Organismos

OEA pede que candidaturas aceitem resultado das urnas no 2º turno

O chefe da missão da OEA disse que a votação foi tranquila e pediu respeito ao resultado. Não localizamos relatório final até agora.

Urna eletrônica modelo UE2020 sobre uma base branca, com teclado numérico e tela escura.
Urna eletrônica modelo UE2020, da Justiça Eleitoral, em foto de dezembro de 2021.Foto: Antonio Augusto / Secom/TSE / Wikimedia Commons (domínio público)

No domingo (25), o chefe da missão de observação da Organização dos Estados Americanos (OEA) pediu que as candidaturas “respeitem e aceitem a vontade cidadã expressa nas urnas”. A declaração foi publicada pela CNN Brasil às 14h25 do mesmo dia. Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), afirmou que é impossível reconhecer o resultado e vai pedir a anulação da eleição.

Missões de observação são grupos convidados pela Justiça Eleitoral para acompanhar a votação, a contagem e a divulgação. Elas não decidem a eleição. Com 99,99% das urnas apuradas, Lula tinha 51,79% dos votos válidos, segundo o InfoMoney.

A OEA pediu tranquilidade e respeito ao resultado

Segundo a CNN Brasil, José Miguel Insulza, chefe da missão da OEA, disse que a votação transcorreu com tranquilidade. Ele pediu que todos “aguardem com tranquilidade os resultados oficiais divulgados pela Justiça Eleitoral”. Insulza também afirmou que “O Brasil conta com um sistema eleitoral robusto”.

Sobre o teste de integridade das urnas, uma checagem feita pela Justiça Eleitoral, ele disse que é “uma etapa de controle e, acreditamos, acrescenta transparência ao processo”. Não localizamos, até agora, o relatório final da missão sobre o segundo turno.

Transporte, interferência e redes seguem em aberto

A OEA disse, em rede social, que acompanha “as informações divulgadas pela imprensa e as denúncias sobre problemas no transporte público”. A missão seguirá atenta às decisões do TSE sobre o tema, segundo a Exame.

Sobre interferência estrangeira, Insulza não se manifestou, segundo a CNN. Hernán Penagos Giraldo, da Uniore, disse que a missão ouviu relatos de campanhas e vai avaliá-los antes das conclusões. Ele afirmou ainda que o sistema “funciona de uma maneira ótima no Brasil”.

A alegação de fraude diante dos números

A campanha de Flávio ligou o pedido de anulação à prorrogação do horário de votação. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a votação até as 19h, e não até as 17h. Os relatos divergem sobre o alcance: o Metrópoles diz que valeu “em todo o país”, e o Brasil de Fato cita seções afetadas por chuva e problemas no transporte.

Segundo o Brasil de Fato, 35.521 votos foram computados entre 17h e 19h. Isso equivale a cerca de 0,8% da vantagem de Lula, de 4.430.191 votos.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse ter “absoluta segurança de todo o processo eleitoral”. Para a jurista Tainã Góis, doutora em Direito pela USP, “mesmo que todos tivessem ido para Flávio Bolsonaro, a vantagem de Lula permaneceria acima de 4,3 milhões de votos”. Flávio, segundo o Metrópoles, respondeu: “Lula reconheceria a minha vitória? Com certeza, não.”

Pelo artigo 224 do Código Eleitoral, lembra o Brasil de Fato, nova eleição só ocorre se nulidades atingirem mais da metade dos votos ou mudarem o vencedor. No primeiro turno, a OEA já tinha apontado “ativismo político internacional”. Segundo o BP Money, seu relatório de 6 de outubro disse que isso “chegou ao extremo de se proferirem insultos contra uma das candidaturas”.

Atualização, 26/10, 17h48: segundo a Folha de S.Paulo, reproduzida pelo jornal A Gazeta, Flávio desistiu do pedido de anulação e deve apresentar uma ação por suposto abuso de poder contra Lula.

O que diz a OEA: Segundo a CNN Brasil, a missão pediu que os eleitores aguardem os resultados oficiais e que as candidaturas aceitem o veredito das urnas. Não encontramos manifestação da missão sobre o pedido de anulação.

O que isso significa

Até esta publicação, as declarações de missões que encontramos são da OEA e da Uniore. Elas tratam da votação do dia e são preliminares. Nenhuma afirmou que o resultado é fraudulento, nem que a prorrogação mudou o vencedor.

A Gazeta do Povo informou, em agosto, que o Carter Center comunicou ao TSE que não enviaria observadores, por falta de recursos. O Times Brasil, em outubro, ainda o listou entre as sete missões previstas. Não encontramos posição do Parlasul, da União Europeia ou do Carter Center sobre o segundo turno, nem decisão da Justiça Eleitoral sobre o pedido de anulação.

Como fizemos: Usamos a CNN Brasil, a Exame, o InfoMoney, o Brasil de Fato, o Metrópoles, o BP Money, o Times Brasil e a Gazeta do Povo, acessados em 26/10/2026. Os cálculos são nossos: 35.521 dividido por 4.430.191 (cerca de 0,8%). Não conseguimos abrir o site do TSE, nem o texto do relatório da OEA de 6 de outubro, nem a decisão de Zanin; por isso, as falas vêm de reportagens.

Fontes