Comércio com a China soma US$ 143 bi em nove meses de 2026
Exportações e importações com a China somaram US$ 143 bilhões de janeiro a setembro, com saldo de US$ 26 bi, segundo a Secex.

De janeiro a setembro de 2026, o Brasil vendeu US$ 84,64 bilhões para a China e comprou US$ 58,62 bilhões. Somados, os dois fluxos chegam a US$ 143 bilhões. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A soma das exportações e importações tem nome técnico: corrente de comércio. O saldo foi positivo para o Brasil, em US$ 26,05 bilhões. O total, porém, esconde uma concentração. Poucos produtos respondem por uma parte grande das vendas à China.
A soja é o principal item. A Agrolink cita US$ 30 bilhões em embarques de soja no período. Se esse valor estiver certo, a soja responde por cerca de 35% das vendas à China, nossa conta com base nos US$ 84,64 bilhões. Não localizamos a tabela da Secex com esse valor.
Soja: a dependência e a disputa com os EUA
Segundo a Exame, a China costuma importar do Brasil cerca de 75% da soja que compra. A dependência tem duas faces. O Brasil ganha uma demanda grande e constante. Mas um único comprador concentra boa parte do negócio.
Em janeiro de 2026, em Davos, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que os chineses tinham concluído as compras da safra anterior de soja americana. Ele afirmou: “estamos ansiosos pelas 25 milhões de toneladas do próximo ano”, segundo a Exame.
Em maio, a Safras & Mercado avaliou que a presença chinesa na soja americana segue “relativamente tímida”. As compras somavam cerca de 12 milhões de toneladas, ligadas ao acordo de outubro de 2025. A meta de 25 milhões de toneladas aparecia como expectativa, não como compromisso formal.
Para o Brasil, o efeito depende de preço, frete e da parte de cada origem nas compras chinesas. Essas informações não aparecem nas fontes consultadas. Por isso, não estimamos o impacto sobre as margens dos produtores.
Setembro mostra a sensibilidade
Em setembro, as vendas à China caíram 7,6% em relação a setembro de 2025, para US$ 7,89 bilhões. A reportagem do DGABC, que cita a Secex, registra queda nas vendas de carne bovina, soja, minério de ferro e milho.
Vendas e compras do Brasil com a China, janeiro a setembro de 2026 Valores em US$ bilhões e variação sobre o mesmo período de 2025
| Fluxo | Valor | Variação |
|---|---|---|
| Exportações para a China | 84,64 | +12% |
| Importações da China | 58,62 | +9,9% |
| Corrente de comércio (soma) | 143,26 | nossa conta |
Fonte: Secex/MDIC, via DGABC. Elaboração: redação.
O que diz o MDIC: Ao divulgar os dados de setembro, a Secex informou que as vendas à China caíram 7,6% no mês, com queda em carne bovina, soja, minério de ferro e milho, segundo o DGABC. Não localizamos publicação do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC) sobre o acumulado de janeiro a setembro.
O que isso significa
Os números mostram um fluxo grande e com saldo positivo para o Brasil. Eles também mostram que poucos produtos, como a soja, pesam muito nas vendas. Em setembro, a queda atingiu justamente esses produtos.
O que vem a seguir são os dados de outubro e as compras chinesas de soja americana na safra nova. A Safras & Mercado espera que essas compras ganhem ritmo a partir de outubro.
Como fizemos: Usamos os valores de exportação, importação e saldo com a China divulgados pela Secex e reportados pelo DGABC, acessados em 21 de outubro de 2026. Somamos exportações e importações para chegar a US$ 143,26 bilhões. A participação da soja, de cerca de 35%, é nosso cálculo com base no valor de US$ 30 bilhões citado pela Agrolink, que não conferimos na tabela da Secex. Não corrigimos os valores pela inflação. O CEBC não foi localizado como fonte direta do valor.
Fontes
- Exportações brasileiras para a China caem 7,6% em setembro ante igual mês de 2025 — DGABC
- Comércio entre Brasil e China bate recorde em 2026 — Agrolink
- EUA dizem que China vai comprar 25 milhões de toneladas de soja em 2026 — Exame
- Acordo entre EUA e China sustenta soja em Chicago e movimenta mercado brasileiro — Safras & Mercado



