Terras raras: valor está no refino, não apenas na reserva
Brasil tem a segunda maior reserva, enquanto China concentra 85% do refino. Disputa pode atrair investimento, mas exige capacidade industrial nacional.

O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas a China concentrava cerca de 85% do refino global em 2025. A comparação resume o desafio brasileiro: possuir minério não equivale a dominar a tecnologia nem a reter o valor da cadeia.
Terras raras são 17 elementos químicos usados em carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares. A disputa entre China e Estados Unidos pode atrair recursos e empregos ao país. O resultado dependerá de quanto processamento, pesquisa e produção industrial será instalado aqui.
Extração e refino são etapas diferentes
A extração retira o minério da jazida. O refino separa e purifica os elementos para que possam ser usados pela indústria. Depois vêm etapas como fabricação de ligas, ímãs e componentes. Cada fase exige investimento, conhecimento técnico e controle ambiental próprios. Por isso, uma reserva abundante não produz automaticamente um ímã pronto para uso.
O preço varia conforme o elemento e o grau de processamento. Em 2025, o quilo do óxido de neodímio processado custou, em média, US$ 73, segundo o g1. O dado não pode ser multiplicado por toda a reserva brasileira. As jazidas contêm elementos e concentrações diferentes, além de custos de produção.
Cadeia global combina reserva brasileira e refino concentrado Indicadores divulgados em 28 de outubro de 2026
| Ponto da cadeia | Dado | Significado |
|---|---|---|
| Reserva brasileira | 2ª maior do mundo | Potencial geológico, não produção garantida |
| Refino mundial na China | Cerca de 85% em 2025 | Dependência tecnológica e industrial |
| Financiamento americano à Serra Verde | US$ 565 milhões | Expansão da produção em Goiás |
| Óxido de neodímio processado | US$ 73 por kg em 2025 | Preço médio de um produto específico |
Fonte: g1 Explica. Elaboração: redação.
Investimento externo não define destino industrial
Uma agência do governo americano firmou financiamento de US$ 565 milhões com a Serra Verde, empresa que produz terras raras em Goiás. O aporte demonstra o interesse dos Estados Unidos em diversificar fornecedores. Não informa, por si só, quanta tecnologia ou processamento adicional ficará no Brasil.
Essa diferença importa para trabalhadores e regiões produtoras. A mina gera atividade econômica, mas etapas posteriores podem criar fornecedores especializados e empregos técnicos. Exportar concentrado mantém o país na ponta menos complexa da cadeia, enquanto outros mercados produzem componentes de maior valor.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) anunciaram R$ 5 bilhões em 2025 para transformar minerais estratégicos. A iniciativa inclui terras raras e prevê apoio à produção de células de baterias, células fotovoltaicas e ímãs permanentes, segundo a CNN Brasil.
Financiamento e reserva não devem ser comparados como se fossem a mesma grandeza. O primeiro é recurso para projetos; a segunda é estimativa geológica. Avaliar política industrial exige acompanhar projetos contratados, capacidade instalada e conteúdo nacional.
O que diz o BNDES: O banco defende ampliar a atuação para além da extração, segundo a CNN Brasil. O programa com a Finep destina R$ 5 bilhões à transformação de minerais estratégicos, incluindo a fabricação de ímãs e outros produtos finais.
O que o Brasil deve medir daqui em diante
A disputa internacional oferece uma janela, mas não garante desenvolvimento. O país precisa medir onde ocorre o refino, quem compra a produção e quais fornecedores nascem ao redor dos projetos. Também precisa avaliar impactos ambientais e cumprimento das regras de mineração.
Soberania mineral não significa recusar todo capital estrangeiro. Significa negociar com regras claras e transformar recursos naturais em capacidade nacional. Para o leitor, o sinal mais importante não será apenas o volume exportado. Será a quantidade de processamento, tecnologia e emprego qualificado criada no Brasil.
Como fizemos: Consultamos os dados reunidos pelo g1 Explica e o programa do BNDES e da Finep noticiado pela CNN Brasil, acessados em 28/10/2026. A tabela separa geologia, refino, financiamento e preço. Não calculamos valor das reservas, pois composição mineral, custos e viabilidade econômica variam por jazida.
Fontes
- g1 Explica: o que o Brasil tem a ganhar ou perder na disputa por terras raras, 28/10/2026 (acesso em 28/10/2026)
- CNN Brasil: BNDES quer ampliar atuação em terras raras e minerais críticos (acesso em 28/10/2026)
- Wikimedia Commons: mina e processamento de Mountain Pass, foto de Tmy350 (CC BY-SA 4.0) (acesso em 28/10/2026)



