Geopolítica

Comércio com a China soma US$ 143 bi em nove meses de 2026

Exportações e importações com a China somaram US$ 143 bilhões de janeiro a setembro, com saldo de US$ 26 bi, segundo a Secex.

Xi Jinping e Lula aplaudem lado a lado sobre um tapete vermelho, diante de crianças com bandeirinhas do Brasil e da China.
O presidente da China, Xi Jinping, e o presidente Lula na cerimônia de chegada da visita de Estado, no Palácio da Alvorada, em Brasília, em 20 de novembro de 2024.Foto: Cadu Gomes / Vice-Presidência da República / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

De janeiro a setembro de 2026, o Brasil vendeu US$ 84,64 bilhões para a China e comprou US$ 58,62 bilhões. Somados, os dois fluxos chegam a US$ 143 bilhões. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

A soma das exportações e importações tem nome técnico: corrente de comércio. O saldo foi positivo para o Brasil, em US$ 26,05 bilhões. O total, porém, esconde uma concentração. Poucos produtos respondem por uma parte grande das vendas à China.

A soja é o principal item. A Agrolink cita US$ 30 bilhões em embarques de soja no período. Se esse valor estiver certo, a soja responde por cerca de 35% das vendas à China, nossa conta com base nos US$ 84,64 bilhões. Não localizamos a tabela da Secex com esse valor.

Soja: a dependência e a disputa com os EUA

Segundo a Exame, a China costuma importar do Brasil cerca de 75% da soja que compra. A dependência tem duas faces. O Brasil ganha uma demanda grande e constante. Mas um único comprador concentra boa parte do negócio.

Em janeiro de 2026, em Davos, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que os chineses tinham concluído as compras da safra anterior de soja americana. Ele afirmou: “estamos ansiosos pelas 25 milhões de toneladas do próximo ano”, segundo a Exame.

Em maio, a Safras & Mercado avaliou que a presença chinesa na soja americana segue “relativamente tímida”. As compras somavam cerca de 12 milhões de toneladas, ligadas ao acordo de outubro de 2025. A meta de 25 milhões de toneladas aparecia como expectativa, não como compromisso formal.

Para o Brasil, o efeito depende de preço, frete e da parte de cada origem nas compras chinesas. Essas informações não aparecem nas fontes consultadas. Por isso, não estimamos o impacto sobre as margens dos produtores.

Setembro mostra a sensibilidade

Em setembro, as vendas à China caíram 7,6% em relação a setembro de 2025, para US$ 7,89 bilhões. A reportagem do DGABC, que cita a Secex, registra queda nas vendas de carne bovina, soja, minério de ferro e milho.

Vendas e compras do Brasil com a China, janeiro a setembro de 2026 Valores em US$ bilhões e variação sobre o mesmo período de 2025

Fluxo Valor Variação
Exportações para a China 84,64 +12%
Importações da China 58,62 +9,9%
Corrente de comércio (soma) 143,26 nossa conta

Fonte: Secex/MDIC, via DGABC. Elaboração: redação.

O que diz o MDIC: Ao divulgar os dados de setembro, a Secex informou que as vendas à China caíram 7,6% no mês, com queda em carne bovina, soja, minério de ferro e milho, segundo o DGABC. Não localizamos publicação do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) sobre o acumulado de janeiro a setembro.

O que isso significa

Os números mostram um fluxo grande e com saldo positivo para o Brasil. Eles também mostram que poucos produtos, como a soja, pesam muito nas vendas. Em setembro, a queda atingiu justamente esses produtos.

O que vem a seguir são os dados de outubro e as compras chinesas de soja americana na safra nova. A Safras & Mercado espera que essas compras ganhem ritmo a partir de outubro.

Como fizemos: Usamos os valores de exportação, importação e saldo com a China divulgados pela Secex e reportados pelo DGABC, acessados em 21 de outubro de 2026. Somamos exportações e importações para chegar a US$ 143,26 bilhões. A participação da soja, de cerca de 35%, é nosso cálculo com base no valor de US$ 30 bilhões citado pela Agrolink, que não conferimos na tabela da Secex. Não corrigimos os valores pela inflação. O CEBC não foi localizado como fonte direta do valor.

Fontes