Exportações aos EUA caem 6,5% até setembro, mas setores perdem mais
Vendas aos EUA somam US$ 27,46 bilhões de janeiro a setembro, 6,5% abaixo de 2025. A tarifa de 25% atinge cerca de 19% dessas vendas.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos (EUA) somaram US$ 27,46 bilhões de janeiro a setembro de 2026. O valor é 6,5% menor que o do mesmo período de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A queda é menor que a registrada até julho, quando as vendas aos EUA recuaram 12,4%. Mas ela não atinge todos os setores da mesma forma. Os dados mostram quem sente mais o tarifaço, a tarifa adicional que os EUA impõem a produtos brasileiros.
Contexto
Desde 22 de julho de 2026, os EUA cobram 25% de tarifa adicional sobre cerca de 2,3 mil produtos brasileiros. A medida veio de um processo conduzido pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), órgão que cuida da política de comércio americana. Segundo o Correio da Manhã, ela atinge cerca de 19% das vendas do Brasil ao país.
Petróleo, aviões, carne bovina e café ficaram de fora, conforme a Agência Brasil. Esses itens somaram um terço da pauta brasileira para os EUA no primeiro semestre.
Quem paga a conta primeiro
A Confederação Nacional de Municípios (CNM) comparou agosto de 2025 a julho de 2026 com os 12 meses anteriores. No período, o valor exportado aos EUA caiu de US$ 41,5 bilhões para US$ 34,8 bilhões, uma queda de 16,2%.
A perda chega às cidades. Dos 1.643 municípios que exportaram para os EUA em um dos dois períodos, 1.135 perderam vendas. Outros 271 deixaram de exportar para o país.
Entre os produtos, a madeira serrada de coníferas (árvores como o pinus) caiu 66% em valor, ou US$ 238,8 milhões. O açúcar de cana recuou 75%. Portas, batentes e soleiras perderam 44%.
Quem está fora da tarifa também cai
Nem tudo que caiu está na lista da tarifa. Até julho, segundo o Poder360, o petróleo bruto vendido aos EUA recuou 25,5%. O café não torrado caiu 34,1%, e os sucos de frutas, 44,2%. Petróleo e café estão entre os itens isentos.
O diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, atribui parte da queda a outros fatores. Ele cita a antecipação de compras antes das novas tarifas e a oferta e a demanda de cada mercado.
A CNM alerta que algumas cadeias tarifadas depois entraram em listas de exceção. Por isso, a perda não pode ser atribuída só à tarifa.
Em setembro, porém, as vendas aos EUA subiram 31,9% sobre o mesmo mês de 2025, para US$ 3,52 bilhões. Um mês só não mostra tendência.
Para onde o Brasil tenta vender
Enquanto as vendas aos EUA caem, as vendas à União Europeia (UE) crescem. O ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa, informou em 13 de outubro uma alta de 30,7% nas exportações ao bloco de maio a setembro, na comparação com 2025.
O chanceler Mauro Vieira atribuiu a alta ao acordo entre o Mercosul, bloco do Cone Sul, e a UE. As fontes consultadas não separam o efeito do acordo de outros fatores.
O que diz o governo brasileiro: Em julho, o governo disse que iniciaria “imediatamente os trâmites” da Lei de Reciprocidade, segundo a Agência Brasil. O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que “A ideia não é retaliação”, segundo o Correio da Manhã.
O que isso significa
Os números mostram uma perda real nas vendas aos EUA e uma recuperação ainda curta, de apenas um mês. O que fica em aberto é quanto dessa perda volta quando as listas de tarifas mudarem.
Os próximos dados mensais da Secex vão mostrar se setembro foi uma exceção ou o começo de uma reação.
Como fizemos: Usamos dados de exportação para os EUA de janeiro a julho e de janeiro a setembro de 2026, reportados pelo Poder360 e pelo Diário do Comércio a partir da Secex/MDIC, consultados em 22 de outubro de 2026. O valor de 2025 até setembro, cerca de US$ 29,4 bilhões, é nosso cálculo a partir da variação de 6,5%. As variações são nominais, sem correção pela inflação, e a CNM usa outro período. Não acessamos o Comex Stat diretamente, e não é possível separar o efeito da tarifa dos demais fatores.
Fontes
- Exportações brasileiras para os EUA sobem 31,9% em setembro ante setembro de 2025 — Diário do Comércio (acesso em 22/10/2026)
- Exportação do Brasil para os EUA cai 12,4% no acumulado de 2026 — Poder360 (acesso em 22/10/2026)
- Exportações aos EUA caem US$ 6,7 bilhões após tarifaço e atingem 1.135 municípios, aponta CNM — Portal do Agronegócio (acesso em 22/10/2026)
- Aeronaves, óleo, café e carne estão fora do tarifaço imposto pelos EUA — Agência Brasil (acesso em 22/10/2026)
- Tarifaço de 25% dos EUA sobre o Brasil começa a valer — Correio da Manhã (acesso em 22/10/2026)
- Vendas do Brasil para a UE sobem 31% após acordo — Poder360 (acesso em 22/10/2026)



