Mercosul

Mercosul chega a dezembro com Canadá e Emirados ainda sem acordo

A presidência do Uruguai termina em dezembro, com compromissos em Montevidéu. Canadá, Emirados e Índia seguem sem acordo assinado.

Lula, à esquerda, e o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, à direita, seguram juntos uma pasta azul do Ministério de Relações Exteriores do Panamá; sobre a mesa, bandeiras do Brasil e do Mercosul.
Lula e o presidente do Panamá, José Raúl Mulino, durante a sessão plenária da cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu (PR), em 20 de dezembro de 2025.Foto: Ricardo Stuckert / PR / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Nesta terça-feira (27), o Mercosul segue sem concluir acordos com Canadá, Emirados Árabes Unidos e Índia. O site oficial do bloco cita compromissos em Montevidéu entre 2 e 4 de dezembro, para encerrar a presidência do Uruguai.

A pergunta é o que pode ser fechado até lá. Os documentos oficiais trazem intenções e prazos. Nem todos os prazos anteriores foram cumpridos.

O Mercosul, ou Mercado Comum do Sul, reúne Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai. A presidência pro tempore gira entre os sócios a cada seis meses e comanda a agenda do bloco. O Uruguai assumiu o posto na cúpula de Assunção, em 30 de junho, segundo o governo uruguaio. O presidente Yamandú Orsi exerce a função até dezembro de 2026.

Canadá e Emirados: negociação avançada, sem assinatura

Em 8 de junho, a CNN Brasil informou que negociadores brasileiros descartaram anunciar a conclusão do acordo com o Canadá antes da próxima cúpula de líderes. A tendência, segundo a reportagem, é fechar o texto no segundo semestre.

Em 14 de julho, o chanceler Mauro Vieira disse que o acordo está quase pronto. Ele afirmou: “Faltam ainda alguns detalhes, faltam ainda algumas áreas.” Segundo a Poder360, Canadá quer concluir o acordo até o fim de 2026.

Com os Emirados, a situação é mais antiga. Em setembro de 2025, os chanceleres do bloco já falavam em concluir o acordo até o fim daquele ano, segundo a Revista Economía. O prazo passou. O comunicado da cúpula de 30 de junho ainda fala em intenção, sem data.

Índia, Vietnã e a União Europeia

Com a Índia, a meta é ampliar um acordo de preferências tarifárias que já está em vigor. Em 27 de agosto, o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, disse que a conclusão em 2026 é improvável. Ele afirmou: “Realisticamente falando, eu acho que é pouco provável”.

O Vietnã também avançou, segundo o comunicado de Assunção. A primeira rodada de negociação deve acontecer em Buenos Aires, no segundo semestre de 2026.

Com a União Europeia (UE), o acordo já vigora de forma provisória. O Uruguai colocou a implementação dos acordos com a UE e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) entre suas prioridades. Segundo a MercoPress, a cúpula de dezembro deve reunir o primeiro Conselho do acordo comercial interino.

Situação das negociações externas do Mercosul Último registro encontrado em cada caso, de junho a agosto de 2026

Parceiro Situação informada Próximo passo citado
Canadá Seis rodadas; “faltam ainda alguns detalhes” (Mauro Vieira, 14/07) Concluir até o fim de 2026
Emirados Árabes Unidos Intenção de concluir reafirmada em Assunção (30/06) Sem data
Índia Ampliação em negociação Conclusão “pouco provável” em 2026 (27/08)
Vietnã Avanços no acordo de comércio preferencial Primeira rodada em Buenos Aires, 2º semestre
EFTA Aprovado pelo parlamento no Brasil e no Uruguai Argentina e Paraguai seguem em trâmite interno
União Europeia Aplicação provisória em vigor Primeiro Conselho na cúpula de dezembro

Fonte: comunicados do Mercosul (30/06/2026), Poder360 (14/07/2026), SBT News (27/08/2026), MercoPress (01/07/2026). Elaboração: redação.

O que diz o MDIC: Segundo a SBT News, o ministro Márcio Elias Rosa disse que é “pouco provável” concluir a ampliação com a Índia neste ano. A redação não enviou perguntas ao ministério antes da publicação; a declaração vem de reportagem pública.

O que isso significa

Dezembro será o primeiro teste. Os documentos mostram intenção para Canadá e Emirados, mas não uma data de assinatura. No caso da Índia, o próprio ministro considera improvável uma conclusão em 2026.

Mesmo assinado, um acordo precisa de aprovação do Parlamento em cada país. O caso da EFTA mostra o caminho: Brasil e Uruguai já aprovaram, e Argentina e Paraguai seguem em procedimentos internos.

Como fizemos: Usamos comunicados oficiais do Mercosul, de 30/06/2026 e 02/09/2026, e do governo do Uruguai, de 30/06/2026. Também usamos reportagens da CNN Brasil (08/06/2026), da Poder360 (14/07/2026), da SBT News (27/08/2026), da MercoPress (01/07/2026) e da Revista Economía (17/09/2025), acessadas em 27/10/2026. Não lemos os textos dos acordos nem atas de negociação. Não encontramos comunicado oficial posterior a julho sobre Canadá e Emirados, e por isso o texto não indica novas datas.

Fontes