Comércio exterior

Tarifaço: negociação pode avançar só após a eleição

A tarifa de 25% dos EUA vale desde 22 de julho. A proposta americana deve chegar em semanas, e a negociação pode esperar o segundo turno.

Homem de terno escuro levanta a mão direita em juramento, diante de bandeiras dos Estados Unidos, em cerimônia com familiares e público.
Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, faz juramento de posse em 2025, em cerimônia conduzida pelo vice-presidente JD Vance.Foto: Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) / Wikimedia Commons (domínio público)

Desde 22 de julho, parte dos produtos brasileiros paga 25% a mais para entrar nos Estados Unidos. A medida foi anunciada pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), com base na Seção 301, lei que permite a Washington punir práticas consideradas desleais de outros países.

A negociação para mudar isso avança devagar. Os dois lados sinalizam que ela pode andar só depois do segundo turno, marcado para 25 de outubro.

O que está em vigor

Duas medidas americanas atingem produtos brasileiros. A primeira é a tarifa de 25%, que começou em 22 de julho. Carne, café e suco de laranja estão entre os produtos isentos, segundo o escritório de advocacia Greenberg Traurig.

A segunda é uma sobretaxa ligada a trabalho forçado. A Agência Brasil informa que ela atinge produtos brasileiros, com alíquota de 12,5%. Juntas, as duas podem somar 37,5% em parte das exportações.

Tarifas adicionais que os EUA cobram sobre produtos brasileiros Alíquota sobre o valor do produto, em 2026

Medida Alíquota Em vigor desde
Seção 301 contra o Brasil 25% 22 de julho
Seção 301 sobre trabalho forçado 12,5% 24 de julho
Soma nos produtos atingidos pelas duas 37,5% —

Fontes: USTR; Greenberg Traurig; Agência Brasil; InfoMoney; Thomson Reuters. Elaboração: redação.

O que está pendente

Os dois governos anunciaram, em 1º de outubro, um grupo de trabalho para tratar das tarifas, segundo a Rádio Senado. Falta a proposta americana sobre o que será negociado. O ministro Márcio Elias Rosa disse à SBT News: “Eles encaminharão uma proposta e aceitaram essa incumbência em três ou quatro semanas.”

O mesmo ministro afirmou que o Brasil não fará concessões. Nas palavras dele: “O Brasil está disposto a fazer o acordo, mas não vai fazer concessão, nós não vamos fazer oferta.”

Do lado americano, Jamieson Greer, representante comercial dos EUA, disse ao Estado de S. Paulo que o período eleitoral pode reduzir a flexibilidade dos dois governos, segundo o InfoMoney. O USTR, segundo o Greenberg Traurig, diz que as tarifas devem permanecer até que o Brasil trate das práticas investigadas.

Há ainda uma frente paralela. Em 27 de julho, o Brasil abriu uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC), registrada como DS646. Segundo a página da OMC, os EUA aceitaram as consultas em 6 de agosto, e o caso segue nessa fase, sem pedido de painel.

Datas depois de 25 de outubro

Contando três ou quatro semanas a partir de 8 de outubro, a proposta americana cai entre 29 de outubro e 5 de novembro. É a nossa conta, a partir da fala do ministro.

Em 18 e 19 de novembro, a cúpula de líderes da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) acontece em Shenzhen, na China. Em 14 e 15 de dezembro, a cúpula do G20 está prevista para Doral, na Flórida, segundo a CBS News.

O que isso significa

Até o segundo turno, a tarifa segue em vigor, e a negociação deve andar pouco. A proposta americana é o próximo passo concreto. As cúpulas de novembro e dezembro são encontros de líderes, mas as fontes consultadas não citam data para um acordo.

O que diz o MDIC: Segundo a Rádio Senado, o governo americano deve encaminhar nas próximas semanas um documento que defina o escopo das negociações, com temas tarifários e não tarifários. O ministro Márcio Elias Rosa afirma que o Brasil não vai fazer concessão nem oferta, segundo a SBT News.

Como fizemos: Reunimos declarações e reportagens citadas em Fontes, além da página do USTR sobre a sobretaxa de trabalho forçado, acessadas em 21 de outubro de 2026. Não conseguimos abrir o aviso oficial da Seção 301 contra o Brasil; a alíquota de 25% e as isenções vêm de resumos de escritórios de advocacia. A data de 29 de outubro a 5 de novembro é nossa estimativa a partir da fala do ministro. Os dados não mostram quanto a tarifa pesa nas exportações nem quando a tarifa acaba.

Fontes