Dólar recua a R$ 5,35, mas não desfaz alta pós-eleição
Moeda cai 1,07% e devolve R$ 0,0578 da cotação anterior. Em US$ 1.000, são R$ 57,80 a menos para importadores e exportadores.

O dólar à vista fechou esta terça-feira (27) a R$ 5,3488, queda de 1,07%. O recuo foi de R$ 0,0578 em relação aos R$ 5,4066 de segunda-feira. Na véspera, a moeda subiu 8,36%, segundo a Reuters.
A sessão devolve apenas uma pequena parte do salto anterior. Para quem importa ou exporta, a diferença diária é concreta, mas não apaga o novo patamar do câmbio. Uma operação de US$ 1.000 ficou R$ 57,80 mais barata em reais entre os dois fechamentos. As taxas não podem ser simplesmente somadas porque incidem sobre cotações diferentes.
O que muda em US$ 1.000
O cálculo usa a cotação à vista, sem tarifas bancárias, impostos ou custos de contratação. Na segunda, US$ 1.000 correspondiam a R$ 5.406,60. Nesta terça, passaram a R$ 5.348,80. A diferença é o valor da queda multiplicado por mil. Esse exemplo mede apenas a variação entre os fechamentos, não o custo total da operação.
Recuo do dólar muda R$ 57,80 em US$ 1.000 Fechamento do dólar à vista e conversão simples para reais, 26 e 27 de outubro de 2026
| Dia | Cotação | Variação diária | Valor de US$ 1.000 |
|---|---|---|---|
| Segunda (26) | R$ 5,4066 | +8,36% | R$ 5.406,60 |
| Terça (27) | R$ 5,3488 | −1,07% | R$ 5.348,80 |
Fonte: Reuters/UOL e Finance News. Cálculos: redação.
Para um importador com pagamento nessas condições, a conversão de terça custa menos reais. Isso pode aliviar o preço de insumos, máquinas e fretes contratados em dólar. O efeito sobre o produto final depende de prazos, estoques e demais custos.
Para um exportador, a mesma variação reduz os reais recebidos na conversão de US$ 1.000. A conta é diferente entre empresas. Contratos já fechados, proteção cambial e prazo de recebimento impedem que a oscilação diária chegue igualmente a todos.
Mercado ajusta posições após o choque
A Reuters descreveu um dia de ajuste depois do forte movimento provocado pela reeleição de Lula. Na segunda, investidores reagiram à continuidade da política fiscal do atual governo. Na terça, o dólar recuou durante toda a sessão.
Às 10h42, a moeda chegou a R$ 5,3166, queda de 1,66% naquele momento. O fechamento a R$ 5,3488 ficou acima dessa mínima. Os dois números mostram que a oscilação continuou mesmo durante o dia de baixa.
O argumento dos investidores continua documentado. Analistas ouvidos pelo g1 apontaram preocupação com a trajetória da dívida pública e cobraram medidas de ajuste. Portanto, a queda de hoje não significa que a questão fiscal tenha deixado de influenciar o câmbio.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou a leitura do governo. Ele disse que a pressão da véspera refletiu uma “troca de posição” de quem apostava em outro candidato. Também afirmou que o governo buscará o centro da meta fiscal em negociação com o Congresso.
Há ainda um fator externo imediato. O Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, decide os juros americanos nesta quarta-feira (28). Segundo dados do CME Group citados pelo g1, a maioria dos investidores espera manutenção das taxas.
O que diz Dario Durigan: Em entrevista no Ministério da Fazenda reproduzida pela Reuters, o ministro afirmou que a reação anterior foi uma “troca de posição” do mercado. Ele também disse que o governo pretende buscar o centro da meta fiscal com o Congresso.
O que vem a seguir
Os próximos pregões mostrarão se a acomodação continua ou se a incerteza volta a pressionar o real. A decisão do Fed e as propostas fiscais do governo estão entre os fatores acompanhados pelos investidores. Não há base para projetar uma tendência a partir desta terça.
Para produtores e trabalhadores, o ponto principal é que o câmbio distribui efeitos diferentes. O recuo alivia importações e reduz a conversão de receitas externas. Ao mesmo tempo, a cotação continua refletindo grande parte da alta de segunda-feira.
Como fizemos: Usamos os fechamentos da Reuters/UOL e do Finance News, acessados em 27/10/2026. Calculamos R$ 5,4066 menos R$ 5,3488, resultando em R$ 0,0578, e multiplicamos cada cotação por US$ 1.000. Não incluímos tarifas, impostos ou contratos de proteção cambial.
Fontes
- UOL/Reuters: dólar à vista fecha em baixa de 1,07%, a R$ 5,3488, 27/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Finance News: Ibovespa fecha em queda; dólar cai a R$ 5,35, 27/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- g1: Ibovespa passa a cair, com pós-eleições e à espera do Fed, 27/10/2026 (acesso em 27/10/2026)
- Wikimedia Commons: Porto de Santos, foto de Sabino Freitas Correa (CC BY-SA 4.0) (acesso em 27/10/2026)



