Geopolítica

Decreto cria área no MDIC para analisar negócios com minerais críticos

Decreto de 16 de outubro cria três subsecretarias no MDIC; uma delas analisará operações que passam pelo conselho de minerais críticos.

Luiz Inácio Lula da Silva, de chapéu claro, durante reunião sobre minerais críticos, diante das bandeiras do Brasil.
Lula durante reunião sobre minerais críticos, em Brasília, em 10 de julho de 2026.Foto: Ricardo Stuckert / Lula Oficial / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

No dia 16 de outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou o Decreto nº 13.139. O texto cria três subsecretarias no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Uma delas vai analisar negócios que passam pelo conselho de minerais críticos.

O decreto foi publicado no Diário Oficial da União na segunda-feira (19), segundo a CNN Brasil. A mudança parece apenas administrativa. Mas ela responde a uma pergunta central: quem examina a venda de uma mineradora para um grupo estrangeiro?

A Lei nº 15.506, sancionada em 16 de setembro, criou o Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos (CIMCE). Minerais críticos são substâncias como terras raras e lítio, usadas em baterias, motores e equipamentos eletrônicos. O conselho fica ligado à Presidência. Pode aprovar operações, aprovar com condições ou bloqueá-las, segundo a CNN Brasil.

Três áreas, uma tarefa central

O MDIC passa a administrar a secretaria-executiva do conselho. A Subsecretaria de Análise de Operações recebe os pedidos sobre negócios submetidos ao colegiado. Ela examina os processos e prepara relatórios técnicos com propostas de decisão.

A mesma unidade pode abrir análises por iniciativa do governo. Também pode propor medidas cautelares, que são providências provisórias, e acompanhar as condições impostas às empresas. Essas análises são chamadas de triagem: a checagem prévia de operações societárias e investimentos.

As outras duas unidades cuidam de projetos e da rotina do colegiado. Para montar a estrutura, 23 cargos e funções de confiança saem do Ministério da Gestão e vão para o MDIC. A CNN observa que isso não significa, necessariamente, novas contratações.

O primeiro caso: Lynas e Meteoric

A empresa australiana Lynas assinou um acordo vinculante, ou seja, com força de contrato, para comprar a Meteoric Resources. A Meteoric é dona do Projeto Caldeira, em Poços de Caldas (MG). O valor é de cerca de US$ 672 milhões, pagos em ações, segundo o Brasil em Folhas. O negócio depende da aprovação do CIMCE.

Em reportagem de 1º de outubro, a CNN Brasil ouviu interlocutores do governo, sem identificá-los. Eles avaliam que o conselho não deve criar obstáculos relevantes à operação. Até esta publicação, não localizamos nenhuma decisão do colegiado sobre o caso.

Ainda não há compromisso firme com uma unidade de separação de terras raras no Brasil. Segundo a CNN Brasil, de 26 de outubro, a Lynas também avalia uma unidade na Malásia.

O que ainda está em aberto

Os critérios para escolher quais negócios passam pela análise ainda estão em elaboração, segundo a CNN Brasil. Entre os fatores citados estão o valor do negócio, o envolvimento de governo estrangeiro e a importância estratégica.

Empresas do setor pedem regras claras. Em maio, a Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa Mineral e Mineração (ABPM) pediu critérios objetivos e prazos definidos para essas análises, segundo a CNN Brasil.

Na exportação, a lei permite exigir compromissos de agregação de valor, mas não proíbe automaticamente a venda de minério bruto. Segundo a CNN Brasil, o Ministério de Minas e Energia (MME) diz que um imposto sobre exportação só seria considerado quando a produção nacional crescer.

O que diz o governo: A nova Subsecretaria de Análise de Operações dá apoio técnico ao Comitê Executivo do conselho no mecanismo de triagem, segundo o texto do Decreto nº 13.139. Não localizamos declaração pública do MDIC sobre o decreto além do texto publicado.

O que isso significa

O decreto cria a estrutura para examinar operações que mudam o controle de mineradoras. Ele não fixa, sozinho, quais casos entram na análise. Essa escolha depende de critérios que ainda estão em elaboração.

Três sinais vão mostrar se o mecanismo sai do papel: a primeira reunião do conselho, a decisão sobre a Meteoric e a publicação dos critérios. São pontos que o leitor pode acompanhar em fontes oficiais.

Como fizemos: Usamos o texto do Decreto nº 13.139 e do Decreto nº 13.118, no site do Planalto, e reportagens da CNN Brasil (05/05, 01/10, 21/10 e 26/10/2026) e do Brasil em Folhas (01/10/2026), acessados em 27/10/2026. Conferimos a soma dos seis itens de cargos do artigo 1º do decreto, que dá 23. Não tivemos acesso à edição do Diário Oficial; a data de publicação é a informada pela CNN. Não localizamos registro de análise de caso pelo conselho.

Fontes