Comércio exterior

Tarifa de 25% segue após eleição; proposta dos EUA ainda não chegou

Trump disse que a eleição 'pareceu fraudada', mas a tarifa americana segue. O governo espera uma proposta dos EUA em novembro.

Lula, de terno escuro, e Donald Trump, de terno azul e gravata vermelha, em pé diante de quadros dourados numa sala da Casa Branca.
Lula e Donald Trump em encontro na Casa Branca, em Washington, em 7 de maio de 2026.Foto: Ricardo Stuckert/PR / Agência Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 3.0 BR)

No dia seguinte à reeleição de Lula, a tarifa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros seguia em vigor. Não encontramos, até esta publicação, anúncio do governo americano que mude as alíquotas após o segundo turno. Mudaram as falas, não a conta de quem exporta.

A Seção 301 é uma lei de comércio dos Estados Unidos, de 1974. Ela permite ao Escritório do Representante Comercial (USTR) investigar práticas de outro país e aplicar sobretaxas. Em 15 de julho de 2026, o USTR anunciou a tarifa de 25%, em vigor desde 22 de julho.

Segundo a Casa Branca, carne bovina, suco de laranja, aeronaves e energia ficaram de fora. A CNN Brasil também registrou café e carne como exceções. Desde 24 de julho, outra sobretaxa, de 12,5%, vale para o Brasil, por causa de uma investigação sobre trabalho forçado. Segundo o escritório Alston & Bird, as duas se somam e chegam a 37,5% em muitos produtos.

Trump falou em fraude, mas disse gostar de Lula

Na segunda-feira (26), Trump afirmou: “Não tomei partido, mas pareceu mais uma eleição fraudada”. A frase foi publicada pela Gazeta do Povo. Ele também criticou a prorrogação do horário de votação decidida pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na mesma fala, Trump disse: “Gosto de Lula. Me dou muito bem com ele.” A reportagem não relaciona essas falas a tarifas.

O governo decidiu não responder oficialmente, segundo o Brasil 247, que cita o SBT News. A resposta só mudaria se Trump voltasse a atacar o resultado. O vice-presidente Geraldo Alckmin chamou a acusação de “totalmente equivocada”, à Rede Vanguarda. Ele disse: “Primeiro não se interfere na política de outro país. Essa é uma regra basilar.”

A proposta americana ainda não chegou

Em 8 de outubro, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, disse ao SBT News que os EUA enviariam uma proposta em “três ou quatro semanas”. Essa conta cai entre 29 de outubro e 5 de novembro. Não encontramos a proposta até esta publicação.

Uma análise da Efficienza, republicada pelo Prensa Mercosur em 27 de outubro, resume o cenário: a eleição “destrava o calendário, não as tarifas”. Rosa também pôs um limite à conversa. Segundo o SBT News, ele disse: “Quem quiser colocar a eleição na mesa, não terá o Brasil como um dos dialogadores.”

Do lado americano, o USTR disse, em 15 de julho, estar “open to continuing negotiations with Brazil to bring about long-needed changes” (tradução nossa: “aberto a continuar negociações com o Brasil para promover mudanças há muito necessárias”).

O que isso significa

Na prática, a relação comercial está no mesmo ponto de julho. Segundo o escritório GT Law, o texto do USTR diz que as tarifas devem permanecer até que o Brasil resolva as práticas investigadas. A lista inclui comércio digital, o Pix, ordens judiciais para remover conteúdo de plataformas americanas e o mercado de etanol.

A eleição tirou da mesa o argumento do calendário. Continuam em aberto a proposta americana, o prazo e a lista de exceções. Enquanto isso, a sobretaxa segue sobre as exportações.

O que diz o governo brasileiro: Segundo Márcio Elias Rosa, em entrevista ao SBT News em 8 de outubro, os EUA enviarão uma proposta formal em “três ou quatro semanas”. O governo Lula não respondeu oficialmente às falas de Trump sobre a eleição. Não procuramos o governo antes desta publicação; as posições vêm de reportagens públicas.

Como fizemos: Usamos a ficha técnica da Casa Branca, o comunicado do USTR, reportagens da CNN Brasil, da Gazeta do Povo, do SBT News, do Brasil 247 e do Prensa Mercosur, além de resumos jurídicos (GT Law, EY e Alston & Bird), acessados em 27/10/2026. O texto da medida no Federal Register não abriu, pois o link levou a uma página de bloqueio; as alíquotas vêm desses resumos. Nossa conta: 8 de outubro mais três e quatro semanas dá 29 de outubro e 5 de novembro. Não localizamos proposta americana divulgada até esta publicação.

Fontes