Terras raras são 17 elementos; a lei define críticos e estratégicos
A Lei 15.506/2026 define minerais críticos e estratégicos, e as estimativas de reserva de terras raras do Brasil divergem entre si.

Em 16 de setembro de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.506. Ela cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Os termos “terras raras”, “minerais críticos” e “minerais estratégicos” aparecem juntos com frequência. Cada um tem sentido próprio, e a diferença importa para quem decide sobre a mineração.
Terras raras são um grupo de 17 elementos químicos da tabela periódica. Segundo o Serviço Geológico do Brasil (SGB), são 15 lantanídeos, como lantânio, cério, neodímio e disprósio, além do escândio e do ítrio. Elas são usadas em celulares, baterias, turbinas eólicas, carros elétricos e armamentos, como mísseis e drones.
Terras raras são um tipo de elemento químico, não uma categoria do governo. Segundo o Diário de Pernambuco, uma terra rara pode ser crítica ou estratégica, dependendo do contexto. As categorias “crítico” e “estratégico” vêm da lei, não da química.
Quem é quem nos três termos Definições da Lei 15.506/2026 e do SGB
| Termo | O que é | Quem define a lista |
|---|---|---|
| Terras raras | Grupo de 17 elementos químicos | Não se aplica |
| Minerais críticos | Essenciais à economia nacional, com oferta insuficiente, instável ou vulnerável | Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE) |
| Minerais estratégicos | Minerais em que o Brasil tem reservas significativas | CIMCE |
Fontes: Mayer Brown e Cescon Barrieu, sobre o art. 2º da Lei 15.506/2026; SGB, via Brasil 61. Elaboração: redação.
Pela lei, minerais críticos são os essenciais à economia nacional cuja oferta é insuficiente, instável ou vulnerável. Os estratégicos são aqueles em que o Brasil tem reservas significativas. O CIMCE define a lista de cada categoria e a revisa a cada quatro anos.
Onde estão as reservas
O SGB aponta Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe como os estados com as maiores concentrações de recursos medidos de terras raras. Recurso medido é um volume identificado por estudos. Reserva é a parte que pode ser explorada com viabilidade econômica.
O total brasileiro é o ponto mais disputado. A estimativa mais citada é de 21 milhões de toneladas. Uma reportagem atribui o número ao SGB, e outra ao Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A Agência Nacional de Mineração (ANM) revisou o total para 11,4 milhões de toneladas de óxidos de terras raras (OTR), segundo a Brasil 61.
Revisão da ANM corta quase pela metade a reserva citada do Brasil Reserva de óxidos de terras raras, em milhões de toneladas, e participação mundial, segundo cada fonte
| Estimativa | Reserva | Participação mundial | Posição |
|---|---|---|---|
| Estimativa mais citada (SGB ou USGS) | 21 milhões de t | 23% a 25% | 2º |
| Revisão da ANM | 11,4 milhões de t de OTR | 15% | 2º |
Fontes: SGB e USGS, via Brasil 61 e Diário de Pernambuco; ANM, via Brasil 61. As participações usam totais mundiais diferentes em cada fonte. Elaboração: redação.
Nas duas estimativas, o Brasil aparece em segundo lugar, atrás da China. Reserva, porém, não é produção. Segundo o SGB, o país produziu 20 toneladas de terras raras em 2024. Esse volume ficou abaixo de 1% das 390 mil toneladas produzidas no mundo no mesmo ano.
O que a lei exige sobre beneficiamento
Beneficiamento é o processamento do mineral antes da venda, para transformá-lo em produto de maior valor. Segundo as análises da Mayer Brown e da Cescon Barrieu, a lei não impõe esse processamento no país de forma direta. Ela cria incentivos.
O principal é um crédito de CSLL, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, de até 20% dos gastos com beneficiamento e transformação. O crédito tem teto de R$ 1 bilhão por ano, entre 2030 e 2034. A lei também autoriza o regulamento a fixar compromissos de agregação de valor ligados à exportação.
O que diz o Serviço Geológico do Brasil (SGB): Segundo o órgão, terras raras são 17 elementos químicos, sendo 15 lantanídeos, além de escândio e ítrio. A definição aparece em reportagem da Brasil 61, de 10 de agosto de 2025, que cita dados do SGB.
O que fica em aberto
A lista de minerais ainda não foi publicada. Até esta reportagem, não encontramos a lista do CIMCE. Pela lei, o conselho deve ser instalado em até 90 dias após a publicação da norma. A regra concreta de processamento depende do regulamento, que não encontramos publicado.
Com 20 toneladas produzidas em 2024, a distância entre reserva e produção ainda é grande. O peso real da lei estará nas regras que ainda serão escritas.
Como fizemos: Usamos a Lei 15.506/2026 como resumida pelas análises da Mayer Brown e da Cescon Barrieu, e a notícia da Câmara dos Deputados, acessadas em 24/10/2026, porque o texto oficial não pôde ser lido na nossa consulta. Os números de reserva e produção vêm de reportagens que citam SGB, USGS e ANM; não consultamos os relatórios originais. A participação mundial é a informada por cada fonte, com totais diferentes. Não enviamos perguntas ao SGB, à ANM ou ao CIMCE; as posições citadas são públicas.
Fontes
- Câmara dos Deputados — Nova lei cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (acesso em 24/10/2026)
- Senado Federal — Lei nº 15.506, de 16/09/2026 (acesso em 24/10/2026)
- Mayer Brown — Law No. 15.506/2026 enacted national policy on critical and strategic minerals (acesso em 24/10/2026)
- Cescon Barrieu — Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos é sancionada (acesso em 24/10/2026)
- Brasil 61 — SGB afirma que Brasil tem cerca de 23% das reservas mundiais de terras raras (acesso em 24/10/2026)
- Brasil 61 — Ainda em segundo lugar, nova estimativa traz Brasil com 15% das reservas de terras raras (acesso em 24/10/2026)
- Diário de Pernambuco — Terras raras, minerais estratégicos e críticos: entenda as diferenças (acesso em 24/10/2026)
- USGS — Rare Earths Statistics and Information (acesso em 24/10/2026)
- Brasil de Fato — O que os candidatos ao governo de Minas têm a dizer sobre as terras raras (acesso em 24/10/2026)



