Geopolítica

Alimentos dão peso externo ao Brasil, mas o adubo vem de fora

Agro exportou o recorde de US$ 169,2 bilhões em 2025, quase metade das vendas do país, mas depende de fertilizantes importados para produzir.

Ilustração provisória e abstrata: globo de meridianos e paralelos cruzado por arcos de rotas, em roxo e dourado.
Imagem provisória, a ser substituída antes do lançamento.Ilustração: Imagem provisória

Em 2025, o agronegócio brasileiro exportou US$ 169,2 bilhões, recorde histórico, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O valor correspondeu a 48,5% de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior no ano. Só a China comprou US$ 55,3 bilhões, cerca de um terço do total.

Segurança alimentar é o acesso regular a comida suficiente e de qualidade. Quando um país fornece parte grande dos alimentos negociados no mundo, suas safras pesam na mesa de outros povos. Esse papel dá ao Brasil um lugar de destaque nas discussões internacionais sobre fome e comércio.

Onde o Brasil lidera

Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o Brasil está no topo do comércio internacional de sete produtos. São eles soja, café, açúcar, suco de laranja, etanol de cana, carne bovina e carne de frango.

O caso mais forte é a soja. Em 2023, o país respondeu por cerca de 58,7% do comércio mundial do grão. O dado é da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), reunido pela Embrapa.

Em 2025, a soja liderou as vendas do agro, com US$ 43,5 bilhões e o recorde de 108,2 milhões de toneladas embarcadas, segundo o Mapa. A carne bovina rendeu US$ 17,9 bilhões, e o café, US$ 16 bilhões, puxado por preços internacionais altos.

O principal comprador

A China é, de longe, o maior destino do agro brasileiro. Em 2025, as compras chinesas cresceram 11% sobre o ano anterior, segundo o Mapa. A fatia chinesa chegou a 32,7% do total exportado pelo setor.

A concentração tem dois lados. O mercado chinês garante volume, mas uma mudança nas regras de importação de um único país pode afetar boa parte das vendas.

O ponto fraco: o adubo

A força do agro esconde uma dependência. Quando o governo lançou o Plano Nacional de Fertilizantes, em 11 de março de 2022, o Brasil importava 85% dos fertilizantes consumidos no país, informou a Agência Brasil. A meta do plano é reduzir essa dependência para cerca de 50% até 2050.

O lançamento ocorreu semanas depois do início da guerra na Ucrânia. Na época, Rússia e Belarus respondiam por 43% das importações brasileiras de fertilizantes, segundo a mesma reportagem.

Em 2026, a guerra no Golfo Pérsico voltou a expor o problema. Em 5 de março, o contrato futuro de ureia, um adubo à base de nitrogênio, chegou a US$ 618 por tonelada. Foi uma alta de 30,65% desde o início do conflito, segundo estudo do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

O que diz o Ministério da Agricultura: Em balanço sobre 2025, o Mapa atribuiu o recorde das exportações principalmente ao aumento dos volumes embarcados, já que os preços médios caíram. Sobre os fertilizantes, o governo informou, no lançamento do plano, que a meta é reduzir a dependência externa para cerca de 50% em 28 anos.

O peso externo do Brasil depende das duas pontas. O país ajuda a alimentar o mundo, mas sua lavoura ainda precisa de insumos comprados de poucos fornecedores. Enquanto a meta do plano de fertilizantes não for alcançada, cada crise em rotas e países produtores chega ao custo da próxima safra.

Fontes