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G77 e China: 134 países que tentam falar com uma voz na ONU

O G77 e China reúne 134 países em desenvolvimento, decide por consenso e tem o Brasil entre seus fundadores, segundo o Itamaraty.

Homem de terno escuro fala em um pódio com a logomarca da Cúpula do Sul do G77 e China e o emblema '77' ao fundo.
Discurso na Cúpula do Sul do G77 e China, em Kampala, Uganda, em janeiro de 2024.Foto: Rex Media / Wikimedia Commons (CC0)

Em 15 de junho de 1964, 77 países em desenvolvimento assinaram uma declaração conjunta em Genebra. O texto saiu da primeira reunião da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), agência da ONU para comércio e desenvolvimento. Dali nasceu o G77, que hoje tem 134 membros.

O nome guarda a China, que não entrou como membro. Segundo a versão em inglês da Wikipédia, o governo chinês não se considera membro. A China apoia o grupo política e financeiramente desde 1994. Mesmo assim, o site oficial inclui a China na lista de 134 países.

Como o grupo decide

O G77 toma decisões por consenso, sem votação formal, segundo análise publicada em 2024 pelo The Global Observatory. Pelo site oficial, a instância máxima de decisão é a Cúpula do Sul, reunião de chefes de Estado e de governo.

A presidência é rotativa. Cada mandato dura um ano e passa pelas regiões da África, da Ásia-Pacífico e da América Latina e Caribe. O Uruguai assumiu em 2026, em cerimônia na sede da ONU, em Nova York, em 14 de janeiro. A Ruanda assume em 2027.

O papel do Brasil

O Brasil está na lista oficial de membros. Em discurso publicado pelo Itamaraty em 21 de janeiro de 2024, o chanceler Mauro Vieira disse que o país é um dos fundadores do grupo. Não encontramos registro de que o Brasil tenha presidido o G77.

Em setembro de 2023, o presidente Lula discursou na cúpula de chefes de Estado do grupo, em Havana. Ele afirmou que “o Brasil é contra qualquer medida coercitiva de caráter unilateral”. Também disse que o grupo representa 79% da população mundial e 49% do PIB global. Esses números são de Lula; não os verificamos em outra fonte.

Clima e comércio

Na conferência do clima da ONU, a COP30, em Belém, o G77 e China disse que ampliar o financiamento climático é sua prioridade central. Em declaração ao fim da conferência, em novembro de 2025, o grupo lamentou não haver resultado sobre o Fundo de Adaptação.

Na Organização Mundial do Comércio (OMC), a coordenação costuma ocorrer em grupos menores. O G20 agrícola, por exemplo, surgiu em Cancún, em 2003, com o Brasil entre seus líderes, segundo o Mail & Guardian.

O que diz o G77 e China: Segundo a página do capítulo de Roma, o grupo é a maior organização intergovernamental de países em desenvolvimento da ONU. Seu objetivo é fortalecer a capacidade de negociação dos membros. A página não cita o Brasil.

O que isso significa

Uma análise de 2024 do The Global Observatory aponta, porém, que as missões diplomáticas do grupo são pequenas e que a influência fica com os membros maiores. A análise também cita posições rígidas em algumas negociações.

Os resultados do grupo dependem, assim, de cada negociação, como a do clima e a do comércio.

Como fizemos: Usamos o site oficial do G77, páginas da ONU, do capítulo de Roma (FAO), reportagens e discursos publicados pelo governo, acessados em 27/10/2026. Não fizemos cálculos próprios. Os números de população e PIB são de Lula. A foto foi recortada para o formato paisagem, sem outras alterações.

Fontes