Geopolítica

Mapa do Mercosul para minerais críticos segue sem detalhes divulgados

O Paraguai apresentou o mapa do caminho na cúpula de junho. Brasil e Argentina defendem caminhos diferentes para as terras raras.

Vista aérea da sede do Mercosul em Montevidéu, no Uruguai.
Vista aérea da sede do Mercosul, em Montevidéu, no Uruguai.Foto: Fedaro / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em 30 de junho de 2026, na 68ª Cúpula de chefes de Estado do Mercosul, o Paraguai apresentou um “Mapa do Caminho” para um plano de minerais críticos do bloco. O documento deve orientar a cooperação entre os países na exploração, no processamento e na agregação de valor desses recursos. Até 23 de outubro, não encontramos texto oficial que detalhe o conteúdo do mapa.

A falta de detalhes importa porque o tema divide os dois maiores países do bloco. Brasil e Argentina aparecem em lados opostos, segundo a reportagem que antecipou a cúpula.

O que são minerais críticos

Minerais críticos são substâncias essenciais para indústrias como a de baterias, eletrônicos e equipamentos de energia limpa. Terras raras são um grupo de elementos químicos usados em ímãs de motores e turbinas. Segundo o Congresso em Foco, Brasil e Argentina são os maiores detentores de reservas de terras raras do Cone Sul.

Um mapa sem texto público

Segundo a Eixos, os detalhes do mapa paraguaio ainda não tinham sido divulgados. Lula tratou a proposta como “um ponto de partida”. Ele disse que “ainda não dispomos de um mapeamento comum do nosso potencial”.

Antes da cúpula, o Portal Tela informou que a proposta brasileira era preliminar e não previa acordos formais. Ou seja, o tema começou no campo das intenções, não dos compromissos.

Brasil e Argentina em caminhos diferentes

Segundo o Congresso em Foco, em reportagem de 19 de junho, o Brasil defende a exploração aberta a todos os países. Essa exploração deve vir com salvaguardas estratégicas e incentivos ao processamento local. A Argentina, pela mesma reportagem, prioriza parcerias com os Estados Unidos.

Em 4 de fevereiro de 2026, Argentina e Estados Unidos assinaram um acordo sobre minerais críticos, em Washington. O documento foi assinado pelo chanceler argentino, Pablo Quirno, segundo o Metrópoles. Milei não foi à cúpula, citando compromissos no país, segundo a Eixos.

O Brasil seguiu outro caminho dentro de casa. A Lei 15.506, sancionada em 16 de setembro, criou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Ela também criou um conselho ligado à Presidência da República, segundo a Agência Câmara. Depois da votação no Senado, em 2 de setembro, o relator Eduardo Braga disse: “Vão ser nos detalhes que estarão questões importantíssimas para a soberania nacional”.

Próximos passos no bloco

Logo após a cúpula, a presidência rotativa do bloco passou ao Uruguai, governado por Yamandú Orsi, segundo a MercoPress. Em 22 de julho, o grupo técnico de mineração do bloco, o SGT-15, se reuniu por videoconferência sob presidência uruguaia. A ata prevê os próximos passos abaixo.

Etapas previstas para o plano de minerais do Mercosul Datas e situação, segundo a ata do SGT-15 de 22 de julho de 2026

Quando Etapa Situação
22/07/2026 Reunião do SGT-15 por videoconferência Realizada
Fim de novembro de 2026 Oficina presencial em Montevidéu para acordar uma lista preliminar de minerais de interesse Prevista
Novembro de 2026 Priorização inicial de minerais e elevação formal do programa de trabalho 2027–2028, adiada desde julho Prevista

Fonte: Ata da reunião do SGT-15, Mercosul, 22/07/2026. Elaboração: redação.

O que diz o presidente Lula: Segundo a Eixos, Lula afirmou que “desenvolver cadeias regionais que incluam etapas de maior valor agregado é uma questão de segurança nacional e soberania”. Não localizamos a transcrição oficial dessa fala.

O que isso significa

Para o Brasil, a soberania sobre os minerais depende de duas frentes. A primeira é a lei nacional, já sancionada. A segunda é a coordenação regional, que ainda não tem texto público nem compromisso formal.

O próximo marco previsto é a oficina de Montevidéu, no fim de novembro. Até lá, o mapa paraguaio segue como intenção. A lista preliminar de minerais do bloco ainda não foi acordada.

Como fizemos: Checamos reportagens de Congresso em Foco, Portal Tela, Eixos, Metrópoles, MercoPress, Agência Câmara e Agência iNFRA, publicadas entre junho e setembro de 2026, além da ata da reunião do SGT-15 no site do Mercosul, acessadas em 23 de outubro de 2026. As falas de Lula vêm da Eixos, sem transcrição oficial localizada. Algumas reportagens dizem que a cúpula foi em Assunção, outras em Luque, cidade vizinha. Não enviamos perguntas ao governo brasileiro, ao Itamaraty nem ao governo argentino. O texto do Mapa do Caminho não foi localizado, e o artigo relata apenas o que as reportagens descrevem.

Fontes