Fronteiras

Brasil e Argentina não têm registro de travessia de Flávio

PF não encontrou saída regular, e a imigração argentina negou registro de entrada. O paradeiro do senador e o voo citado seguem sob checagem.

Divisa entre Brasil e Argentina com guarda-corpo, cores dos dois países e o rio Iguaçu entre áreas de mata.
Fronteira entre Foz do Iguaçu, no Brasil, e Puerto Iguazú, na Argentina, em foto de julho de 2010.Foto: seretide / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Até a noite desta terça-feira (27), a Polícia Federal (PF) não havia encontrado registro de saída do senador Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), por pontos regulares de migração. A Direção Nacional de Migrações da Argentina também informou não ter registro de entrada dele no país vizinho.

As duas respostas limitam o que se pode afirmar sobre a suspeita de uma travessia para Puerto Iguazú. Não comprovam onde o senador está, nem confirmam a versão de que ele teria seguido para os Estados Unidos. A PF continua as checagens.

O que é registro e o que é versão

O site argentino Infobae publicou que Flávio teria cruzado a fronteira com documento de identidade. Segundo essa versão, ele embarcaria em um jato Gulfstream G400, matrícula LV-JQW, da empresa Baires Fly, rumo aos Estados Unidos.

Em resposta ao g1, a imigração argentina declarou: “Informamos que não há registro de entrada de Flávio Nantes Bolsonaro no país”. O órgão também disse que nenhum plano de voo apresentado incluía membros da família Bolsonaro.

O rastreamento citado pelo g1 mostra que a aeronave chegou a Puerto Iguazú às 23h45 de segunda-feira (26), no horário de Brasília. Não havia decolagem posterior registrada. A plataforma FlightRadar24 permite, porém, que voos privados deixem de aparecer.

Checagem separa informações confirmadas de alegações Situação reportada até a noite de 27 de outubro de 2026

Ponto Situação verificada
Saída pelo Brasil Sem registro nos pontos regulares consultados
Entrada na Argentina Governo argentino nega registro
Aeronave LV-JQW Chegada a Puerto Iguazú registrada; saída não localizada
Viagem aos EUA Sem confirmação oficial brasileira ou americana

Fonte: g1, Agência Brasil e Brasil de Fato. Elaboração: redação.

Identidade aceita não anula ordem judicial

A possibilidade de viajar com identidade existe no Mercosul. Para turismo, a PF informa que o passaporte é dispensado quando a cédula atende às condições exigidas. Isso não autoriza alguém a descumprir uma proibição judicial de deixar o país.

No domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega dos passaportes e proibiu Flávio de sair do Brasil. A PF cancelou os documentos depois que ele não cumpriu a ordem de entrega, segundo a Agência Brasil.

A decisão tramita em processo no qual o senador é investigado. Investigação não equivale a denúncia aceita ou condenação. Flávio e o advogado Willer Tomaz negam irregularidades no caso em que são investigados.

Na segunda-feira, Flávio havia negado plano de saída. Em vídeo citado pelo Brasil de Fato, afirmou: “Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração”. A declaração registra sua posição, mas não esclarece o paradeiro.

Também há versões divergentes entre aliados. Fontes da assessoria disseram ao blog de Andreia Sadi que ele não saiu do Brasil. O senador Rogério Marinho afirmou “não saiu”; outros dois aliados disseram ao SBT News, canal do Sistema Brasileiro de Televisão, que houve travessia, segundo o Brasil de Fato.

O que diz a imigração argentina: A Direção Nacional de Migrações afirmou ao g1 que não há registro de entrada de Flávio e que iniciou fiscalização da aeronave e da tripulação citadas. A redação não procurou o órgão; a posição vem da resposta publicada.

O que vem a seguir

A PF informará Moraes sobre o descumprimento da ordem de entrega dos passaportes. Eventuais novas medidas dependem de decisão judicial; não são automáticas. As autoridades brasileiras e argentinas seguem verificando registros migratórios e o voo. As respostas oficiais tratam dos dados disponíveis, não de todas as rotas possíveis.

Até que surjam documentos ou confirmação oficial, a conclusão responsável é limitada. Não há registro regular de saída nem de entrada, e há uma aeronave identificada em Puerto Iguazú. O paradeiro do senador continua sem esclarecimento público. A ausência de registro, portanto, não prova que uma travessia seja impossível.

Como fizemos: Comparamos reportagens do g1, da Agência Brasil e do Brasil de Fato, acessadas em 27/10/2026, e a orientação oficial da PF sobre documentos de viagem. A tabela classifica o que cada fonte confirmou ou não confirmou. Não acessamos sistemas migratórios, planos de voo ou decisões judiciais originais e não contatamos os envolvidos.

Fontes