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Na ONU, Lula ataca o veto e defende a soberania da América Latina

Na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral, o presidente atacou o Conselho de Segurança, falou de Venezuela, Cuba e Gaza e foi aplaudido quatro vezes.

Ilustração provisória e abstrata: assentos dispostos em semicírculo, como num plenário, em tons de azul e dourado.
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (22) o debate geral da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York. Em cerca de 20 minutos, criticou o Conselho de Segurança e defendeu a soberania da América Latina. O discurso foi interrompido por aplausos quatro vezes, segundo o Estadão Conteúdo.

Por tradição, o Brasil é o primeiro país a falar no debate geral, e os Estados Unidos, o segundo. Segundo o guia de pesquisa da biblioteca da ONU, isso ocorre desde a 10ª sessão, em 1955, com poucas exceções. Como previsto, o presidente americano, Donald Trump, discursou logo depois.

O tema da sessão é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”, segundo o Itamaraty. Foi a 11ª participação de Lula na Assembleia como presidente, de acordo com a Agência Brasil.

O veto e o Conselho

Lula lembrou que o Brasil alertou, em 1946, para o preço que o mundo pagaria pelo veto dos membros permanentes. “Esse vício de origem da Carta da ONU conferiu às grandes potências o privilégio da insensatez”, disse. Também afirmou: “Somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel.”

Soberania e América Latina

Sem citar os Estados Unidos, Lula falou da proximidade da região com “a maior potência militar do mundo”. Em seguida, disse: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém.” A frase foi aplaudida.

Sobre o combate ao crime, afirmou: “Não precisamos de porta-aviões vigiando nossas águas.” Pediu cooperação para conter o fluxo de armas e de dinheiro que alimenta o crime. Sobre a Venezuela, disse que “o povo venezuelano merece definir o próprio destino”.

Lula também falou de Cuba. Criticou a punição coletiva imposta a 10 milhões de pessoas “por um embargo econômico e um cerco energético ilegais”.

Gaza e direitos humanos

O presidente condenou o Hamas. “Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas”, disse. Em seguida, falou do “genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”.

Ele defendeu a relatora especial da ONU para os territórios palestinos ocupados. “A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, não pode ser silenciada por dizer a verdade”, afirmou, sob aplausos. A jurista italiana sofreu sanções dos Estados Unidos por relatórios críticos a Israel, lembrou o Estadão Conteúdo.

No clima, citou o fundo para florestas tropicais proposto pelo Brasil na conferência do clima da ONU de 2025, a COP30. “O Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado na COP30 em Belém, mostra que é possível mudar antigos paradigmas”, disse.

A agenda em Nova York

Antes do discurso, Lula se reuniu com o secretário-geral da ONU, António Guterres, que está em fim de mandato. Na segunda-feira (21), encontrou o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Também esteve com o senador americano Bernie Sanders, segundo o Poder360.

O que diz o governo brasileiro: No discurso, Lula defendeu o multilateralismo, a reforma do Conselho de Segurança e a não interferência nos assuntos de outros países. Segundo a Nota à Imprensa nº 295 do Itamaraty, o Brasil também vai promover em Nova York reuniões sobre desigualdade e sobre a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza.

O discurso ocorreu a 12 dias do primeiro turno da eleição presidencial no Brasil. O chanceler Mauro Vieira segue em Nova York para reuniões ministeriais, como as da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). A ONU também escolhe neste ano o sucessor de Guterres. No domingo (20), o Itamaraty registrou a retirada da candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet, anunciada por ela no dia 19.

Fontes