Comércio exterior

Previsão de embarques de grãos cai, mas farelo avança 44,2%

Anec reduz estimativas de soja e milho para outubro, mas mantém altas do farelo. Dois portos concentram quase 60% da soja programada nesta semana.

Porto fluvial com silos, esteiras e estruturas de carregamento de soja às margens de um rio.
Estrutura de embarque de soja para exportação no porto fluvial de Cáceres, em Mato Grosso, em setembro de 2008.Foto: Allan Patrick / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) reduziu nesta quarta-feira (28) a previsão de embarques de soja e milho do Brasil em outubro. O corte chega a 11,2% no milho. Na direção contrária, o farelo de soja deve crescer 44,2% sobre o volume exportado no mesmo mês de 2025.

Os dados vêm da programação de navios, não do registro final das exportações. Por isso, indicam movimento esperado nos portos e podem mudar. A leitura mais útil está nos contrastes: grãos perdem volume na previsão semanal, enquanto o produto processado mantém expansão anual.

Milho sofre o maior corte da semana

A estimativa para a soja passou de 6,40 milhões para 6,15 milhões de toneladas, recuo de 3,9%. A previsão do milho caiu de 6,87 milhões para 6,10 milhões. O farelo teve redução pequena, de 2,52 milhões para 2,49 milhões de toneladas.

Na comparação anual, os resultados são distintos. A soja esperada para outubro fica 3,8% abaixo de 2025. O milho ainda cresce 7,1%, apesar do corte semanal. O farelo combina alta anual de 44,2% e avanço de 28,5% sobre setembro.

Farelo mantém força mesmo com revisão da programação Previsões de embarque para outubro de 2026, em milhões de toneladas

Produto Previsão anterior Nova previsão Variação sobre outubro de 2025
Soja 6,40 6,15 -3,8%
Milho 6,87 6,10 +7,1%
Farelo de soja 2,52 2,49 +44,2%

Fonte: Anec e Cargonave, segundo Agência Estado. Elaboração: redação.

Acumulado revela trajetórias diferentes

De janeiro a outubro, considerando a programação deste mês, a soja soma 107,55 milhões de toneladas. O volume cresce 6% sobre os 101,48 milhões do mesmo período de 2025. O milho acumula 25,56 milhões, queda de 13,8% no mesmo critério.

O farelo chega a 21,80 milhões de toneladas no acumulado, alta de 14%. O desempenho não prova uma mudança permanente na pauta exportadora. Mostra, porém, que o derivado da soja atravessa outubro com mais força que o grão, dentro dos dados disponíveis.

A concentração geográfica também chama atenção. Na semana de 25 a 31 de outubro, Paranaguá e Rio Grande somam 799,8 mil toneladas de soja programadas. Isso equivale a 59,7% do total semanal de 1,34 milhão. Em Santos, estão previstas 637,3 mil toneladas de milho, ou 35,6% da semana.

Essas participações foram calculadas a partir do line-up, lista de navios e cargas programadas. A concentração torna o acompanhamento das condições operacionais especialmente importante. Atraso, clima ou mudança de escala em um terminal pode alterar a previsão sem significar queda na produção nacional.

O que diz a Anec: A entidade informa que os números são baseados na programação de embarques elaborada com dados da Cargonave. Os volumes podem sofrer alterações conforme as condições operacionais dos portos e outros fatores logísticos, segundo a Agência Estado.

Destinos mostram dependências distintas

No acumulado até setembro, a China recebeu 70% da soja brasileira. Espanha ficou com 4%, e Tailândia, Turquia e Paquistão tiveram 3% cada. No milho, o Egito liderou com 25%, seguido por Irã, com 14%, e Vietnã, com 10%.

No farelo, a Indonésia respondeu por 17% dos embarques. Holanda e Tailândia tiveram 11% cada, e o Irã, 10%. A diversificação maior de compradores do derivado não elimina riscos logísticos, mas distribui a demanda entre mais mercados.

O próximo dado será a atualização semanal da Anec e, depois, a estatística oficial de exportações do governo. Até lá, a conclusão é limitada: a programação caiu para soja e milho, enquanto o farelo conserva crescimento expressivo. Não se deve confundir previsão portuária com embarque concluído.

Como fizemos: Usamos o relatório semanal da Anec reproduzido pela Agência Estado, acessado em 28/10/2026. Somamos Paranaguá e Rio Grande e dividimos o resultado pelo total semanal de soja. Repetimos o cálculo para o milho em Santos. Os dados são programação, não exportação definitiva, e podem ser revisados.

Fontes