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Emirados indicam Nusseibeh e Conselho adia nova votação na ONU

Os Emirados indicaram Lana Nusseibeh em 21 de outubro, e a disputa segue com sete nomes sem apoio unânime no Conselho de Segurança.

Plenário do Conselho de Segurança da ONU, vazio, com a mesa em ferradura, cadeiras azuis e vermelhas e um grande mural ao fundo.
Plenário do Conselho de Segurança, na sede da ONU em Nova York, que realiza as votações indicativas para secretário-geral.Foto: James D. Forrester / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Em 21 de outubro, os Emirados Árabes Unidos (EAU) indicaram Lana Nusseibeh como candidata a secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo a France 24, a indicação foi enviada pelo presidente dos EAU, Mohamed bin Zayed. Com ela, a disputa voltou a ter sete nomes.

A entrada da candidata mexeu no calendário. A sétima votação informal do Conselho de Segurança, prevista para 23 de outubro, foi adiada. Segundo a France 24, o adiamento deve dar tempo aos EAU de apresentar a indicação. Não encontramos nova data confirmada.

Como a escolha funciona

A ONU escolhe o secretário-geral em duas etapas. O Conselho de Segurança, com 15 países, recomenda um nome. Depois, a Assembleia Geral, com 193 países, faz a nomeação, segundo a Notícias da ONU.

O Conselho usa votações indicativas, chamadas de straw polls em inglês. Cada membro pode apoiar, desaconselhar ou não opinar sobre cada nome. Essas votações não são a recomendação formal. Para recomendar um candidato, são necessários pelo menos nove votos favoráveis e nenhum veto dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino Unido.

O mandato de António Guterres termina em 31 de dezembro de 2026. O novo secretário-geral assume em 1º de janeiro de 2027.

Seis votações e uma desistência

Macky Sall, ex-presidente do Senegal, desistiu em 17 de outubro. Ele disse querer ajudar a formar um candidato de consenso, segundo o Observador. A saída veio um dia depois da sexta votação indicativa, realizada em 16 de outubro.

Nenhum dos sete nomes teve o apoio dos cinco membros permanentes, segundo a agência AP. Naquela sexta votação, Grynspan foi a única a chegar a nove votos de apoio.

Grynspan foi a única a chegar a nove votos de apoio em 16 de outubro Votos dos 15 membros do Conselho na sexta votação indicativa, em 16/10/2026

Nome Apoio Contra Sem opinião
Rebeca Grynspan (Costa Rica) 9 5 1
Rafael Grossi (Argentina) 8 6 1
Carolyn Rodrigues-Birkett (Guiana) 8 6 1

Fonte: PassBlue e Observador. Elaboração: redação.

Nos três casos, dois votos contrários vieram de membros permanentes. Os demais vieram dos membros eleitos do Conselho.

Brasil e a vez da América Latina

O Brasil e o México apresentaram juntos a candidatura da ex-presidente chilena Michelle Bachelet. O Chile retirou seu apoio em 24 de março, segundo a La Jornada. Bachelet desistiu em 19 de setembro. Na terceira votação, em 18 de setembro, ela teve um voto favorável e 11 contrários.

Segundo o Jornal Sete, a nota do Itamaraty diz que, pelo critério de rotação geográfica, cabe à América Latina indicar o próximo secretário-geral. Em novembro de 2025, Lula disse, na cúpula entre Celac e União Europeia, em Santa Marta, na Colômbia: “É chegada a hora de ter uma latino-americana no cargo de secretária-geral da ONU.” A fala foi publicada pelo Poder360.

A disputa era também a vez não oficial da América Latina e do Caribe, segundo a France 24. Nusseibeh e o ugandense Olara Otunnu, segundo a reportagem, afastam essa possibilidade.

Nusseibeh e as críticas

Nusseibeh foi embaixadora dos EAU na ONU de 2013 a 2024. Nathaniel Raymond, do Yale Humanitarian Research Lab, disse que a eleição dela poderia ser uma “catástrofe” para o trabalho da ONU no Sudão e no Iêmen. Painéis da ONU acusaram os EAU de armar e financiar as Forças de Apoio Rápido (RSF, na sigla em inglês), no Sudão. Os EAU rejeitam essas conclusões, segundo a France 24.

O que isso significa

O Conselho ainda não reuniu apoio suficiente para um nome. Sem recomendação, a Assembleia Geral não tem candidato para nomear. A decisão final depende de acordo entre os cinco membros permanentes.

Segundo a France 24, diplomatas esperam que Nusseibeh participe de um diálogo interativo na Assembleia Geral antes da próxima votação. A Metrópoles cita outros nomes possíveis, como Alicia Bárcena, do México, e Nikolaï Mladenov, da Bulgária. A reportagem não confirma nenhuma nova candidatura.

O que diz o Itamaraty: Em nota de 20 de setembro, sobre a retirada de Bachelet, o ministério afirmou que o Brasil segue comprometido com uma seleção transparente e inclusiva. Não encontramos posição oficial sobre Nusseibeh nem sobre os demais candidatos. Não procuramos o ministério antes da publicação; a posição vem de nota pública.

Como fizemos: Usamos reportagens da France 24, PassBlue, Observador, AP (via ABC News), Metrópoles, Poder360, Jornal Sete, La Jornada e Notícias da ONU, além da nota do Itamaraty (atualizada em 26/10) e da página da Wikipédia em inglês sobre a seleção, acessadas em 27/10/2026. As contagens vêm dessas reportagens, porque não conseguimos abrir o site oficial do Conselho de Segurança. A Metrópoles dá a data da votação como 17/10, mas ela foi na sexta-feira, 16/10. Não fizemos cálculos próprios.

Fontes