Itamaraty

Diplomatas temem mudança de embaixada em Israel se Flávio vencer

Segundo O Globo, diplomatas temem que Flávio Bolsonaro mude a embaixada em Israel para Jerusalém. A promessa existe, mas não há decisão oficial.

Fachada do Palácio do Itamaraty, em Brasília, com grandes colunas de concreto e janelas com grades em segundo plano.
Fachada do Palácio do Itamaraty, em Brasília, sede do Ministério das Relações Exteriores.Foto: Francisco Willian Saldanha / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Diplomatas do Itamaraty temem que, se Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), vencer a eleição de 25 de outubro, o Brasil transfira a embaixada em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. O receio aparece em reportagens publicadas nesta quinta-feira (22), três dias antes do segundo turno. Itamaraty é o nome popular do Ministério das Relações Exteriores.

Segundo o Brasil 247, a informação foi apurada pelo colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Trata-se de relatos de bastidores, e não de decisão oficial. As fontes são diplomatas que falaram sob reserva.

Um embaixador ouvido sob reserva pela Agenda do Poder resumiu a visão do grupo: “É uma provocação desnecessária.” Segundo o Brasil 247, essa opinião é predominante no órgão. A mesma reportagem cita o temor de uma “caça às bruxas” caso Flávio vença.

A promessa não é nova. Em 2018, Jair Bolsonaro, pai de Flávio, disse que seguiria esse caminho, mas recuou depois, segundo o Brasil 247. Em 31 de março de 2019, o governo confirmou a abertura de um escritório de comércio em Jerusalém. A embaixada seguiu em Tel Aviv, segundo o Poder360.

Levar a embaixada para Jerusalém tem peso político. Segundo o Brasil 247, a medida simbolizaria o reconhecimento de Jerusalém como capital israelense, algo que os palestinos rejeitam. A relação diplomática também está rebaixada. Em 28 de maio de 2024, o governo Lula retirou o embaixador Frederico Meyer de Tel Aviv, segundo o Poder360. Desde então, a embaixada é chefiada por um encarregado de negócios, diplomata que responde pela missão sem ser embaixador.

Promessa repetida na campanha

Flávio prometeu levar a embaixada para Jerusalém se for eleito. A fala foi em Buenos Aires, no dia 28 de junho, na abertura da Conferência de Presidentes da América Latina, segundo o JB e o Portal Tela. O evento foi promovido pela Fundação dos Aliados de Israel, de acordo com o JB.

Em entrevista ao Canal 14, emissora israelense, ele chamou a mudança de “um compromisso pessoal que assumo de todo o coração”. O Tribuna do Planalto, que publicou a entrevista em 8 de outubro, diz que a conversa foi em julho, sem dia exato.

Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, também defendeu a mudança, segundo o SBT News. Pela mesma reportagem, diplomatas temem que ele seja indicado para o Itamaraty. O cargo de chanceler é o de ministro das Relações Exteriores.

Eduardo fora do cargo, segundo Flávio

Na entrevista à TV Globo, na sexta-feira (16), Flávio descartou o irmão para a chancelaria. “Ele não vai ser meu chanceler”, disse, segundo O Povo.

Nos bastidores, defende-se que o Itamaraty continue com um diplomata de carreira. Roberto Azevêdo, ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), é citado como alternativa, segundo o Brasil 247. A Agenda do Poder informa que não há indicação oficial de Flávio para o posto.

O que diz o Itamaraty: Até a publicação, não encontramos manifestação pública do Itamaraty sobre as reportagens. Flávio disse à TV Globo que Eduardo “não vai ser meu chanceler”. Não encontramos resposta pública da campanha de Flávio às reportagens desta quinta-feira.

O que isso significa

Por enquanto, o caso é de bastidor. A promessa de Flávio sobre Jerusalém é pública e foi repetida em entrevistas. Ainda assim, não há decisão do governo, nem ato formal, nem data para a mudança.

O precedente mais concreto é o de 2019. Naquele ano, o governo abriu um escritório em Jerusalém e manteve a embaixada em Tel Aviv. A eleição será no domingo (25). Só depois dela se saberá se a promessa vira política.

Como fizemos: Checamos reportagens publicadas em 22 de outubro de 2026 pelo Brasil 247, Plantão Brasil e Agenda do Poder, além de JB, Portal Tela, Poder360, O Povo, SBT News e Tribuna do Planalto, acessadas em 22 de outubro de 2026. Não tivemos acesso à coluna original de Lauro Jardim, no O Globo, e não há transcrição integral da entrevista à TV Globo. Não enviamos perguntas ao Itamaraty nem à campanha de Flávio antes da publicação, por isso não há resposta registrada. Não encontramos documento oficial recente do governo sobre o tema.

Fontes