Eduardo condenado por coagir o STF com sanções americanas
Por unanimidade, o STF condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses por buscar tarifas e sanções americanas para travar o julgamento do pai, Jair Bolsonaro.

Em 16 de junho, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão, em regime semiaberto. O crime foi coação no curso do processo. A condenação saiu por unanimidade, em 4 votos a 0, com base na acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR).
O relator foi o ministro Alexandre de Moraes, seguido por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino. O ex-deputado também ficou inelegível por oito anos e perdeu o cargo de escrivão da Polícia Federal (PF). Contra a decisão cabe recurso, informou a Agência Brasil.
Na leitura da Corte, Eduardo articulou o tarifaço dos Estados Unidos contra as exportações brasileiras. O objetivo era impedir a condenação do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, no processo da trama golpista.
Duas outras medidas de Washington tiveram o mesmo objetivo: a suspensão de vistos de ministros do STF e a sanção da Lei Magnitsky contra o relator, Alexandre de Moraes. Para Moraes, Eduardo levou desinformação ao governo americano e prejudicou o Brasil, relatou a Agência Brasil. As pressões não impediram a pena de 27 anos e 3 meses imposta a Jair.
A lei usada contra um ministro
A Lei Magnitsky é um instrumento dos EUA contra estrangeiros acusados de corrupção ou de violações de direitos humanos. Ela permite congelar bens em território americano, proibir transações financeiras e cancelar vistos de entrada. O Tesouro americano acionou a lei contra Moraes em 30 de julho de 2025, registrou o Poder360.
A sanção veio no meio da ofensiva comercial. Trump já havia anunciado a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
Ele ligou a medida ao processo contra Jair — o que chamou de “caça às bruxas”, segundo a Universidade de Wisconsin–Madison. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o conjunto como violação da soberania e convocou reunião de emergência. Os EUA revogaram a sanção em dezembro de 2025, após gestões diplomáticas.
Eduardo já não era deputado quando foi condenado. Ele perdeu o mandato em dezembro de 2025, depois de meses sem comparecer às sessões da Câmara, e está nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025. Na avaliação da Agência Brasil, dificilmente cumprirá a pena enquanto permanecer no exterior.
O condenado que segue na campanha
A condenação não afastou Eduardo da disputa do irmão. Em 10 de outubro, ele disse ao SBT News que considera “provável” a retomada das sanções contra Moraes se Flávio Bolsonaro vencer a eleição de 25 de outubro. “Eu [farei] gestões junto à Casa Branca [e ao] Departamento de Estado por essa pauta”, declarou, segundo o Poder360.
Flávio, candidato do PL, tem registro próprio no capítulo da pressão econômica. Em 9 de julho de 2025, agradeceu a Trump no X pelo tarifaço de 50% contra produtos brasileiros. Dias depois, disse à CNN Brasil que se arrependeu da publicação e a apagou.
No início de julho de 2026, já candidato, foi a Washington pedir ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) a suspensão das tarifas. E responsabilizou Lula pela disputa, de acordo com a Band.
O compromisso com a família segue. Flávio chama o processo do pai de “farsa”, classificou Moraes de “psicopata” e promete anistia ampla — e indulto, se a anistia não avançar. Para a análise do O Antagonista, veículo de centro-direita, a vitória de Flávio não produziria um governo novo. Seria um novo governo da família, com Alexandre Ramagem na PF e Eduardo no Itamaraty.
O que dizem Eduardo e a família: Em juízo, a defesa de Eduardo, feita pela Defensoria Pública da União, sustentou que ele fez apenas “interlocução política” e “não teve poder de decisão sobre a política externa dos Estados Unidos”. Flávio classifica as ações penais contra a família como perseguição política, chama o julgamento de Jair de “farsa” e promete anistia e indulto.
Para quem acompanha política externa, o caso é mais do que uma pendência judicial. O STF deu por provado que tarifas e sanções de uma potência estrangeira foram usadas como alavanca contra o Judiciário brasileiro — e condenou quem as buscou. Um eventual governo Flávio promete anistia ao pai e convive, no próprio entorno, com quem se comprometeu a pedir a volta das sanções contra um ministro do STF.
Em 25 de outubro, o eleitor escolhe não só o presidente. Escolhe se as disputas do Brasil com o Brasil se resolvem em Brasília ou viram pauta em Washington.
Fontes
- STF condena Eduardo Bolsonaro a inelegibilidade e a 4 anos de prisão — Agência Brasil
- US sanctions Brazil’s Supreme Court justice overseeing case against Bolsonaro — UW–Madison LADD
- Eduardo diz que atuará nos EUA para retomada de Magnitsky a Moraes — Poder360
- Flávio Bolsonaro à CNN: “Me arrependi” da postagem sobre tarifas de Trump — CNN Brasil
- Flávio Bolsonaro reage à condenação do pai e pede anistia ampla — Correio Braziliense
- Filho de Bolsonaro insiste que julgamento do pai foi uma “farsa” e que lhe concederá um indulto — Euronews
- Flávio Bolsonaro chega aos Estados Unidos para audiência sobre tarifas — Band
- Flávio não será eleito para fazer um novo governo Bolsonaro — O Antagonista



