Comércio exterior

Carne escapou da tarifa de 25% e exportações aos EUA batem recorde

Em setembro, os EUA compraram 48,3 mil toneladas de carne bovina do Brasil, o maior volume da série, enquanto as compras da China caíram 93%.

Bovinos da raça nelore fotografados em Campos Belos, Goiás.
Bovinos da raça nelore em Campos Belos, Goiás, em fevereiro de 2014.Foto: Carlos Ebert / Flickr / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em setembro de 2026, os Estados Unidos importaram 48,3 mil toneladas de carne bovina do Brasil. O total inclui carne in natura, ou seja, fresca ou resfriada, e carne processada. É o maior volume da série, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) citados pela CNN Brasil.

No mesmo mês, a China comprou 12,9 mil toneladas, uma queda de 93,2%. A queda veio de Pequim, e não de Washington.

Tarifa fora, cota dentro

Em julho, o governo americano anunciou tarifa adicional de 25% sobre grande parte dos produtos brasileiros. A medida veio de uma investigação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) com base na Seção 301, instrumento da lei comercial americana para responder a práticas consideradas desleais. Ela passou a valer em 22 de julho.

A carne bovina ficou de fora. A Farm Policy News informa que a lista de exceções incluiu carne bovina e café. A National Coffee Association (NCA), entidade do setor de café nos EUA, comemorou a isenção do café. Em novembro de 2025, Trump já havia retirado a sobretaxa de 40% sobre carne e café brasileiros.

Em 26 de agosto, Trump assinou a Proclamação 11059. O texto acrescenta 300 mil toneladas à cota de aparas magras, o corte magro usado na carne moída. A cota é o volume que entra com tarifa reduzida, e o que passa dela paga tarifa maior.

O volume sai em três parcelas de 100 mil toneladas. A primeira vai de 1º a 30 de setembro. A segunda, de 1º a 30 de outubro. A terceira, de 31 de outubro até 30 de novembro, ou até esgotar.

A entrada segue a ordem de chegada. O texto destina o volume inteiro a “outros países ou áreas”, sem parcela reservada ao Brasil. Na prática, quem embarca primeiro ocupa a cota.

Há uma condição. Os exportadores devem vender a carne 25% abaixo do preço de mercado. Se não cumprirem, o presidente pode decidir eliminar a parte restante da cota.

O que os números mostram

Os Estados Unidos responderam por cerca de 21% do volume total exportado em setembro. A conta é nossa: 48,3 mil de 229,3 mil toneladas.

Carne bovina exportada em setembro de 2026, em mil toneladas Carne in natura e processada; total e dois destinos

Destino Mil toneladas
Total exportado pelo Brasil 229,3
Estados Unidos 48,3
China 12,9

Fonte: CNN Brasil, com dados da Secex. Elaboração: redação.

As vendas à China caíram depois que Pequim preencheu sua cota de salvaguarda de 1,1 milhão de toneladas, segundo a CNN Brasil. No acumulado de janeiro a setembro, o total exportado caiu 1,5% em relação a 2025. Já as compras americanas somaram 317,4 mil toneladas, alta de 45%, segundo a Abiec.

O que diz a Abiec: O presidente da entidade, Roberto Perosa, disse que os EUA são “um mercado importante, com uma demanda específica”. Segundo ele, o movimento “reforça a importância de termos diferentes destinos disponíveis para a carne brasileira”, segundo a CNN Brasil. Não enviamos perguntas à entidade para este texto; as declarações são de reportagem publicada.

O que fica em aberto

A alta americana depende de uma decisão temporária. A proclamação prevê entradas até 30 de novembro. O presidente pode encerrar a cota restante se os exportadores não cumprirem o desconto de 25%.

Os dados de outubro ainda não estão fechados neste texto. A próxima divulgação mensal da Secex dirá se o ritmo se manteve.

Como fizemos: Usamos os dados de carne bovina de setembro de 2026 da Secex, citados pela CNN Brasil em 7 de outubro, e o texto da Proclamação 11059 da Casa Branca, acessados em 23 de outubro de 2026. A participação dos EUA, de cerca de 21%, é cálculo nosso: 48,3 mil de 229,3 mil toneladas. Não abrimos a base da Secex nem o anexo da proclamação com as alíquotas fora da cota, por isso não as informamos. A isenção de 25% vem de reportagens e de escritórios de comércio exterior, não do texto oficial do USTR, e não confirmamos o efeito de outra investigação, sobre trabalho forçado, na carne.

Fontes