Aço e alumínio do Brasil escapam da tarifa de 25% dos EUA
Exportações de aço caíram 35% em maio, segundo o Aço Brasil, enquanto o metal segue sob a Seção 232 dos EUA, fora da sobretaxa de 25%.

Desde 22 de julho de 2026, uma tarifa adicional de 25% dos Estados Unidos vale para uma lista de produtos brasileiros. Aço, alumínio e cobre ficaram de fora dessa medida. Eles continuam sob outra regra americana, a Seção 232.
A Seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962 permite ao presidente americano taxar importações por segurança nacional. A tarifa de 25% vem de outra investigação, a Seção 301. Desde junho de 2025, a sobretaxa sobre alumínio é de 50%, e a Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) disse em fevereiro de 2026 que ela seguia sem alteração.
O que mudou em abril
Em 2 de abril de 2026, o presidente Donald Trump assinou a Proclamação 11021, uma ordem presidencial que reorganizou a Seção 232. As novas regras valem desde 6 de abril. Produtos feitos quase inteiramente de aço, alumínio ou cobre pagam 50%.
Derivados com grande peso desses metais pagam 25%. Os que têm menos de 15% de metal saem da cobrança. A conta passou a incidir sobre o valor total do produto, e não só sobre o metal, segundo a consultoria EY.
Em 1º de junho, outra proclamação mexeu na lista de máquinas e equipamentos, com alíquota padrão de 25% a partir de 8 de junho. Segundo a Holland & Knight, o anexo de produtos com alíquota de 50% não mudou. Não conseguimos confirmar em qual faixa entram placas, bobinas e lingotes do Brasil.
O que mostram as exportações
Os dados do Instituto Aço Brasil mostram queda forte em maio. O volume exportado caiu 35%, para 645 mil toneladas, e o valor recuou 34,3%, para US$ 449 milhões, frente a maio de 2025. Esses números valem para todos os destinos, não só para os EUA.
No acumulado de janeiro a agosto, porém, o volume subiu 3,7%, para 7,3 milhões de toneladas. O valor caiu 0,5%, para US$ 4,9 bilhões, na mesma comparação.
No comércio com os EUA, a Amcham Brasil informou que as exportações de produtos sujeitos à Seção 232 cresceram 21,5% no primeiro semestre. A base é o Comexstat, o sistema de estatísticas de comércio exterior do governo federal. O aumento foi puxado por aço e alumínio. Esses dados não mostram quantas toneladas de aço foram aos EUA, nem quanto foi taxado.
Quem sente primeiro
Para o alumínio, a ABAL estimou em julho de 2025 que os EUA foram o terceiro maior destino do setor em 2024. Foram US$ 773 milhões, ou 14,2% das vendas externas, e cerca de um terço desse valor estaria sujeito à sobretaxa de 50%. Esses números são de 2025, antes da mudança de abril.
Para o trabalhador, o risco também vem de fora dos EUA. Em agosto de 2025, o Instituto Aço Brasil projetou que o uso da capacidade poderia cair de 66% para 40%, se as importações seguissem em alta. Nesse cenário, cerca de 37 mil vagas seriam eliminadas. A projeção trata de importações, não da tarifa americana.
O que diz a Casa Branca: Em nota divulgada pela Casa Branca, segundo a Estadão Conteúdo, Trump afirmou: “Concluí, com base na seção 232 da Lei de Expansão do Comércio de 1962, que alumínio, aço e cobre estão sendo importados…”. Não enviamos perguntas à Casa Branca para este texto.
O que isso significa
Para quem produz aço e alumínio no Brasil, o efeito depende do produto. O mesmo tipo de peça pode pagar 50%, 25% ou nenhuma tarifa, conforme o peso do metal e a lista em que entra.
O que segue em aberto são duas perguntas: em qual faixa entram os produtos brasileiros, e se haverá cotas. O acordo de 2018 garantia acesso sem tarifa a até 3,5 milhões de toneladas de semiacabados por ano, segundo o Times Brasil. Em fevereiro de 2025, o Aço Brasil disse confiar em diálogo para restabelecer o fluxo de aço “nas bases acordadas em 2018”. Não encontramos anúncio de acordo para 2026.
Para o trabalhador, o que importa é se essas vendas se mantêm. Os dados disponíveis ainda não mostram o efeito sobre o emprego em 2026.
Como fizemos: Usamos a Proclamação 11021 (2 de abril de 2026) e a análise da consultoria EY sobre ela. Usamos também a análise da Holland & Knight sobre a proclamação de 1º de junho, e o resumo da GT Law sobre a conclusão da investigação do Representante Comercial dos EUA (USTR), em 15 de julho de 2026. Os dados de aço são do Instituto Aço Brasil, divulgados pelo Times Brasil (19/06/2026) e pelo Diário do Comércio (15/09/2026). Os dados de produtos sujeitos à Seção 232 vêm da Amcham Brasil, em matéria de 12/08/2026. Não abrimos o Comexstat nem os anexos com as listas de produtos, por isso as faixas de cada produto brasileiro não foram confirmadas. Os números de alumínio e de empregos são de 2025. Não enviamos perguntas aos órgãos e entidades citados para este texto.
Fontes
- EUA ajustam tarifa de produtos feitos com aço, alumínio e cobre importados — CNN Brasil (03/04/2026)
- Proclamation 11021, de 2 de abril de 2026 — Federal Register (acesso em 24/10/2026)
- Proclamation issued to adjust Section 232 tariffs on steel, aluminum, copper — EY
- Annexed Opportunity: Proclamation Provides a Targeted Reduction of Section 232 Tariffs — Holland & Knight (junho de 2026)
- USTR announces Section 301 tariffs on Brazil — GT Law (julho de 2026)
- Section 301 Brazil Action Finalized — CH Robinson (julho de 2026)
- Consumo de aço recua 14,1% em maio no Brasil e exportações despencam 35% — Times Brasil (19/06/2026)
- Aço Brasil: vendas sobem 1,8% em agosto ante agosto de 2025 — Diário do Comércio (15/09/2026)
- Exportações do Brasil para os EUA caem 12,2% no primeiro semestre de 2026 — Cliquefatos (12/08/2026)
- Exportações brasileiras de alumínio enfrentam impacto com nova tarifa dos EUA, diz Abal — Times Brasil (31/07/2025)
- Posicionamento: novas medidas tarifárias dos EUA — Associação Brasileira do Alumínio (23/02/2026)
- Aço brasileiro é pressionado por novo tarifaço apesar de escapar da tarifa de 25% — Times Brasil (02/06/2026)
- Nota sobre decisão dos Estados Unidos a respeito de importações de aço — Instituto Aço Brasil (11/02/2025)
- Siderúrgicas podem perder até 37 mil empregos com importações de aço e tarifaço — InfoMoney (28/08/2025)



