Comércio exterior

Exportações aos EUA caem 6,5% até setembro, mas setores perdem mais

Vendas aos EUA somam US$ 27,46 bilhões de janeiro a setembro, 6,5% abaixo de 2025. A tarifa de 25% atinge cerca de 19% dessas vendas.

Navio porta-contêineres da MSC, carregado de contêineres amarelos e vermelhos, navega no estuário do Porto de Santos, com uma lancha da Marinha ao fundo.
O porta-contêineres MSC Natasha XIII entra no Porto de Santos (SP), em fevereiro de 2024.Foto: Marinha do Brasil / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

As exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA) somaram US$ 27,46 bilhões de janeiro a setembro de 2026. O valor é 6,5% menor que o do mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A queda é menor que a registrada até julho, quando as vendas aos EUA recuaram 12,4%. Mas ela não atinge todos os setores da mesma forma. Os dados mostram quem sente mais o tarifaço, a tarifa adicional que os EUA impõem a produtos brasileiros.

Contexto

Desde 22 de julho de 2026, os EUA cobram 25% de tarifa adicional sobre cerca de 2,3 mil produtos brasileiros. A medida veio de um processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), órgão que cuida da política de comércio americana. Segundo o Correio da Manhã, ela atinge cerca de 19% das vendas do Brasil ao país.

Petróleo, aviões, carne bovina e café ficaram de fora, conforme a Agência Brasil. Esses itens somaram um terço da pauta brasileira para os EUA no primeiro semestre.

Quem paga a conta primeiro

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) comparou agosto de 2025 a julho de 2026 com os 12 meses anteriores. No período, o valor exportado aos EUA caiu de US$ 41,5 bilhões para US$ 34,8 bilhões, uma queda de 16,2%.

A perda chega às cidades. Dos 1.643 municípios que exportaram para os EUA em um dos dois períodos, 1.135 perderam vendas. Outros 271 deixaram de exportar para o país.

Entre os produtos, a madeira serrada de coníferas (árvores como o pinus) caiu 66% em valor, ou US$ 238,8 milhões. O açúcar de cana recuou 75%. Portas, batentes e soleiras perderam 44%.

Quem está fora da tarifa também cai

Nem tudo que caiu está na lista da tarifa. Até julho, segundo o Poder360, o petróleo bruto vendido aos EUA recuou 25,5%. O café não torrado caiu 34,1%, e os sucos de frutas, 44,2%. Petróleo e café estão entre os itens isentos.

O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, atribui parte da queda a outros fatores. Ele cita a antecipação de compras antes das novas tarifas e a oferta e a demanda de cada mercado.

A CNM alerta que algumas cadeias tarifadas depois entraram em listas de exceção. Por isso, a perda não pode ser atribuída só à tarifa.

Em setembro, porém, as vendas aos EUA subiram 31,9% sobre o mesmo mês de 2025, para US$ 3,52 bilhões. Um mês só não mostra tendência.

Para onde o Brasil tenta vender

Enquanto as vendas aos EUA caem, as vendas à União Europeia (UE) crescem. O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, informou em 13 de outubro uma alta de 30,7% nas exportações ao bloco de maio a setembro, na comparação com 2025.

O chanceler Mauro Vieira atribuiu a alta ao acordo entre o Mercosul, bloco do Cone Sul, e a UE. As fontes consultadas não separam o efeito do acordo de outros fatores.

O que diz o governo brasileiro: Em julho, o governo disse que iniciaria “imediatamente os trâmites” da Lei de Reciprocidade, segundo a Agência Brasil. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que “A ideia não é retaliação”, segundo o Correio da Manhã.

O que isso significa

Os números mostram uma perda real nas vendas aos EUA e uma recuperação ainda curta, de apenas um mês. O que fica em aberto é quanto dessa perda volta quando as listas de tarifas mudarem.

Os próximos dados mensais da Secex vão mostrar se setembro foi uma exceção ou o começo de uma reação.

Como fizemos: Usamos dados de exportação para os EUA de janeiro a julho e de janeiro a setembro de 2026, reportados pelo Poder360 e pelo Diário do Comércio a partir da Secex/MDIC, consultados em 22 de outubro de 2026. O valor de 2025 até setembro, cerca de US$ 29,4 bilhões, é nosso cálculo a partir da variação de 6,5%. As variações são nominais, sem correção pela inflação, e a CNM usa outro período. Não acessamos o Comex Stat diretamente, e não é possível separar o efeito da tarifa dos demais fatores.

Fontes