Geopolítica

Petrobras recebe menos gás da Bolívia; contrato vai até 2026

A Petrobras importou 7 milhões de m³ por dia da Bolívia no 2º trimestre de 2026, ante 9 milhões no mesmo período de 2025, e não há novo contrato anunciado.

Ilustração abstrata em verde e amarelo, com faixas diagonais que lembram uma tubulação.
Imagem provisória, usada até haver foto licenciada do gasoduto para esta matéria.Ilustração: Imagem provisória

A Petrobras importou 7 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia da Bolívia no segundo trimestre de 2026. No mesmo período de 2025, foram 9 milhões. Os dados constam do relatório trimestral da estatal à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão que regula o mercado de capitais dos Estados Unidos.

O gás boliviano perde peso no abastecimento brasileiro. Não encontramos anúncio de novo contrato para depois de 2026.

O gás chega pelo Gasbol, gasoduto de 3.150 quilômetros que começou a operar em 1999. Desse total, 2.593 quilômetros ficam no Brasil, operados pela Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG). Com capacidade para 30 milhões de m³ por dia, o duto opera hoje perto da metade disso, segundo a Brasil Energia.

Quanto gás boliviano ainda entra

A tabela compara o gás boliviano com o GNL, ou gás natural liquefeito. É gás resfriado até virar líquido, transportado em navios.

Gás da Petrobras por origem, em milhões de m³ por dia Volumes médios do primeiro semestre de 2025 e de 2026

Origem 1º sem. 2025 1º sem. 2026
Bolívia (importação) 10 7
GNL (regaseificado) 1 1
Gás nacional entregue 32 38

Fonte: Petrobras, relatório do 2º trimestre de 2026. Elaboração: redação.

A conta é nossa. Em 2025, o gás boliviano somou cerca de 24% das vendas da Petrobras, de 41 milhões de m³ por dia. Em 2026, a fatia caiu para cerca de 16%, sobre vendas de 45 milhões.

Outras empresas também importam. Segundo a ABEGÁS, associação das distribuidoras de gás, comercializadoras privadas trazem de 3 a 5 milhões de m³ por dia.

Um contrato com prazo curto e sem sucessor anunciado

O contrato original, de 20 anos, venceu em 31 de dezembro de 2019 (Eixos). Em 2020, um aditivo fixou entregas de 14 a 20 milhões de m³ por dia até 2026 (Enerdata). Em 2023, outro aditivo manteve o teto de 20 milhões e permitiu que a YPFB, estatal de petróleo da Bolívia, venda a outros importadores (Eixos).

A data final varia. Em 2023, a Petrobras disse que o prazo se prorroga até a entrega integral dos volumes. A mesma reportagem dá 2025 como fim do contrato.

Em 31 de dezembro de 2025, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) autorizou a Petrobras a importar até 20 milhões de m³ por dia, por dois anos a partir de 2026 (Poder360). É autorização regulatória, não contrato de fornecimento.

Em março, Lula disse que a Bolívia “mantém a condição de maior fornecedor de gás natural para o Brasil” (SBT News). Em 30 de junho, ele e o presidente boliviano Rodrigo Paz decidiram acelerar negociações entre Petrobras e YPFB (Infobae). As reportagens não informam volumes nem prazos.

Produção nacional cresce, e a boliviana cai

A ANP registrou média de 179 milhões de m³ por dia de produção nacional em 2025, alta de 17% sobre 2024 (Agência iNFRA). Esse é o volume produzido, não a oferta ao mercado.

Do lado boliviano, a queda é projetada. Segundo a ABEGÁS, citando a YPFB, as exportações devem cair 30% em 2026. Com as reservas atuais, a capacidade de exportação deve se esgotar por volta de 2030.

O que diz a Petrobras: Em dezembro de 2023, ao anunciar o aditivo com a YPFB, a estatal disse que os termos trazem “maior segurança e previsibilidade de suprimento de gás ao mercado atendido pela Petrobras” (Eixos). Não localizamos comunicado da empresa sobre o prazo do contrato em 2026.

O que isso significa

O gás boliviano caiu de cerca de um quarto para cerca de um sexto das vendas da Petrobras em um ano. A produção nacional subiu, mas o GNL segue pequeno. Parte relevante do gás do país ainda depende de um vizinho cuja produção cai.

Ficam em aberto o contrato depois de 2026, com volume e preço. Do lado da infraestrutura, a TBG prepara a inversão do fluxo do Gasbol a partir do terminal de GNL de Garuva, em Santa Catarina, segundo a Brasil Energia.

Como fizemos: Usamos o relatório trimestral da Petrobras do 2º trimestre de 2026 e as fontes abaixo, acessados em 27/10/2026. Os percentuais são nossos: 10 de 41 e 7 de 45 milhões de m³ por dia, com as vendas da Petrobras. A queda de 30% vai de 10 para 7. Não somamos estimativas de outras fontes, que medem coisas diferentes. Não há dado oficial consolidado de 2026 sobre todas as importações bolivianas.

Fontes