização. O Brasil busca há décadas uma cadeira permanente nesse órgão.

No comércio, o bloco manifestou séria preocupação com o aumento de medidas tarifárias e não tarifárias unilaterais. Para os líderes, elas distorcem o comércio e são incompatíveis com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). O texto não cita nenhum país, segundo a Folha de Pernambuco.

Os líderes também pediram a volta do sistema de disputas da OMC em duas instâncias. Isso inclui a nomeação, sem demora, de novos integrantes do Órgão de Apelação, parado desde 2019.

Sobre Gaza, o bloco defendeu a manutenção do cessar-fogo e o acesso humanitário sem restrições. Também apoiou a solução de dois Estados, com uma Palestina soberana, informou a Folha de Pernambuco.

O que diz o Itamaraty: Na Nota à Imprensa nº 290, de 10 de setembro, o ministério descreveu um cenário de conflitos armados e de crise do multilateralismo. Nesse quadro, apresentou o BRICS como um foro central para os países em desenvolvimento coordenarem posições comuns. O objetivo, segundo a nota, é uma ordem global mais justa e inclusiva.

O próximo palco da reforma do Conselho de Segurança é a própria ONU. Segundo o Metrópoles, Lula deve fazer o discurso de abertura da Assembleia Geral, em Nova York, no dia 22. Para um analista ouvido pelo Metrópoles, a ausência do presidente em Nova Délhi pesa, dado o histórico do Brasil como mediador.

Fontes