Itamaraty repudia Milei e diz que ele tenta interferir na eleição
Em nota de 20 de outubro, o Itamaraty chamou de ingerência externa as novas declarações de Javier Milei sobre Lula e as urnas eletrônicas.

Na terça-feira (20), o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, divulgou uma nota de repúdio ao presidente da Argentina, Javier Milei. O texto diz que as novas ofensas dele são “nova e inaceitável tentativa de ingerência externa no processo democrático brasileiro”. Ingerência é a interferência de um governo nos assuntos internos de outro.
A nota foi publicada cinco dias antes do segundo turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 25 de outubro. A nota aparece na página de notas à imprensa do próprio Ministério, com o título “Novas ofensas do Presidente da Argentina”.
Segundo o Metrópoles, Milei publicou no X um trecho da entrevista de Lula ao SBT. Na mensagem, ele escreveu que espera que “o último truque sujo da campanha deles não inclua roubar a eleição”. Ele também chamou Lula de “esquerdista ladrão” e insinuou fraude, sem apresentar provas.
As críticas não são novas. Em julho, o Itamaraty convocou o embaixador argentino em Brasília para prestar esclarecimentos após falas de Milei na convenção do PL, partido de Flávio Bolsonaro. Segundo o SBT News, o Brasil também chamou para consultas seu representante em Buenos Aires.
O que é uma nota de repúdio
Uma nota de repúdio é um comunicado oficial do governo. Ela registra, por escrito, o protesto formal contra uma ação de outro país. Na nota desta semana, o Itamaraty diz que Milei “reitera mentiras difundidas por aqueles que perderam as eleições”, segundo o Metrópoles.
O texto também afirma que o sistema de votação eletrônica é “comprovadamente seguro”, segundo a reprodução feita pelo O Mundo Diplomático. Segundo a mesma reportagem, a nota diz que a decisão cabe exclusivamente ao povo brasileiro.
Sem base para dizer se é inédito
Não encontramos levantamento que conte quantas vezes o Itamaraty publicou notas assim contra chefes de Estado de sócios do Mercosul, o bloco comercial do Cone Sul. Por isso, esta reportagem não afirma se o caso é inédito. Em julho, a professora de Relações Internacionais Flávia Loss, do Instituto Mauá de Tecnologia, disse ao SBT News que a conduta de Milei rompe normas diplomáticas entre democracias.
A relação já estava abalada desde julho, quando os dois governos trocaram convocações de embaixadores. A nota desta semana amplia esse atrito às vésperas da votação.
O que diz Javier Milei: No X, ele escreveu que espera que “o último truque sujo da campanha deles não inclua roubar a eleição”, segundo o Metrópoles. Não encontramos resposta do governo argentino à nota brasileira.
O que fica em aberto
Ainda não se sabe se o governo argentino responderá à nota. A eleição brasileira segue com as regras já existentes, e a própria nota diz que a escolha é dos eleitores. O que muda, a partir de agora, é o tom das relações entre os dois países até o resultado de 25 de outubro.
Como fizemos: Usamos a nota do Itamaraty, publicada em 20/10/2026 na página oficial de notas à imprensa do Ministério, e as reproduções do Metrópoles (20/10/2026) e do O Mundo Diplomático (21/10/2026), acessadas em 21/10/2026. Os trechos da nota citados são os que essas reportagens reproduzem; o texto integral não foi encontrado. Não há cálculos nem séries de dados, e não é possível afirmar a frequência desse tipo de nota sem uma base de comparação.
Fontes
- Nota à imprensa nº 320, “Novas ofensas do Presidente da Argentina” — Itamaraty (acesso em 21/10/2026)
- Itamaraty repudia declarações de Milei e fala em “ingerência externa” — Metrópoles
- Itamaraty acusa Milei de tentar interferir na eleição brasileira — O Mundo Diplomático
- Itamaraty convoca embaixador da Argentina para prestar esclarecimentos após críticas de Milei — O Povo
- Milei rompe tradição diplomática, diz especialista — SBT News



