Tarifa de 25% segue após eleição; proposta dos EUA ainda não chegou
Trump disse que a eleição 'pareceu fraudada', mas a tarifa americana segue. O governo espera uma proposta dos EUA em novembro.

No dia seguinte à reeleição de Lula, a tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros seguia em vigor. Não encontramos, até esta publicação, anúncio do governo americano que mude as alíquotas após o segundo turno. Mudaram as falas, não a conta de quem exporta.
A Seção 301 é uma lei de comércio dos Estados Unidos, de 1974. Ela permite ao Escritório do Representante Comercial (USTR) investigar práticas de outro país e aplicar sobretaxas. Em 15 de julho de 2026, o USTR anunciou a tarifa de 25%, em vigor desde 22 de julho.
Segundo a Casa Branca, carne bovina, suco de laranja, aeronaves e energia ficaram de fora. A CNN Brasil também registrou café e carne como exceções. Desde 24 de julho, outra sobretaxa, de 12,5%, vale para o Brasil, por causa de uma investigação sobre trabalho forçado. Segundo o escritório Alston & Bird, as duas se somam e chegam a 37,5% em muitos produtos.
Trump falou em fraude, mas disse gostar de Lula
Na segunda-feira (26), Trump afirmou: “Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada”. A frase foi publicada pela Gazeta do Povo. Ele também criticou a prorrogação do horário de votação decidida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Na mesma fala, Trump disse: “Gosto de Lula. Me dou muito bem com ele.” A reportagem não relaciona essas falas a tarifas.
O governo decidiu não responder oficialmente, segundo o Brasil 247, que cita o SBT News. A resposta só mudaria se Trump voltasse a atacar o resultado. O vice-presidente Geraldo Alckmin chamou a acusação de “totalmente equivocada”, à Rede Vanguarda. Ele disse: “Primeiro não se interfere na política de outro país. Essa é uma regra basilar.”
A proposta americana ainda não chegou
Em 8 de outubro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse ao SBT News que os EUA enviariam uma proposta em “três ou quatro semanas”. Essa conta cai entre 29 de outubro e 5 de novembro. Não encontramos a proposta até esta publicação.
Uma análise da Efficienza, republicada pelo Prensa Mercosur em 27 de outubro, resume o cenário: a eleição “destrava o calendário, não as tarifas”. Rosa também pôs um limite à conversa. Segundo o SBT News, ele disse: “Quem quiser colocar a eleição na mesa, não terá o Brasil como um dos dialogadores.”
Do lado americano, o USTR disse, em 15 de julho, estar “open to continuing negotiations with Brazil to bring about long-needed changes” (tradução nossa: “aberto a continuar negociações com o Brasil para promover mudanças há muito necessárias”).
O que isso significa
Na prática, a relação comercial está no mesmo ponto de julho. Segundo o escritório GT Law, o texto do USTR diz que as tarifas devem permanecer até que o Brasil resolva as práticas investigadas. A lista inclui comércio digital, o Pix, ordens judiciais para remover conteúdo de plataformas americanas e o mercado de etanol.
A eleição tirou da mesa o argumento do calendário. Continuam em aberto a proposta americana, o prazo e a lista de exceções. Enquanto isso, a sobretaxa segue sobre as exportações.
O que diz o governo brasileiro: Segundo Márcio Elias Rosa, em entrevista ao SBT News em 8 de outubro, os EUA enviarão uma proposta formal em “três ou quatro semanas”. O governo Lula não respondeu oficialmente às falas de Trump sobre a eleição. Não procuramos o governo antes desta publicação; as posições vêm de reportagens públicas.
Como fizemos: Usamos a ficha técnica da Casa Branca, o comunicado do USTR, reportagens da CNN Brasil, da Gazeta do Povo, do SBT News, do Brasil 247 e do Prensa Mercosur, além de resumos jurídicos (GT Law, EY e Alston & Bird), acessados em 27/10/2026. O texto da medida no Federal Register não abriu, pois o link levou a uma página de bloqueio; as alíquotas vêm desses resumos. Nossa conta: 8 de outubro mais três e quatro semanas dá 29 de outubro e 5 de novembro. Não localizamos proposta americana divulgada até esta publicação.
Fontes
- USTR: Section 301 Action on Brazil’s Unreasonable Acts, Policies, and Practices, 15/07/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Casa Branca: Fact Sheet: President Trump Directs USTR Section 301 Action in Response to Brazil’s Unreasonable Acts (acesso em 27/10/2026)
- CNN Brasil: EUA confirmam novo tarifaço de 25% a produtos do Brasil, 15/07/2026 (acesso em 27/10/2026)
- GT Law: USTR announces Section 301 tariffs on Brazil, 15/07/2026 (acesso em 27/10/2026)
- EY: USTR finalizes Section 301 forced labor tariffs, 23/07/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Alston & Bird: USTR finalizes and imposes 10 to 12.5 percent Section 301 forced labor duties, 24/07/2026 (acesso em 27/10/2026)
- SBT News: Governo espera proposta dos EUA sobre tarifaço em novembro, 08/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Gazeta do Povo: Trump diz que eleição no Brasil pareceu fraudada, mas afirma ter boa relação com Lula, 26/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Brasil 247: Planalto decide ignorar insinuação de Trump sobre fraude eleitoral, 26/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Diário do Centro do Mundo: Alckmin e Celso Amorim enquadram Trump após ataque à vitória de Lula, 26/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Prensa Mercosur (republicação da Efficienza): Fim da eleição destrava negociação do tarifaço, mas sobretaxa de 37,5% segue, 27/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Agência Brasil: Presidente Lula durante reunião com Donald Trump na Casa Branca, 07/05/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Wikimedia Commons: foto de Ricardo Stuckert/PR, CC BY 3.0 BR (acesso em 27/10/2026)



