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EUA, Argentina e Israel: os parceiros prioritários do plano de Flávio

O plano de Flávio registrado no TSE elege três parceiros e omite Brics e Mercosul; na prática, sua agenda externa gira em torno de Washington.

Fachada do Palácio Itamaraty, em Brasília, com seus arcos refletidos no espelho d'água e jardins em primeiro plano.
O Palácio Itamaraty, sede do Ministério das Relações Exteriores, em Brasília, em outubro de 2020.Foto: Roque de Sá / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

O plano de governo que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) registrou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) escolhe três parceiros prioritários para o Brasil: Estados Unidos, Argentina e Israel. Segundo levantamento do portal ND+, o mesmo documento não menciona o Brics nem o Mercosul. São os dois blocos em que o Brasil se senta à mesa há anos.

A lista diz muito sobre a política externa de um eventual governo Flávio. Ela põe no topo o país com quem o Brasil negocia hoje tarifas e minerais. E deixa de fora, no papel, os foros onde o país constrói peso próprio.

Uma lista, dois silêncios

O Brics é o grupo formado originalmente por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O Mercosul é o bloco comercial do Cone Sul, criado em 1991 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Nenhum dos dois aparece no plano, segundo o ND+.

O silêncio sobre o Brics não é descuido. Em 3 de junho, Flávio disse que consideraria tirar o Brasil do grupo, relatou o Poder360. Na mesma reportagem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece defendendo o bloco na campanha.

O silêncio sobre o Mercosul chama ainda mais atenção. A Argentina, eleita parceira prioritária, é sócia fundadora do bloco. O plano valoriza o vizinho, mas não cita a união que os dois países criaram juntos.

O peso de Washington

Dos três parceiros, os Estados Unidos concentram quase toda a agenda documentada do candidato. Em 28 de março, na CPAC, a conferência anual da direita americana, no Texas, Flávio apresentou o Brasil como a saída dos EUA para a dependência da China. O tema eram as terras raras, metais usados em ímãs, baterias e equipamentos de defesa.

Em 26 de maio, ele se reuniu com o presidente Donald Trump na Casa Branca. No dia seguinte, esteve com o secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo a CNN Brasil, prometeu parcerias de longo prazo em terras raras, com “investimento protegido”.

Na mesma visita, pediu que os EUA classificassem como terroristas o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV). É uma decisão que caberia ao governo americano, e não ao brasileiro.

O contexto torna a escolha mais delicada. Em 15 de julho, entraram em vigor tarifas americanas de 25%. Segundo a Reuters, o acesso dos EUA aos minerais brasileiros virou um dos pontos mais difíceis do grupo de trabalho sobre tarifas. Eleger como parceiro número um o país do outro lado dessa mesa enfraquece o Brasil antes da conversa.

Há ainda a família. Em 16 de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro, irmão do candidato, a 4 anos e 2 meses de prisão por coação. Segundo a Agência Brasil, ele buscou tarifas e sanções americanas para interromper o julgamento do pai.

Para a diplomacia profissional do Itamaraty, a lista também é um problema prático. O Ministério das Relações Exteriores mantém relações com quase todos os países do mundo. Um plano que hierarquiza três parceiros sinaliza aos demais que eles ficaram em segundo plano.

O que o eleitor deve pesar

Escolher parceiros é prerrogativa de qualquer governo. Mas uma lista que começa por Washington e esquece Mercosul e Brics estreita as opções do país. O Brasil tem cerca de 21 milhões de toneladas de reservas de terras raras, as segundas maiores do mundo, segundo o site MINING.COM. Quem tem essa carta não precisa jogar com um parceiro só.

O governo atual seguiu outro caminho. Em 16 de setembro, Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A lei cria um conselho que pode revisar aquisições estrangeiras no setor, segundo o JB. Na prática, mantém a porta aberta a todos os parceiros, mas com regra brasileira.

O que diz Flávio: No debate da Band, em 18 de outubro, Lula perguntou se ele entregaria as terras raras aos EUA. Flávio chamou a acusação de fake news e disse que foi aos Estados Unidos para defender empresas brasileiras, segundo o Correio Braziliense.

Na urna de 25 de outubro, a escolha não é entre gostar ou não dos Estados Unidos. É entre uma política externa com vários parceiros e outra que aposta quase tudo numa só capital. O plano de Flávio já mostrou qual ele prefere. Cabe ao eleitor decidir se o Brasil cabe numa lista de três.

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