Lula sancionou a lei que protege nossos minerais. A falsa direita foi oferecer parceria no Texas
A lei dos minerais críticos nasceu de um deputado de centro-direita e cria filtro para compras estrangeiras. Flávio preferiu oferecer parceria nos EUA.
Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as da Revista Soberania.

Em 16 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A lei cria créditos tributários de R$ 1 bilhão por ano entre 2030 e 2034 e um fundo garantidor de até R$ 5 bilhões, segundo o JB. Cria também um conselho que pode revisar compras de empresas do setor por estrangeiros.
Seis meses antes, em 28 de março, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estava num palco do Texas. Na CPAC, a conferência anual da direita americana, ofereceu o Brasil como saída dos Estados Unidos para a dependência da China em terras raras, segundo o Poder360. A comparação diz quase tudo sobre a falsa direita.
Uma lei que a direita deveria assinar embaixo
Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o agro, precisamos olhar para essa lei sem preconceito. Ela não nasceu no PT. Segundo o jornal O Tempo, a proposta saiu do Congresso, de autoria de um deputado do União, partido de centro-direita.
O conteúdo também é de direita, no melhor sentido. A lei não estatiza minas nem expulsa investidor. Ela oferece incentivo fiscal a quem produzir aqui e garantia para atrair capital privado. E cria um filtro para que ativos estratégicos não mudem de dono sem análise do Estado.
Esse filtro não é invenção brasileira. Os próprios Estados Unidos mantêm um comitê, o CFIUS, que examina compras de empresas americanas por estrangeiros em nome da segurança nacional. Quem admira os EUA deveria admirar também essa prudência.
Terras raras são metais usados em ímãs, baterias e equipamentos de defesa. Não são uma commodity qualquer. Quem as controla tem peso na disputa entre Washington e Pequim, e o Brasil tem esse peso.
O que a falsa direita ofereceu
Enquanto o Congresso desenhava regras, Flávio fazia promessas. Em 26 de maio, na Casa Branca, garantiu ao governo de Donald Trump parcerias de longo prazo em terras raras, com “investimento protegido”, segundo a CNN Brasil.
Em 12 de setembro, o Estado de Minas revelou um documento de 22 páginas com a marca “Flávio Bolsonaro, 2026 Campaign”. O material propunha uma aliança mineral com os EUA e mudanças nas regras de mineração. O autor, André Marinho, do Novo, diz que foi um exercício pessoal e nunca enviado.
O mercado americano, enquanto isso, já tinha agido. Em 20 de abril, a USA Rare Earth acertou a compra da Serra Verde, em Goiás, única mina comercial de terras raras do país, por US$ 2,8 bilhões. Segundo a Reuters, toda a produção vai para um comprador apoiado pelos EUA.
É exatamente o tipo de operação que um conselho de revisão existe para examinar. Não para proibir, mas para garantir que o Brasil saiba o que está vendendo, e a quem.
Na sanção, Lula criticou adversários que, em suas palavras, “caíram de joelho” aos EUA, registrou o jornal O Tempo. A frase é de campanha, e o leitor de direita pode torcer o nariz. Mas os fatos acima dão a ela um endereço.
A diferença entre as duas posturas é de método. Uma define as regras e depois convida o investidor. A outra convida primeiro e deixa as regras para quando o contrato já estiver encaminhado.
O debate e a resposta que não veio
No debate da Band, em 18 de outubro, Lula perguntou se Flávio entregaria as terras raras aos Estados Unidos. Segundo o Correio Braziliense, Flávio chamou a acusação de fake news. Os veículos divergem sobre se ele chegou a negar a pergunta de forma direta.
É justo registrar que o plano de Flávio fala em processar mais minério no Brasil e em transferência de tecnologia, segundo o Brasil de Fato. Mas plano é papel. O que se viu no Texas e na Casa Branca foi a oferta antes da regra.
O que diz Flávio: No debate da Band, Flávio chamou de fake news a acusação de que entregaria as terras raras aos EUA e disse que foi aos Estados Unidos para defender empresas brasileiras, segundo o Correio Braziliense.
Ninguém aqui pede que você goste de Lula. Pede-se que o eleitor de direita reconheça uma boa lei quando ela nasce do próprio campo. Em 25 de outubro, a escolha é entre quem pôs regra nos nossos minerais e quem foi oferecê-los no Texas.
Fontes
- Lula sanciona lei que cria política nacional de minerais críticos — JB
- Lula sanciona lei dos minerais críticos e critica adversários que ‘caíram de joelho’ aos EUA — O Tempo
- Assista ao discurso de Flávio Bolsonaro nos EUA e leia a íntegra — Poder360
- Terras raras: se eleito, Flávio diz que fará parcerias estratégicas com EUA — CNN Brasil
- Terras raras: plano com marca de Flávio Bolsonaro prevê parceria com EUA — Estado de Minas
- USA Rare Earth buys Brazil’s Serra Verde for $2.8 billion — Reuters via Investing.com
- Lula questiona Flávio sobre terras raras e desafia senador — Correio Braziliense
- Quem vai controlar as terras raras do Brasil? — Brasil de Fato



