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Encontro com Trump e Rubio como candidato: o que Flávio foi fazer em Washington

Sem cargo para negociar pelo país, Flávio prometeu minerais e pediu que os EUA rotulassem PCC e CV como terroristas; não voltou com alívio nas tarifas.

Donald Trump, sentado à mesa do Salão Oval, conversa com Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, sentados à frente dele.
Donald Trump recebe Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo no Salão Oval da Casa Branca, em 26 de maio de 2026.Foto: Governo dos EUA, publicada por Donald Trump no Truth Social / Wikimedia Commons (domínio público)

Em 26 de maio, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi recebido pelo presidente Donald Trump na Casa Branca. No dia seguinte, encontrou o secretário de Estado americano, Marco Rubio. Ele não estava lá em nome do governo brasileiro. Estava como senador e candidato à Presidência, segundo a CNN Brasil.

O registro público da viagem mostra uma oferta, um pedido e nenhum ganho concreto para o Brasil. Cinco meses depois, a pergunta do título ainda pesa na campanha: o que um candidato sem mandato para negociar foi oferecer em Washington?

A oferta: minerais de longo prazo

Na Casa Branca, Flávio prometeu parcerias de longo prazo com os Estados Unidos em terras raras, com “investimento protegido”, segundo a CNN Brasil. Terras raras são metais usados em ímãs, baterias e equipamentos de defesa.

A expressão “investimento protegido” merece atenção. Ela sugere garantias ao investidor estrangeiro contra mudanças futuras de regra. Num setor estratégico, uma promessa assim, feita antes da eleição, amarra as mãos de quem vier a negociar depois.

A oferta não era nova. Em 28 de março, na CPAC, a conferência anual da direita americana, no Texas, Flávio já tinha apresentado o Brasil como saída dos EUA para a dependência da China. A íntegra do discurso foi publicada pelo Poder360.

O interesse americano também já tinha resultado concreto. Em 20 de abril, a USA Rare Earth acertou a compra da Serra Verde, em Goiás, por US$ 2,8 bilhões, segundo a Reuters. É a única mina comercial de terras raras do país. O negócio tem US$ 565 milhões de financiamento do governo americano, e toda a produção vai para um comprador apoiado pelos EUA.

Ou seja, Washington já tinha garantido a principal mina em operação. Mesmo assim, um mês depois, ouviu de um candidato brasileiro a promessa de mais parcerias de longo prazo.

O pedido: facções como terroristas

Na mesma visita, Flávio pediu que os EUA classificassem como terroristas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), relatou a CNN Brasil. As duas são as maiores facções criminosas do país.

O combate ao crime organizado é uma prioridade legítima. Mas a classificação pedida é uma decisão do governo americano, com base nas leis americanas. Na prática, Flávio pediu a um governo estrangeiro que agisse sobre um problema de segurança brasileiro.

O tema também está no plano de governo dele. Segundo o Metrópoles, Flávio defende declarar o PCC e o CV “narcoterroristas” no Brasil. A diferença é que, em Washington, a decisão sairia das mãos brasileiras.

O que não veio na bagagem

Nenhum alívio nas tarifas acompanhou a promessa. Não foi localizado nenhum oficial americano oferecendo redução de tarifas em troca de minerais. Em julho, Flávio voltou aos EUA para uma audiência sobre tarifas, segundo a Band. Em 6 e 7 de julho, pediu ao Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR, na sigla em inglês) que suspendesse a cobrança.

Não adiantou. Em 15 de julho, as tarifas de 25% entraram em vigor. Uma pesquisa Quaest mostrou que 42% dos eleitores ficaram mais inclinados a Lula por causa delas, contra 27% em relação a Flávio, segundo a Reuters.

Nem o apoio político veio formalizado. Segundo o site Axios, Trump não declarou apoio formal a Flávio no segundo turno. A foto no Salão Oval ficou, mas o endosso oficial não veio.

Pela Constituição, quem conduz as relações com outros países é o presidente da República. Um senador pode visitar governos estrangeiros, mas não assina compromissos em nome do Brasil. Tratados, além disso, precisam do aval do Congresso. As promessas de maio, portanto, valem como sinal do que Flávio faria no poder.

O que diz Flávio: O candidato apresentou a viagem como a oferta de parcerias estratégicas de longo prazo em terras raras, com o Brasil como alternativa dos EUA à China, registrou a CNN Brasil. No debate da Band, em 18 de outubro, disse que foi aos Estados Unidos para defender empresas brasileiras, segundo o Correio Braziliense.

O saldo da viagem cabe em poucas linhas. Flávio ofereceu minerais brasileiros e pediu uma ação americana contra facções brasileiras. Depois vieram as tarifas, sem nenhum compromisso formal de Washington. Para quem vai votar em 25 de outubro, é uma amostra de como seria a mesa de negociação com Washington num governo Flávio.

Fontes