Mercosul

Brasil e União Europeia negociam volta do frango e do mel ao bloco

Em reunião nos EUA, comissário europeu disse esperar a retomada das compras no curto prazo; Brasil pediu o mesmo tratamento para a carne bovina.

Homem de terno e gravata ao lado de uma mulher de vestido preto, ao ar livre.
O comissário europeu Maroš Šefčovič em visita a Zagreb, na Croácia, em julho de 2024, em foto de arquivo.Foto: Damir Sencar / União Europeia / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

Na quarta-feira (30), o chanceler Mauro Vieira e o ministro Márcio Elias Rosa se reuniram com o comissário de Comércio da União Europeia (UE), Maroš Šefčovič. Rosa comanda o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O encontro foi em Milwaukee, nos Estados Unidos, durante a reunião de ministros de Comércio do G20, o grupo das maiores economias do mundo.

O relato está em comunicado do MDIC e do Itamaraty, como é chamado o Ministério das Relações Exteriores. Segundo o texto, a UE espera retomar no curto prazo as compras de carne de aves e de mel do Brasil, depois de etapas burocráticas. O Brasil pediu um processo mais rápido também para a carne bovina.

Por que as vendas pararam

Desde 3 de setembro, a UE restringe a entrada de produtos brasileiros de origem animal. A medida se baseia no Regulamento (UE) 2019/6, que trata de remédios veterinários. Antimicrobianos são remédios contra micróbios, como os antibióticos.

Pela regra, quem vende ao bloco precisa provar que não usa esses remédios para acelerar o crescimento dos animais. Também precisa respeitar limites ao uso dos que são reservados a pessoas, segundo a Estadão Conteúdo. O bloco anunciou a exclusão do Brasil da lista de fornecedores autorizados em 12 de maio.

Em agosto, antes da restrição, a UE comprou 42,4 mil toneladas de carne de frango do Brasil. O dado é da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), citado pela agência Estadão Conteúdo.

A reação do governo

No dia em que a medida começou, o Itamaraty e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) divulgaram nota conjunta. O governo manifestou “profunda preocupação” e lembrou que enviou documentos sobre aves, pescados, carne bovina, ovos e mel.

A nota apontou um problema maior. Os produtos atingidos tinham cotas e tarifas menores no acordo entre o Mercado Comum do Sul (Mercosul) e a UE, em vigor de forma provisória desde maio. Excluí-los, diz o texto, pode alterar o “equilíbrio de concessões” que permitiu fechar o acordo.

Sem uma solução a tempo, o governo se reservou o direito de adotar “medidas de reciprocidade” previstas na lei brasileira. Citou ainda os mecanismos do próprio acordo e do sistema multilateral de comércio.

A auditoria

O Brasil aceitou uma auditoria europeia nas cadeias de aves e de mel, feita de 24 de agosto a 4 de setembro. Em 28 de setembro, a Comissão Europeia publicou o relatório final. Segundo o Mapa, o documento considerou satisfatório o sistema brasileiro e não aponta impedimento técnico à volta do país à lista de fornecedores de aves e mel.

A decisão final cabe a um comitê técnico da Comissão Europeia que trata de plantas, animais, alimentos e rações. O Mapa pediu que o caso entre na pauta da reunião marcada para 20 e 21 de outubro.

Em Milwaukee, os dois lados também falaram de aço. A UE revisa a divisão das cotas de importação de produtos siderúrgicos, o que pode beneficiar o Brasil, com novas etapas em 2027.

O que diz a Comissão Europeia: A posição europeia foi relatada no comunicado conjunto do Itamaraty e do MDIC de 30 de setembro. Segundo o texto, Šefčovič citou a auditoria positiva feita no Brasil semanas antes. Ele disse esperar a retomada das exportações de aves e mel no curto prazo, concluídos os trâmites burocráticos.

A volta do frango e do mel ainda depende da decisão do comitê europeu, prevista para a reunião de outubro. Para a carne bovina, não há data. Para o Brasil, o caso testa se o acordo com a UE vai entregar o acesso ao mercado que foi negociado.

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