EUA aportam US$ 750 milhões em mina de terras raras em Goiás
O dinheiro é de Washington e vai comprar a produção inicial da mina Pela Ema, em Minaçu (GO), agora controlada por empresa americana.

Em 24 de agosto de 2026, o governo dos Estados Unidos anunciou US$ 750 milhões para uma estrutura que vai comprar a produção inicial da mina Pela Ema, em Minaçu, Goiás. O dinheiro vem do Departamento de Guerra, o Ministério da Defesa americano, no governo de Donald Trump.
Terras raras são elementos químicos usados em ímãs de motores, turbinas e equipamentos militares. Segundo a SBT News, a Serra Verde é a única empresa do país com operação comercial de terras raras em larga escala.
Em fevereiro, a Serra Verde anunciou um financiamento de US$ 565 milhões da Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional (DFC), agência americana. Em abril, a empresa americana USA Rare Earth anunciou a compra da Serra Verde por cerca de US$ 2,8 bilhões.
Quem paga e quem compra
A compra foi paga com US$ 300 milhões em dinheiro e 126,8 milhões de ações novas da USA Rare Earth, segundo o Poder360. O aporte do governo americano fica separado do preço. Ele financia um veículo de propósito específico (SPV, na sigla em inglês). Esse veículo compra o carbonato misto de terras raras, um produto que ainda precisa ser separado em metais.
Dinheiro dos EUA ligado à mina de Minaçu Valores anunciados, em US$ milhões, 2026
| Item | US$ milhões | Data |
|---|---|---|
| Aporte do Departamento de Guerra no veículo que compra a produção | 750 | 24/8 |
| Financiamento da DFC à Serra Verde | 565 | fev. |
| Linha de crédito de banco, em carta de compromisso | 500 | 24/8 |
| Compra mínima pelo governo americano, em cinco anos | 300 | 24/8 |
Fontes: comunicado da USA Rare Earth à SEC (24/8/2026); comunicado da Serra Verde (fev./2026). Elaboração: redação.
As fontes não deixam claro se os US$ 565 milhões da DFC fazem parte do total de US$ 1,55 bilhão anunciado em agosto.
Onde fica o processamento
Segundo o Poder360, a empresa combinada vai unir a extração de terras raras pesadas, em Goiás, ao processamento, à produção de metais e à fabricação de ímãs. Essas etapas funcionam nos Estados Unidos, no Reino Unido e na França.
O texto não diz onde o material extraído em Minaçu será separado em metais. Essa etapa define quanto do valor da cadeia fica no Brasil.
Soberania em disputa
Em 11 de maio, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu análise sobre a operação. O pedido partiu do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), que sustenta que a empresa passaria a controlar toda a produção nacional de terras raras, segundo a SBT News.
Em abril, representantes do governo federal criticaram a venda como ameaça à soberania, sem citar nomes, segundo o Poder360. No início de setembro, a venda foi concluída, um dia depois de o Senado aprovar o projeto de minerais críticos, segundo a Eixos. Em 16 de setembro, Lula sancionou a política nacional, que cria um conselho com poder de vetar e aprovar projetos, segundo a Gazeta do Povo.
Em 26 de maio, na Casa Branca, Flávio Bolsonaro disse que o Brasil seria “a única alternativa real à China para o mundo livre”. Segundo a SBT News, ele propôs uma parceria estratégica de longo prazo. A reportagem não registra compromisso de fornecimento aos EUA, nem declaração de Trump sobre o tema.
O que diz a USA Rare Earth: Em comunicado de 24 de agosto, o presidente-executivo do conselho, Michael Blitzer, agradeceu o apoio estratégico do governo americano e o financiamento ampliado. Não encontramos nota do governo federal brasileiro sobre a conclusão da venda.
O que isso significa
O dinheiro americano garante a venda da produção inicial a uma estrutura financiada por Washington. A mina continua em Goiás, mas o comprador da primeira fase e as unidades de ímãs citadas pela empresa ficam fora do país.
Ficam em aberto a análise do Cade, a aplicação da nova política à operação já concluída e o local da separação dos metais. As fontes consultadas não respondem essas perguntas.
Como fizemos: Usamos o comunicado da USA Rare Earth à SEC (24/8/2026), o comunicado da Serra Verde de fevereiro de 2026 (só o título pôde ser conferido) e reportagens do Estadão Conteúdo, Poder360, SBT News, Eixos e Gazeta do Povo, acessadas em 22/10/2026. Os valores da tabela são os divulgados, sem cálculo próprio. Não enviamos perguntas à empresa nem ao governo; as posições vêm de comunicados e reportagens públicas.
Fontes
- Comunicado da USA Rare Earth à SEC, 24/8/2026
- EUA completam investimento de US$ 750 milhões na Serra Verde — Diário de Pernambuco (Estadão Conteúdo)
- EUA investem US$ 750 milhões em terras raras de Goiás — SBT News
- USA Rare Earth conclui compra da Serra Verde, em Goiás — Poder360
- Empresa dos EUA conclui aquisição de mina de terras raras em Goiás antes de lei entrar em vigor — Eixos
- Cade investiga venda de mineradora de terras raras em Goiás para grupo dos EUA — SBT News
- Flávio exalta reunião com Trump, inédito na história do Brasil — SBT News
- Lula sanciona política de minerais críticos e cria conselho com poder de veto — Gazeta do Povo
- Comunicado da Serra Verde sobre financiamento de US$ 565 milhões da DFC, fev. 2026 (PDF)



