Geopolítica

Eduardo Bolsonaro pede que estrangeiros não reconheçam a eleição

Após a vitória de Lula, Eduardo Bolsonaro, Trump Jr. e grupos pró-Bolsonaro repetiram a tese de fraude. TSE e checagens a contestam.

Homem de terno azul e gravata discursa ao microfone no plenário da Câmara dos Deputados, com a bandeira do Brasil ao fundo.
Eduardo Bolsonaro, então deputado federal pelo PSL-SP, em maio de 2019.Foto: Michel Jesus / Câmara dos Deputados / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

Na segunda-feira (26), um dia após a reeleição de Lula, Eduardo Bolsonaro publicou no X um vídeo em inglês. Ele pediu que estrangeiros “não reconheçam estas eleições”. Disse que a votação foi “claramente fraudulenta” e que “precisamos de pressão internacional”. Segundo o Poder360, ele não apresentou provas de adulteração de votos.

Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). A diferença é de 4.430.191 votos, segundo o Poder360. Eduardo vive nos Estados Unidos. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por coação no curso do processo.

Flávio já havia contestado o resultado. Ele disse ser impossível reconhecer a vitória de Lula e afirmou que fiscais do PL tinham sido retirados da sala-cofre do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), segundo o InfoMoney. Fiscais são representantes dos partidos que acompanham a votação.

O TSE respondeu em nota na noite de domingo (25). O texto diz: “A afirmação é falsa”. Segundo o tribunal, dois fiscais do PL estiveram no TSE no domingo, e há registro de presença nos locais visitados. A sala-cofre não recebe visitas.

No exterior, a tese também apareceu. Donald Trump Jr., filho do presidente dos EUA, repostou no X um texto do advogado Martin De Luca. De Luca atuou em processos contra o ministro do STF Alexandre de Moraes e chamou Lula de “próximo Maduro”. Segundo o Poder360, o texto não traz prova de fraude.

O presidente Donald Trump também comentou. Segundo a agência EFE, ele disse: “Acabaram de aplicar no Brasil o manual de Joe Biden”. Ele comparou o resultado à eleição americana de 2020, que perdeu para Biden. O Departamento de Estado também segurou um comunicado de felicitações a Lula. Segundo a Folha, republicada pelo Observador, o texto estava pronto, mas a publicação foi adiada, sem motivo oficial.

Na Argentina, a checagem do Factchequeado descreve uma rede parecida. Cita Agustín Laje, diretor da Fundación Faro, que escreveu: “Huele muy mal lo que está pasando en Brasil” (cheira muito mal o que está acontecendo no Brasil). Cita também Javier Negre, dono do La Derecha Diario, e o influenciador Daniel Parisini, o “Gordo Dan”. Grupos públicos de Telegram chamaram a decisão do STF de “crimen electoral” (crime eleitoral).

Quem repetiu a tese de fraude, e que prova mostrou Declarações após o 2º turno, segundo reportagens e checagens de 25 e 26 de outubro de 2026

Quem Papel O que disse Prova apresentada?
Eduardo Bolsonaro Ex-deputado federal (PL-SP), vive nos EUA Eleição “claramente fraudulenta”; pediu que estrangeiros não a reconheçam Não, segundo o Poder360
Flávio Bolsonaro Candidato derrotado (PL) Impossível reconhecer o resultado; fiscais retirados da sala-cofre Não consta na reportagem; TSE diz que a afirmação é falsa
Donald Trump Jr. Filho do presidente dos EUA Repostou texto que chama Lula de “próximo Maduro” Não, segundo o Poder360
Martin De Luca Advogado que atuou contra Moraes Afirmou fraude e disse que ninguém deve reconhecer a eleição Não, segundo o Poder360
Donald Trump Presidente dos EUA “Acabaram de aplicar no Brasil o manual de Joe Biden” Não consta na reportagem da EFE
Agustín Laje Diretor da Fundación Faro (Argentina) “Huele muy mal lo que está pasando en Brasil” Não consta, segundo o Factchequeado

Fonte: Poder360, CartaCapital, InfoMoney, Times Brasil (EFE) e Factchequeado. Elaboração: redação.

O ponto mais disputado é a extensão da votação. O ministro Cristiano Zanin, do STF, ampliou o horário até as 19h, atendendo a pedido da campanha de Lula, que citou falta de transporte público. Mas a campanha de Flávio também pediu extensão, em documentos sobre municípios de SP, PR, SC, MG e RS atingidos por chuvas, segundo o Factchequeado.

Segundo o Poder360, o TSE disse que a extensão valeu apenas onde as seções ainda não tinham fechado. Um levantamento do G1 com dados do TSE contou 35.521 votos depois das 17h, cerca de 0,8% da vantagem de Lula, segundo o Factchequeado. O E-farsas concluiu que esses votos não mudaram o resultado e classificou a tese como falsa.

Flávio desistiu de pedir a anulação na Justiça. A Folha informou, às 17h48, que ele foi “convencido a desistir de pedir na Justiça a anulação da eleição”. No lugar, a campanha vai entrar com uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) por abuso de poder econômico, para pedir a cassação da chapa de Lula. Até aqui, as reportagens documentam falas e publicações. Elas não documentam financiamento nem coordenação entre esses nomes, e este texto não afirma isso. Amplificar uma tese é diferente de organizar uma campanha. O TSE diz que nenhuma fraude foi comprovada no sistema eletrônico de votação, segundo a CartaCapital.

O que diz Eduardo Bolsonaro: No vídeo, ele afirma que a eleição “foi claramente fraudulenta” e pede pressão internacional, segundo o Poder360. Nas reportagens consultadas, ele não respondeu às declarações do TSE.

Como fizemos: Lemos, em 26/10/2026, reportagens do Poder360, CartaCapital, InfoMoney, Observador (com dados da Folha), A Gazeta (Folha), Times Brasil (EFE), E-farsas e Factchequeado. A citação de Laje está no original em espanhol, com tradução nossa. Não localizamos a nota original do TSE nem acessamos seus dados diretamente. A diferença de 4.430.191 votos confere com a soma dos totais publicados pelo Factchequeado (64.256.232 e 59.826.041). Os demais números são citados das fontes, sem cálculo próprio.

Fontes