Opinião

Eduardo foi condenado por pedir sanções contra o Brasil. Flávio quer a faixa

Condenado pelo STF, Eduardo promete voltar a pressionar os EUA se o irmão vencer. Um governo Flávio seria um projeto de família, não da direita.

Este é um artigo de opinião. Ele reflete as ideias do autor, não necessariamente as da Revista Soberania.

Fachada do Palácio do Planalto, em Brasília, com a placa de identificação em primeiro plano e céu azul com nuvens.
O Palácio do Planalto, sede da Presidência da República, em Brasília, em abril de 2020.Foto: Pedro França / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 16 de junho de 2026, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Eduardo Bolsonaro a 4 anos e 2 meses de prisão por coação. Segundo a Agência Brasil, ele buscou tarifas e sanções americanas para interromper o julgamento do pai. Quatro meses depois, o irmão dele, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), está a poucos dias de disputar a faixa presidencial.

Nós, que defendemos a Lava Jato, a polícia e o agro, temos o dever de fazer uma pergunta simples. O que a família faria com a cadeira mais importante do país? A resposta, infelizmente, já está nos registros.

O irmão já anunciou o plano

Eduardo não esconde o que pretende fazer se Flávio vencer. Segundo o Poder360, ele diz que vai atuar nos Estados Unidos para retomar as sanções da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. É uma lei americana que permite bloquear bens e vistos de estrangeiros.

Ou seja, o condenado por coação promete repetir a conduta, agora com o irmão no Palácio do Planalto. Não se trata de discordar de um juiz. Trata-se de pedir a um governo estrangeiro que castigue uma instituição brasileira.

A imprensa de centro-direita percebeu o risco. O site O Antagonista advertiu que Flávio não seria eleito para montar um novo governo Bolsonaro, com Alexandre Ramagem na Polícia Federal e Eduardo no Itamaraty. O alerta faz sentido para quem acompanha a política externa: o Itamaraty não pode virar escritório de causa familiar.

O Itamaraty é a casa da diplomacia profissional do país, com carreira de Estado e tradição de negociar com todos. Sua força vem justamente de não servir a um grupo. Quando a política externa passa a atender a interesses de uma família, o Brasil perde credibilidade em todas as mesas.

Os negócios da família no exterior

O laço entre os irmãos também passa pelo caso Dark Horse. O banqueiro Daniel Vorcaro prometeu US$ 24 milhões para um filme sobre Jair Bolsonaro, negociados por Flávio. Segundo o Intercept Brasil, o dinheiro foi para a Havengate, um fundo no Texas administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo.

Em 22 de julho, o ministro André Mendonça abriu inquérito no STF sobre o caso. A investigação apura suspeitas de lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas, segundo a Agência Brasil. Flávio e Eduardo são investigados. Nenhum dos dois é réu nesse caso.

E há o pai. Flávio promete uma anistia na transição e, se ela falhar, um indulto a Jair Bolsonaro, condenado por tentativa de golpe, segundo a Euronews. Indulto é o perdão de pena concedido pelo presidente.

Somados, os fatos desenham uma agenda de governo. Livrar o pai e acertar contas com o Supremo, com um irmão disposto a buscar ajuda em Washington.

Isso não é a direita

A direita brasileira não precisa disso. Ela tinha nomes sem esse histórico, como Tarcísio de Freitas e Ronaldo Caiado. E tem eleitores que querem ordem, mercado e soberania, não uma vingança de família.

Um governo Flávio amarraria a marca da direita ao sobrenome Bolsonaro por quatro anos. Cada pedido de Eduardo em Washington seria cobrado de todos nós. Cada notícia do caso Vorcaro também.

O conservador defende instituições acima de pessoas. Defende a lei acima do sobrenome. Por isso, não pode tratar como detalhe um candidato cujo irmão foi condenado por agir contra o próprio país.

Flávio diz que vai governar um só mandato. Mas a promessa depende de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que precisa de três quintos das duas Casas e está parada no Senado. Um analista ouvido pela Gazeta do Povo a chamou de “principalmente simbólica”.

O que diz Flávio: Flávio chama o julgamento do pai de “farsa” e defende a anistia como resposta a uma perseguição política. Em 16 de outubro, prometeu cumprir um único mandato e disse que a regra contra a reeleição deveria valer também para seus parentes, segundo o Poder360.

Ninguém aqui pede que você goste de Lula. O voto contra Flávio, em 25 de outubro, é tático: impede que a direita vire, por quatro anos, sinônimo de uma família. A faixa presidencial é do Brasil. Não pode servir de escudo para quem pediu sanções contra ele.

Fontes