Comércio exterior

Corretagem zero não elimina os custos da B3 para o investidor

Emolumentos da B3, taxa de custódia e imposto sobre o ganho ainda pesam. Veja como conferir a corretora na CVM antes de abrir conta.

Fachada de pedra do edifício histórico da antiga Bolsa de Mercadorias & Futuros, com a porta de entrada iluminada pelo logotipo azul da B3.
Entrada do edifício da B3 na Praça Antônio Prado, no centro de São Paulo, em foto de dezembro de 2021.Foto: Fulviusbsas / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A B3, a bolsa de valores brasileira, informou em 17 de setembro que 5,7 milhões de CPFs estavam em renda variável no segundo trimestre de 2026. CPF é o número que identifica cada pessoa no país. Quem quer entrar nesse grupo começa por escolher quem vai intermediar a compra.

Renda variável reúne aplicações cujo preço muda todo dia, como ações. Uma ação é uma pequena parte de uma empresa, negociada na bolsa.

Primeiro, confira a corretora

A compra passa por uma corretora ou outra instituição financeira. Ela precisa de autorização prévia do Banco Central para funcionar. A bolsa, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e o Banco Central também a fiscalizam, segundo o portal do investidor do governo.

Para conferir, consulte o Cadastro Geral da CVM. O nome da empresa não basta. A CVM alerta que golpistas podem usar dados de empresas legítimas, por isso vale checar se os contatos batem com o cadastro oficial.

Depois, a conta e o perfil

Ao abrir a conta, a corretora pede dados cadastrais. Ela também aplica o questionário de perfil de investidor, chamado de suitability. Segundo a B3, o questionário mede o apetite de risco de quem responde.

As respostas definem um perfil, geralmente conservador, moderado ou agressivo. A corretora deve oferecer apenas produtos compatíveis com esse perfil.

O que ainda é cobrado

Muitas corretoras anunciam corretagem zero para ações. A B3, porém, cobra emolumentos, taxas da bolsa por operação. Na tabela à vista, o total vai de 0,03% a 0,0225% do valor negociado, conforme o volume do investidor no mês.

Em uma compra de R$ 1.000, isso dá cerca de R$ 0,23 a R$ 0,30 de emolumentos (cálculo nosso). A custódia, a guarda dos papéis na bolsa, é cobrada sobre o saldo. Posições até R$ 26.471,77 são isentas, pelo valor da consulta de 26/10/2026. Contas paradas por mais de 60 meses pagam R$ 3,82 por mês.

No Tesouro Direto, que vende títulos públicos federais, a custódia é de 0,2% ao ano. Para o Tesouro Selic, há isenção até R$ 10 mil por CPF. A instituição financeira ainda cobra taxa própria, livremente acordada com o investidor.

Fundos de investimento e ETFs, que seguem um índice, cobram taxa de administração. A CVM explica essa cobrança em sua cartilha sobre fundos.

Imposto, lote e garantia

Pela regra da Receita Federal, o ganho com ações vendidas na bolsa fica isento se o total vendido no mês, por tipo de ativo, for de até R$ 20.000. Acima disso, o ganho paga 15%. Day trade, a compra e venda no mesmo dia, paga 20% e não tem isenção.

A página da Receita consultada é de junho de 2024. Não encontramos mudança posterior nessa regra, mas confirme antes de declarar.

Ações costumam ser negociadas em lotes de 100 unidades. No mercado fracionário, dá para comprar uma ação ou lotes de até 99. Os direitos são os mesmos, mas o preço pode variar e pode faltar liquidez na venda.

O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) cobre até R$ 250 mil por CPF em cada instituição. Ele garante poupança e títulos de bancos, como o certificado de depósito bancário (CDB). Ações e fundos de investimento não têm essa garantia.

Sinais de golpe

A CVM mantém uma lista de ofertas e atuações irregulares. Antes de depositar dinheiro, consulte a lista e confirme a corretora no cadastro da CVM. Renda variável não tem retorno garantido.

O que diz a CVM: Em sua página de alertas, a autarquia orienta: “Na dúvida, ligue para a Central de Atendimento da CVM: 0800-025-9666 (dias úteis, das 8h às 20h).” A redação não enviou perguntas; a orientação vem do texto público.

O que isso significa

Entrar na bolsa exige três conferências: a autorização da corretora, o que é cobrado e o perfil de risco. Ações podem perder valor, e pânicos podem aprofundar as quedas. Em uma única empresa, o investidor pode perder parte ou todo o dinheiro. Esta reportagem não diz se comprar ou vender, nem indica produtos.

Como fizemos: Usamos páginas oficiais acessadas em 26/10/2026: tarifas à vista e de custódia da B3, Tesouro Direto, Receita Federal, FGC, CVM e portal do investidor. A tabela da B3 não informa a data de vigência. O exemplo de R$ 1.000 é nosso cálculo, com as taxas de 0,03% e 0,0225%. Não conseguimos abrir o texto completo da cartilha da CVM sobre fundos, e a página da Receita é de 2024. Não verificamos a corretagem de cada corretora.

Fontes