Previsão de embarques de grãos cai, mas farelo avança 44,2%
Anec reduz estimativas de soja e milho para outubro, mas mantém altas do farelo. Dois portos concentram quase 60% da soja programada nesta semana.

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) reduziu nesta quarta-feira (28) a previsão de embarques de soja e milho do Brasil em outubro. O corte chega a 11,2% no milho. Na direção contrária, o farelo de soja deve crescer 44,2% sobre o volume exportado no mesmo mês de 2025.
Os dados vêm da programação de navios, não do registro final das exportações. Por isso, indicam movimento esperado nos portos e podem mudar. A leitura mais útil está nos contrastes: grãos perdem volume na previsão semanal, enquanto o produto processado mantém expansão anual.
Milho sofre o maior corte da semana
A estimativa para a soja passou de 6,40 milhões para 6,15 milhões de toneladas, recuo de 3,9%. A previsão do milho caiu de 6,87 milhões para 6,10 milhões. O farelo teve redução pequena, de 2,52 milhões para 2,49 milhões de toneladas.
Na comparação anual, os resultados são distintos. A soja esperada para outubro fica 3,8% abaixo de 2025. O milho ainda cresce 7,1%, apesar do corte semanal. O farelo combina alta anual de 44,2% e avanço de 28,5% sobre setembro.
Farelo mantém força mesmo com revisão da programação Previsões de embarque para outubro de 2026, em milhões de toneladas
| Produto | Previsão anterior | Nova previsão | Variação sobre outubro de 2025 |
|---|---|---|---|
| Soja | 6,40 | 6,15 | -3,8% |
| Milho | 6,87 | 6,10 | +7,1% |
| Farelo de soja | 2,52 | 2,49 | +44,2% |
Fonte: Anec e Cargonave, segundo Agência Estado. Elaboração: redação.
Acumulado revela trajetórias diferentes
De janeiro a outubro, considerando a programação deste mês, a soja soma 107,55 milhões de toneladas. O volume cresce 6% sobre os 101,48 milhões do mesmo período de 2025. O milho acumula 25,56 milhões, queda de 13,8% no mesmo critério.
O farelo chega a 21,80 milhões de toneladas no acumulado, alta de 14%. O desempenho não prova uma mudança permanente na pauta exportadora. Mostra, porém, que o derivado da soja atravessa outubro com mais força que o grão, dentro dos dados disponíveis.
A concentração geográfica também chama atenção. Na semana de 25 a 31 de outubro, Paranaguá e Rio Grande somam 799,8 mil toneladas de soja programadas. Isso equivale a 59,7% do total semanal de 1,34 milhão. Em Santos, estão previstas 637,3 mil toneladas de milho, ou 35,6% da semana.
Essas participações foram calculadas a partir do line-up, lista de navios e cargas programadas. A concentração torna o acompanhamento das condições operacionais especialmente importante. Atraso, clima ou mudança de escala em um terminal pode alterar a previsão sem significar queda na produção nacional.
O que diz a Anec: A entidade informa que os números são baseados na programação de embarques elaborada com dados da Cargonave. Os volumes podem sofrer alterações conforme as condições operacionais dos portos e outros fatores logísticos, segundo a Agência Estado.
Destinos mostram dependências distintas
No acumulado até setembro, a China recebeu 70% da soja brasileira. Espanha ficou com 4%, e Tailândia, Turquia e Paquistão tiveram 3% cada. No milho, o Egito liderou com 25%, seguido por Irã, com 14%, e Vietnã, com 10%.
No farelo, a Indonésia respondeu por 17% dos embarques. Holanda e Tailândia tiveram 11% cada, e o Irã, 10%. A diversificação maior de compradores do derivado não elimina riscos logísticos, mas distribui a demanda entre mais mercados.
O próximo dado será a atualização semanal da Anec e, depois, a estatística oficial de exportações do governo. Até lá, a conclusão é limitada: a programação caiu para soja e milho, enquanto o farelo conserva crescimento expressivo. Não se deve confundir previsão portuária com embarque concluído.
Como fizemos: Usamos o relatório semanal da Anec reproduzido pela Agência Estado, acessado em 28/10/2026. Somamos Paranaguá e Rio Grande e dividimos o resultado pelo total semanal de soja. Repetimos o cálculo para o milho em Santos. Os dados são programação, não exportação definitiva, e podem ser revisados.
Fontes
- Agência Estado: Anec reduz previsão de soja a 6,15 milhões e de milho a 6,10 milhões de toneladas (acesso em 28/10/2026)
- Investing.com: Anec reduz previsão de exportação de milho e soja do Brasil em outubro (acesso em 28/10/2026)
- Wikimedia Commons: embarque de soja no porto de Cáceres, foto de Allan Patrick (CC BY-SA 2.0) (acesso em 28/10/2026)



