Itamaraty

Vieira diz que governo Trump tomou parte na eleição brasileira

O chanceler disse que representantes do governo Trump tomaram parte na eleição e criticou a ideia de uma equipe de transição com os EUA.

O chanceler Mauro Vieira, de terno escuro e gravata azul, posa ao lado da ministra Luciana Santos diante de uma tapeçaria com um mapa-múndi.
O chanceler Mauro Vieira (à direita) recebe a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, no Palácio Itamaraty, em Brasília, em 10 de abril de 2023.Foto: Luara Baggi / Ascom MCTI / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na quarta-feira (21), o chanceler Mauro Vieira disse que representantes do governo de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (EUA), “tomaram parte” na eleição brasileira. Vieira comanda o Ministério das Relações Exteriores, conhecido como Itamaraty. A declaração foi dada em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, segundo o Poder360.

Ao ser perguntado se houve interferência concreta, ele respondeu: “Olha, tomaram parte, tomaram um lado, fizeram fotografias.” Para o chanceler, cabe aos eleitores decidir, no voto, se isso configura interferência.

No dia 23 de junho, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, respondeu por carta ao senador Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência. Na carta, Rubio agradeceu a “generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso seja eleito”, segundo o Times Brasil. Uma equipe de transição é o grupo que prepara a passagem de um governo para o seguinte.

Um “péssimo sinal” para o Itamaraty

Vieira criticou a ideia de criar um comitê para coordenar posições com os EUA. “Isso eu acho que é um péssimo sinal”, disse ele, segundo o Poder360. Ele perguntou se a medida serviria “para entregar antes do tempo, para se submeter?”

Para o chanceler, a transição normal ocorre entre o governo que sai e o que entra. “Isso é normal em todas as democracias”, afirmou. Ele também disse que nunca viu nada parecido: “Na história das relações diplomáticas, em meus 50 anos de carreira, nenhum país fez esse tipo de coisa.”

Eduardo Bolsonaro e a “faxina”

Em vídeo divulgado em 30 de setembro, Eduardo Bolsonaro prometeu uma “faxina” no Itamaraty caso o irmão, Flávio, seja eleito. Segundo o SBT News, ele disse que um dos primeiros a deixar o posto seria o embaixador do Brasil na Espanha. Ele também afirmou ter mapeado todos os embaixadores e diplomatas do ministério.

Vieira foi questionado sobre essa fala. Ele respondeu: “Em uma democracia, você não ameaça”, segundo o Poder360.

As duas falas tratam de como um futuro governo se relacionaria com a diplomacia de carreira e com Washington. O chanceler defende o rito normal de transição. Eduardo fala em trocar embaixadores já no início de um eventual governo do irmão.

O que fica em aberto

Na prática, Vieira disse que, se o candidato do PL vencer, o governo seguirá o rito democrático de transição. A eleição será no domingo, 25 de outubro. As reportagens consultadas não mostram que o governo americano tenha formalizado um comitê de transição com o Brasil. O que está publicado é a carta de Rubio, a entrevista de Vieira e a fala de Eduardo Bolsonaro.

O que diz Eduardo Bolsonaro: Em vídeo de 30 de setembro, ele prometeu uma “faxina” no Itamaraty caso Flávio seja eleito, segundo o SBT News. Não encontramos resposta publicada da campanha de Flávio Bolsonaro às declarações de Vieira.

Como fizemos: Partimos da entrevista publicada pelo Poder360 em 21/10/2026, que informa que a conversa foi com O Estado de S. Paulo. A página original do Estadão não foi localizada, e as citações vêm da reportagem do Poder360, não de transcrição integral. A carta de Rubio (23/06/2026) e a fala de Eduardo Bolsonaro (30/09/2026) foram conferidas em Times Brasil e SBT News, acessados em 21/10/2026. O texto não traz cálculos nem dados numéricos.

Fontes