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Após saída de Bachelet, o Brasil fica sem candidata na disputa da ONU

Bachelet deixou a disputa em setembro. Seis consultas do Conselho de Segurança não definiram um nome, e o sucessor de Guterres assume em 2027.

Lula e Michelle Bachelet, de mãos dadas, em uma sala do Palácio do Planalto, com as bandeiras do Brasil e da Presidência ao fundo.
Lula e Michelle Bachelet no Palácio do Planalto, em Brasília, em 11 de maio de 2026.Foto: Wallison Breno/PR / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 19 de setembro de 2026, Michelle Bachelet anunciou que deixava a disputa pela Secretaria-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). A candidatura tinha sido formalizada em 2 de fevereiro pelos governos do Chile, do Brasil e do México, segundo o JB. Com a saída, o Brasil fica sem candidata na corrida para suceder António Guterres.

O secretário-geral é o chefe da ONU. Pela Carta da organização, a Assembleia Geral o nomeia por recomendação do Conselho de Segurança. Guterres deixa o cargo em 31 de dezembro de 2026. O sucessor assume em 1º de janeiro de 2027.

Em março, o Chile retirou o apoio à candidatura. Brasil e México mantiveram o nome. Em 28 de março, Lula escreveu que “o Brasil continuará a apoiar, em conjunto com o México, a candidatura de Michelle Bachelet”, segundo a CNN Brasil.

Seis consultas e nenhum vencedor

O Conselho de Segurança tem 15 membros. Cinco são permanentes e podem vetar qualquer nome: China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia. As consultas informais são secretas. Os números não são divulgados oficialmente, mas costumam vazar, segundo a Security Council Report.

Para ser recomendado, um candidato precisa de nove votos favoráveis e nenhum veto de membro permanente, segundo a PassBlue.

Bachelet teve seis votos favoráveis na primeira consulta, em 30 de julho. Na segunda, em 21 de agosto, caiu para dois. Na terceira, em 18 de setembro, recebeu um voto favorável e 11 contrários. Os dados são da PassBlue.

Na sexta consulta, em 16 de outubro, a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan teve nove votos favoráveis e cinco contrários. A ex-chanceler da Guiana Carolyn Rodrigues-Birkett e o argentino Rafael Grossi, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), tiveram oito favoráveis cada um, segundo a PassBlue e a Euronews. A Reuters informou que todos os outros candidatos receberam dois ou mais votos contrários de membros permanentes.

Um nome a menos e a conta latino-americana

O ex-presidente do Senegal Macky Sall retirou a candidatura em 17 de outubro, conforme a lista de candidatos da ONU. Quatro dias depois, em 21 de outubro, a diplomata dos Emirados Árabes Unidos Lana Nusseibeh entrou na disputa, segundo a Reuters. Ela foi embaixadora de seu país na ONU por mais de dez anos.

Hoje, cinco dos sete nomes são da América Latina e do Caribe: Grynspan, Rodrigues-Birkett, Grossi e as equatorianas María Fernanda Espinosa e Ivonne A-Baki. Os outros são o ugandense Olara Otunnu e Nusseibeh. Ao deixar a disputa, Bachelet disse que “a próxima secretária-geral deve ser uma mulher da América Latina”, segundo a Folha de Pernambuco.

O que diz o governo brasileiro: Em 28 de março, Lula escreveu que o Brasil continuaria a apoiar Bachelet, em conjunto com o México. Até 23 de outubro, não encontramos declaração pública do Itamaraty ou de Lula sobre a retirada. Segundo a The Clinic, Brasil e México comunicaram a saída à ONU por carta conjunta em 21 de setembro.

O que vem a seguir

Não encontramos data marcada para a próxima consulta. A Security Council Report alertou que o processo pode passar do fim do mandato de Guterres, em 31 de dezembro.

Para o Brasil, a saída de Bachelet encerra a aposta em uma candidata apoiada desde fevereiro. A escolha agora passa por cinco membros permanentes, que podem vetar qualquer nome. Depois, o nome precisa ser nomeado pela Assembleia Geral.

Como fizemos: Reunimos reportagens e documentos publicados entre 2 de fevereiro e 22 de outubro de 2026, acessados em 23 de outubro de 2026. Os votos das consultas vêm de tabelas da PassBlue, que reproduzem resultados vazados, já que o Conselho não divulga números oficiais. A contagem de cinco candidatos latino-americanos e caribenhos é nossa, a partir das nacionalidades informadas pelas fontes. Não enviamos perguntas ao Itamaraty para este texto. Os números podem mudar a cada nova consulta.

Fontes