Comércio exterior

Estrangeiros aportaram R$ 19,1 bi na B3 até 14 de outubro

Segundo a XP, estrangeiros colocaram R$ 19,1 bilhões líquidos na B3 até 14 de outubro, antes da queda de 13,88% do Ibovespa na segunda (26).

Fachada de pedra de edifício histórico com o letreiro dourado da Bolsa de Mercadorias & Futuros e três bandeiras sobre a entrada.
Edifício da antiga Bolsa de Mercadorias & Futuros, na Praça Antônio Prado, em São Paulo, em foto de dezembro de 2021.Foto: Fulviusbsas / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Na segunda-feira (26), o Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos. O Ibovespa é o índice das ações mais negociadas da B3, a bolsa de valores brasileira. O dado é do boletim das 17h16 do InfoMoney.

A queda veio um dia depois da reeleição de Lula, no domingo (25). Segundo a Reuters, citada pelo InfoMoney, Lula teve 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (PL). Flávio não reconheceu a derrota.

Em grande parte, o volume da bolsa vem de quem não mora no país. Esses investidores são chamados de estrangeiros ou não residentes. Em agosto, responderam por 57,5% do volume negociado na B3.

Dinheiro de fora entrou forte antes da eleição

No dia 5 de outubro, o Ibovespa subiu 7,7%, a maior alta em mais de seis anos, segundo a Investnews. Naquele dia, os estrangeiros colocaram R$ 10,06 bilhões líquidos na bolsa, ou US$ 2,01 bilhões. “Líquido” quer dizer entradas menos saídas. A B3 divulgou o número em 7 de outubro.

Em 13 de outubro, a Gazeta do Povo informou R$ 13,1 bilhões líquidos na primeira semana do mês. Em 17 de outubro, o Seu Dinheiro, citando a XP, falou em R$ 19,1 bilhões até 14 de outubro. Os métodos são diferentes, por isso os valores não devem ser somados.

Quem move o volume da bolsa

Em julho, os estrangeiros tinham 59,7% do volume. Em agosto, a fatia caiu para 57,5%, o menor nível de 2026, segundo dados da B3 publicados pelo BP Money. A média de janeiro a agosto ficou em 60,2%.

Fundos, seguradoras e entidades de previdência responderam por 26,7% em agosto. Pessoas físicas, com CPF, somaram 10,8%. Ou seja, o investidor individual pesa pouco no volume, mas os institucionais pesam bem mais.

Os estrangeiros compraram forte depois do primeiro turno, em 4 de outubro. Quando o preço cai, parte dessas compras pode ser desfeita. Esse é um cálculo nosso, não um dado publicado: sem o fluxo de segunda-feira, não dá para medir essa reversão.

Segunda-feira ainda sem número de fluxo

Não encontramos, até a publicação, dado oficial da B3 nem reportagem com o fluxo estrangeiro de segunda-feira (26). Por isso, não sabemos se os estrangeiros compraram ou venderam no dia. Nos dados de 5 de outubro, a B3 divulgou o número dois dias depois.

Segundo o InfoMoney, o índice chegou a 169.516,43 pontos logo no início do pregão. O circuit breaker, mecanismo que suspende a negociação em quedas fortes, foi acionado às 9h57 e durou 30 minutos. O dólar comercial subiu entre 8,21% e 8,25%, para R$ 5,403, no mesmo levantamento.

O que isso significa

O dinheiro de fora entrou com força antes da eleição. A queda de segunda mostrou como essa posição pode mudar em um dia. Os dados disponíveis ainda não dizem se os estrangeiros saíram, ficaram ou voltaram a comprar.

Ativos podem perder valor, e pânicos podem aprofundar as quedas. Esta reportagem não é recomendação de investimento.

O que diz a B3: A bolsa divulgou, em 7 de outubro, os dados de fluxo por investidor citados nesta reportagem, segundo a Investnews. A redação não enviou perguntas à B3 antes da publicação. Não encontramos posição da bolsa sobre a queda de 26 de outubro nas fontes que consultamos.

Como fizemos: Usamos o InfoMoney (26/10/2026, boletim das 17h16) para fechamento, mínima, circuit breaker e dólar; a Investnews (07/10/2026) para o fluxo de 5 de outubro; a Gazeta do Povo (13/10/2026), que cita dados do Itaú BBA, e o Seu Dinheiro (17/10/2026), que cita a XP, para os fluxos parciais de outubro; e o BP Money (26/08/2026), com dados da B3, para a divisão do volume de agosto. Todas as fontes foram acessadas em 26/10/2026. Cálculo nosso: a mínima de 169.516,43 pontos em relação à abertura de cerca de 205.082,56 pontos, obtida somando 28.474,33 a 176.608,23, o que dá queda de cerca de 17,34%. Os fluxos vêm de métodos diferentes e não se somam. Não consultamos os painéis da B3 diretamente. Deixamos de fora números que não conseguimos confirmar, como uma cotação do dólar de R$ 5,42 com alta de 8,95%. Não há fluxo estrangeiro publicado para segunda-feira nas fontes que consultamos.

Fontes