Comércio exterior

Portos do Arco Norte embarcam 46% do milho exportado até julho

Conab mostra que portos do Arco Norte embarcaram 46% do milho e 39% da soja exportados até julho de 2026, com frete ainda instável.

Portaria do Porto do Itaqui, em São Luís, com a faixa 'O caminho do desenvolvimento do Maranhão', guindastes e um navio ao fundo e um carro na cancela.
Entrada do Porto do Itaqui, no Maranhão, o porto de grãos com maior volume do Arco Norte citado nesta reportagem (foto de 2007).Foto: Luiz Felipe Sousa Oliveira / Wikimedia Commons (domínio público)

Entre janeiro e julho de 2026, os portos do Arco Norte embarcaram 46,12% do milho exportado pelo Brasil. Na soja, a fatia foi de 39,03%. Os números são da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), reportados pelo Movimento Econômico.

O Arco Norte é o nome dado aos portos acima do paralelo 16° Sul, uma linha de latitude que atravessa o Centro-Oeste. A região oferece uma saída para a safra que não depende só de Santos, no litoral paulista.

Em 2025, os portos do Arco Norte responderam por 39,5% das exportações nacionais de soja e milho, segundo a Conab. Na soja, a fatia foi de 36,2%. No milho, chegou a 48%. O volume de soja e milho embarcado pela região chegou a 58,06 milhões de toneladas em 2025. Em 2021, foram 36,56 milhões, alta de 59%, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Quem puxa os embarques

O Porto de Itaqui, no Maranhão, movimentou 20,14 milhões de toneladas de grãos em 2025. Em 2021, foram 11,55 milhões, segundo a Conab. Barcarena, no Pará, passou de 12,14 milhões para 16,03 milhões de toneladas de soja e milho no mesmo intervalo, pelos dados do MDIC. Itacoatiara, no Amazonas, quase triplicou, de 3,83 milhões para 11,02 milhões.

Embarques pelos portos do Arco Norte, em milhões de toneladas 2021 e 2025; Itaqui em grãos, Barcarena e Itacoatiara em soja e milho

Porto 2025 2021 Variação
Itaqui (MA) 20,14 11,55 74%
Barcarena (PA) 16,03 12,14 32%
Itacoatiara (AM) 11,02 3,83 188%

Fontes: Conab, via CNN Brasil (Itaqui); MDIC, via Revista Cultivar (Barcarena e Itacoatiara). Variações: cálculo da redação.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) mostra outro recorte. No primeiro semestre de 2025, o porto de Vila do Conde, em Barcarena, movimentou 9,5 milhões de toneladas. Santarém, no Pará, teve 7,2 milhões. Porto Velho, em Rondônia, ficou com 1,2 milhão, o menor dos cinco portos citados. Esses números somam todas as cargas, não só grãos.

Frete e armazém: o peso para quem planta

Frete é o custo de transportar a carga até o porto. Em março, a Conab registrou alta de até 19% no frete do Mato Grosso, em relação ao mês anterior. Em julho, 18 das 25 rotas do estado tiveram queda, segundo a Conab.

Na Bahia, o vice-presidente da Aprosoja Bahia, Jacson Wallauer, reconheceu a queda do diesel. Ele afirmou, porém: “Mas, na prática não houve influência no valor do frete cobrado ao produtor.”

Falta também armazenagem, ou seja, espaço em silos e armazéns para guardar a safra. A Conab projeta um déficit de 15,9 milhões de toneladas de capacidade em 2026. Cerca de 95% das unidades de armazenagem dependem principalmente do caminhão.

O que diz a Conab: Em março de 2026, o superintendente de Logística Operacional, Thomé Guth, afirmou que “o valor do petróleo devem continuar influenciando o preço dos fretes”, no Boletim Logístico daquele mês. Não enviamos perguntas à Conab para esta reportagem; a posição vem de publicação oficial.

O que isso significa

Os dados mostram um corredor do Norte que já leva uma parte grande da safra. Mesmo assim, Santos ainda respondeu por 22,27% do milho e 35,74% da soja embarcados de janeiro a julho de 2026, segundo a Conab. Ter mais de uma rota dá ao país margem de escolha. Essa escolha, porém, depende de custo e de estrutura.

Para o produtor do interior, a conta é de frete e de armazém. Os números de frete não mostram ganho uniforme. A falta de armazenagem e o peso do caminhão seguem como gargalos apontados pela própria Conab. Os próximos boletins mensais mostram se a queda de frete se mantém.

Como fizemos: Usamos dados da Conab (Anuário Agrologístico 2026, Boletim Logístico de março de 2026 e números de janeiro a julho de 2026 citados pelo Movimento Econômico), do MDIC (2021 e 2025, via Revista Cultivar) e da Antaq (primeiro semestre de 2025, via Portos e Navios), acessados em 24/10/2026. As variações da tabela são cálculos nossos e estão em toneladas, sem correção pela inflação. Não encontramos totais anuais de 2025 da Antaq por porto. Barcarena (MDIC) pode não ser o mesmo recorte de Vila do Conde (Antaq), e os percentuais de 2025 e de janeiro a julho de 2026 cobrem períodos diferentes.

Fontes