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Itamaraty repudia Milei e diz que ele tenta interferir na eleição

Em nota de 20 de outubro, o Itamaraty chamou de ingerência externa as novas declarações de Javier Milei sobre Lula e as urnas eletrônicas.

Javier Milei, de terno escuro e gravata azul, acena com a mão direita erguida num palco com o logotipo da CPAC.
O presidente da Argentina, Javier Milei, acena ao subir ao palco da Conservative Political Action Conference (CPAC), em National Harbor, Maryland (EUA), em fevereiro de 2025.Foto: Gage Skidmore / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Na terça-feira (20), o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, divulgou uma nota de repúdio ao presidente da Argentina, Javier Milei. O texto diz que as novas ofensas dele são “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”. Ingerência é a interferência de um governo nos assuntos internos de outro.

A nota foi publicada cinco dias antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro. A nota aparece na página de notas à imprensa do próprio Ministério, com o título “Novas ofensas do Presidente da Argentina”.

Segundo o Metrópoles, Milei publicou no X um trecho da entrevista de Lula ao SBT. Na mensagem, ele escreveu que espera que “o último truque sujo da campanha deles não inclua roubar a eleição”. Ele também chamou Lula de “esquerdista ladrão” e insinuou fraude, sem apresentar provas.

As críticas não são novas. Em julho, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos após falas de Milei na convenção do PL, partido de Flávio Bolsonaro. Segundo o SBT News, o Brasil também chamou para consultas seu representante em Buenos Aires.

O que é uma nota de repúdio

Uma nota de repúdio é um comunicado oficial do governo. Ela registra, por escrito, o protesto formal contra uma ação de outro país. Na nota desta semana, o Itamaraty diz que Milei “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições”, segundo o Metrópoles.

O texto também afirma que o sistema de votação eletrônica é “comprovadamente seguro”, segundo a reprodução feita pelo O Mundo Diplomático. Segundo a mesma reportagem, a nota diz que a decisão cabe exclusivamente ao povo brasileiro.

Sem base para dizer se é inédito

Não encontramos levantamento que conte quantas vezes o Itamaraty publicou notas assim contra chefes de Estado de sócios do Mercosul, o bloco comercial do Cone Sul. Por isso, esta reportagem não afirma se o caso é inédito. Em julho, a professora de Relações Internacionais Flávia Loss, do Instituto Mauá de Tecnologia, disse ao SBT News que a conduta de Milei rompe normas diplomáticas entre democracias.

A relação já estava abalada desde julho, quando os dois governos trocaram convocações de embaixadores. A nota desta semana amplia esse atrito às vésperas da votação.

O que diz Javier Milei: No X, ele escreveu que espera que “o último truque sujo da campanha deles não inclua roubar a eleição”, segundo o Metrópoles. Não encontramos resposta do governo argentino à nota brasileira.

O que fica em aberto

Ainda não se sabe se o governo argentino responderá à nota. A eleição brasileira segue com as regras já existentes, e a própria nota diz que a escolha é dos eleitores. O que muda, a partir de agora, é o tom das relações entre os dois países até o resultado de 25 de outubro.

Como fizemos: Usamos a nota do Itamaraty, publicada em 20/10/2026 na página oficial de notas à imprensa do Ministério, e as reproduções do Metrópoles (20/10/2026) e do O Mundo Diplomático (21/10/2026), acessadas em 21/10/2026. Os trechos da nota citados são os que essas reportagens reproduzem; o texto integral não foi encontrado. Não há cálculos nem séries de dados, e não é possível afirmar a frequência desse tipo de nota sem uma base de comparação.

Fontes