Comércio exterior

Dólar alto ou baixo muda a conta de exportadores e importadores

Dólar mais alto aumenta a receita do exportador em reais, mas encarece insumos importados. Veja como o câmbio chega ao caixa das empresas.

Torre de concreto e vidro escuro da sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, sob céu azul, com as coberturas do prédio enquadradas.
Torre da sede do Banco Central do Brasil, em Brasília. A instituição divulga a cotação do dólar usada neste texto.Foto: Banco Central do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na sexta-feira (23), a cotação do dólar divulgada pelo Banco Central foi de R$ 5,0377. No domingo (25), Lula foi reeleito no segundo turno, com 51,79% dos votos válidos, segundo a imprensa que cita o Tribunal Superior Eleitoral. Nesta segunda-feira (26), o câmbio volta a ser negociado, e o mercado acompanha a reação.

Para uma empresa, o efeito depende de dois lados da conta: o que ela recebe e o que ela paga em dólar. Quem vende para o exterior tende a ganhar com a alta da moeda americana. Quem compra insumos de fora tende a pagar mais.

Receita em dólar, custo em reais

O exportador recebe em dólar, mas paga salários, energia e transporte em reais. Quando o dólar sobe, cada venda rende mais reais. Esse é o ganho que o câmbio alto oferece a quem exporta.

Para fechar a conversão, a empresa costuma firmar um contrato de câmbio com um banco. Esse contrato registra a venda da moeda estrangeira. Em alguns casos, o banco antecipa parte do pagamento, por meio do Adiantamento sobre Contrato de Câmbio (ACC). Segundo o Jornal Contábil, a conversão usa a cotação do dia em que o ACC é contratado.

Um exemplo hipotético ajuda a ver a diferença. Uma empresa que vende US$ 100 mil recebe R$ 500 mil com o dólar a R$ 5,00. Com o dólar a R$ 4,50, recebe R$ 450 mil. A diferença de R$ 50 mil vem só do câmbio.

Dólar oscilou entre R$ 4,99 e R$ 5,08 em duas semanas Cotação do dólar em reais, em datas selecionadas, de 9 a 23 de outubro de 2026

Data Cotação (R$)
9/10 4,99
16/10 5,08
20/10 5,01
23/10 5,04

Fonte: Banco Central, série 1 do Sistema Gerenciador de Séries Temporais (SGS). Valores arredondados. Elaboração: redação.

Na tabela, o dólar fechou o período cerca de 1% mais caro. A oscilação foi pequena, mas muda a conta de cada venda.

Insumos importados e proteção

O dólar alto também encarece o que vem de fora. Peças, máquinas, químicos e fertilizantes importados custam mais em reais. Como explicou o economista Rafael Cagnin, do IEDI, ao InfoMoney, em 2024: “Você tem a penetração de importados, como químicos, máquinas e equipamentos eletrônicos em basicamente todas as cadeias”.

Para se proteger, empresas usam o hedge cambial. Segundo a B3, é uma estratégia para reduzir o risco das oscilações da taxa de câmbio. Ela usa instrumentos como contratos futuros, opções e swaps. O próprio Cagnin lembra que o hedge fica mais caro em momentos de instabilidade: “Hedge, por sua vez, são caros, e ficam mais caros nesses momentos.”

O que diz o Banco Central: Não enviamos perguntas à instituição para este texto. A cotação citada vem da série pública que o próprio banco divulga no sistema SGS.

O que isso significa

O câmbio não pesa igual para todos. O exportador ganha mais com o dólar alto, sobretudo se depende pouco de insumos importados e não deve em dólar. O importador e a empresa endividada em moeda estrangeira sofrem com a alta.

Por isso, o efeito de uma cotação muda de empresa para empresa. Para acompanhar o tema, vale olhar a cotação diária do Banco Central e a balança comercial mensal.

Como fizemos: Usamos a série 1 do SGS, do Banco Central, com cotações de 9 a 23 de outubro de 2026, acessada em 25/10/2026, arredondada em duas casas decimais. O exemplo de US$ 100 mil é cálculo nosso (100 mil vezes R$ 5,00 e vezes R$ 4,50), e a variação de cerca de 1% foi calculada entre 9/10 e 23/10. Os demais dados vêm de B3, InfoMoney (4/7/2024) e Jornal Contábil, sem data de publicação identificada. O texto não traz cotações posteriores ao resultado do segundo turno, que ainda não estavam fechadas na redação.

Fontes