Comércio exterior

Dólar recua a R$ 5,35, mas não desfaz alta pós-eleição

Moeda cai 1,07% e devolve R$ 0,0578 da cotação anterior. Em US$ 1.000, são R$ 57,80 a menos para importadores e exportadores.

Vista aérea de navio atracado no terminal de exportação de grãos do Porto de Santos, ao lado de armazéns.
Terminal de exportação de grãos do Porto de Santos, em foto de julho de 2006.Foto: Sabino Freitas Correa / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O dólar à vista fechou esta terça-feira (27) a R$ 5,3488, queda de 1,07%. O recuo foi de R$ 0,0578 em relação aos R$ 5,4066 de segunda-feira. Na véspera, a moeda subiu 8,36%, segundo a Reuters.

A sessão devolve apenas uma pequena parte do salto anterior. Para quem importa ou exporta, a diferença diária é concreta, mas não apaga o novo patamar do câmbio. Uma operação de US$ 1.000 ficou R$ 57,80 mais barata em reais entre os dois fechamentos. As taxas não podem ser simplesmente somadas porque incidem sobre cotações diferentes.

O que muda em US$ 1.000

O cálculo usa a cotação à vista, sem tarifas bancárias, impostos ou custos de contratação. Na segunda, US$ 1.000 correspondiam a R$ 5.406,60. Nesta terça, passaram a R$ 5.348,80. A diferença é o valor da queda multiplicado por mil. Esse exemplo mede apenas a variação entre os fechamentos, não o custo total da operação.

Recuo do dólar muda R$ 57,80 em US$ 1.000 Fechamento do dólar à vista e conversão simples para reais, 26 e 27 de outubro de 2026

Dia Cotação Variação diária Valor de US$ 1.000
Segunda (26) R$ 5,4066 +8,36% R$ 5.406,60
Terça (27) R$ 5,3488 −1,07% R$ 5.348,80

Fonte: Reuters/UOL e Finance News. Cálculos: redação.

Para um importador com pagamento nessas condições, a conversão de terça custa menos reais. Isso pode aliviar o preço de insumos, máquinas e fretes contratados em dólar. O efeito sobre o produto final depende de prazos, estoques e demais custos.

Para um exportador, a mesma variação reduz os reais recebidos na conversão de US$ 1.000. A conta é diferente entre empresas. Contratos já fechados, proteção cambial e prazo de recebimento impedem que a oscilação diária chegue igualmente a todos.

Mercado ajusta posições após o choque

A Reuters descreveu um dia de ajuste depois do forte movimento provocado pela reeleição de Lula. Na segunda, investidores reagiram à continuidade da política fiscal do atual governo. Na terça, o dólar recuou durante toda a sessão.

Às 10h42, a moeda chegou a R$ 5,3166, queda de 1,66% naquele momento. O fechamento a R$ 5,3488 ficou acima dessa mínima. Os dois números mostram que a oscilação continuou mesmo durante o dia de baixa.

O argumento dos investidores continua documentado. Analistas ouvidos pelo g1 apontaram preocupação com a trajetória da dívida pública e cobraram medidas de ajuste. Portanto, a queda de hoje não significa que a questão fiscal tenha deixado de influenciar o câmbio.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou a leitura do governo. Ele disse que a pressão da véspera refletiu uma “troca de posição” de quem apostava em outro candidato. Também afirmou que o governo buscará o centro da meta fiscal em negociação com o Congresso.

Há ainda um fator externo imediato. O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decide os juros americanos nesta quarta-feira (28). Segundo dados do CME Group citados pelo g1, a maioria dos investidores espera manutenção das taxas.

O que diz Dario Durigan: Em entrevista no Ministério da Fazenda reproduzida pela Reuters, o ministro afirmou que a reação anterior foi uma “troca de posição” do mercado. Ele também disse que o governo pretende buscar o centro da meta fiscal com o Congresso.

O que vem a seguir

Os próximos pregões mostrarão se a acomodação continua ou se a incerteza volta a pressionar o real. A decisão do Fed e as propostas fiscais do governo estão entre os fatores acompanhados pelos investidores. Não há base para projetar uma tendência a partir desta terça.

Para produtores e trabalhadores, o ponto principal é que o câmbio distribui efeitos diferentes. O recuo alivia importações e reduz a conversão de receitas externas. Ao mesmo tempo, a cotação continua refletindo grande parte da alta de segunda-feira.

Como fizemos: Usamos os fechamentos da Reuters/UOL e do Finance News, acessados em 27/10/2026. Calculamos R$ 5,4066 menos R$ 5,3488, resultando em R$ 0,0578, e multiplicamos cada cotação por US$ 1.000. Não incluímos tarifas, impostos ou contratos de proteção cambial.

Fontes