Comércio exterior

Diversificar reduz o risco de uma empresa, mas não elimina perdas

A B3 contou 862 mil CPFs em ETFs no fim do 2º trimestre de 2026. Diversificar reduz parte do risco, mas nenhuma estratégia garante ganhos.

Foto em preto e branco de um pregão de bolsa, com dezenas de homens de paletó em volta de uma mesa circular e papéis sobre as bancadas.
Pregão de bolsa de valores em foto de arquivo, sem data informada, do acervo do Museu Paulista da USP.Foto: Werner Haberkorn / Museu Paulista da USP / Wikimedia Commons (domínio público)

Na segunda-feira (26), o Ibovespa, principal índice de ações da B3, acionou o circuit breaker às 9h57. Segundo a InfoMoney, a pausa veio após queda de 10% em relação ao fechamento anterior. O circuit breaker é uma parada automática das negociações, que durou 30 minutos.

Em dias assim, muita gente se pergunta onde está o seu dinheiro. Diversificar e ter horizonte longo são formas de organizar o risco. Nenhuma garante lucro, e nenhuma elimina a perda.

O que é um ETF

ETF é a sigla de Exchange Traded Fund, ou fundo de índice. Segundo o Portal do Investidor, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), são fundos “constituídos com o objetivo de investir em uma carteira de ações”. Eles buscam replicar a carteira de um índice de referência.

O BOVA11, por exemplo, “busca acompanhar a variação do índice Ibovespa B3”, segundo a página do fundo no Bora Investir, portal educativo da B3. O IVVB11 acompanha o S&P 500, índice de cerca de 500 grandes empresas dos Estados Unidos. Sua cotação em reais, diz a B3, oscila com o câmbio.

Em 17 de setembro, a B3 informou 862 mil CPFs com ETFs no fim do 2º trimestre de 2026. CPF é o número que identifica cada pessoa física. Foram 223 mil novos investidores em um ano, alta de 34%.

Risco específico e risco de mercado

Para a B3, o risco de uma aplicação tem duas partes. O risco específico liga-se a uma empresa ou a um setor, e a diversificação o reduz. O risco de mercado é a “possibilidade de perdas financeiras decorrentes de flutuações nos preços de ativos”. Diversificar não o elimina.

Um exemplo ilustrativo, sem dados de mercado, mostra a diferença. Com dez ações de mesmo peso, uma queda de 50% em uma delas faz a carteira perder 5%. Com uma ação só, a perda seria de 50%.

Apostar tudo em uma empresa concentra o risco nela. Segundo a B3, a diversificação “evita que a rentabilidade de todo o seu dinheiro fique exposta a apenas um tipo de risco”.

Horizonte de investimento

O horizonte de investimento é o prazo em que o dinheiro fica aplicado. Para o Bora Investir, o longo prazo vai de cinco a dez anos. Um prazo longo, porém, não garante ganho.

Em março de 2020, o Ibovespa caiu 29,91%, a pior queda mensal desde agosto de 1998, segundo a InfoMoney. No fim daquele ano, o índice fechou com alta de 2,92%, segundo o Poder360. A mesma bolsa teve os dois movimentos no mesmo ano.

Renda fixa e custos

Quem busca alternativas de renda fixa encontra títulos do governo, como o Tesouro Selic, e CDBs. CDB é um certificado de depósito emitido por bancos. Segundo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), a garantia cobre até R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira. Títulos do governo não estão na lista de proteção, e cotas de ETF também não.

Os ETFs cobram taxa de administração, descontada do patrimônio do fundo. A B3 remete o valor de cada fundo ao site da gestora. Corretagem e custódia também podem existir, conforme a corretora.

Imposto de renda

A Lei 11.033/2004 isenta ganhos com vendas de ações na bolsa de até R$ 20 mil por mês. Fontes especializadas citam uma solução de consulta da Receita (Cosit nº 145/2021) que deixa de fora as cotas de ETF. Segundo essas fontes, os ganhos com ETF pagam 15%. A MP 1303/2025, que tentava mudar essas regras, perdeu validade em 8 de outubro de 2025, segundo a Agência Câmara.

Os riscos que continuam

Ativos podem perder valor, e pânicos podem se aprofundar. Um ETF que acompanha o Ibovespa sobe e cai com o índice. A diversificação reduz parte do risco, mas não protege de uma queda geral do mercado.

O que isso significa

Diversificar e ter prazo longo ajudam a organizar o risco, mas não o eliminam. Custos e impostos entram em qualquer conta. Para estudar antes de decidir, vale consultar a CVM, a B3, o Banco Central e o Tesouro Nacional. Esta reportagem explica mecanismos. Não recomenda produto nem diz o que comprar ou vender.

O que diz a B3: No Bora Investir, a bolsa afirma que “há o chamado risco sistêmico, quando fatos afetam todos os ativos no mesmo sentido, seja positivo ou negativo”. A redação não enviou perguntas à B3; a posição vem do texto público.

Como fizemos: Usamos páginas do Portal do Investidor da CVM sobre ETFs e risco, o Bora Investir da B3 (diversificação, risco de mercado, prazos e páginas do BOVA11 e do IVVB11), o comunicado da B3 de 17/09/2026, a página do FGC, a Lei 11.033/2004, a Agência Câmara sobre a MP 1303/2025 e reportagens da InfoMoney e do Poder360, acessados em 26/10/2026. O exemplo das dez ações é um cálculo nosso, ilustrativo. Não localizamos página oficial da Receita de 2026 sobre o limite de R$ 20 mil; a exclusão das cotas de ETF vem de fontes que descrevem a Solução de Consulta Cosit nº 145/2021, que não abrimos. Não encontramos em página oficial a taxa de administração do BOVA11, por isso não citamos valor. Os números de 2020 vêm de reportagens, não da série histórica da B3.

Fontes