Itamaraty

Sem embaixador em Israel desde 2024, embaixada segue com encarregado

Desde a retirada de Frederico Meyer, em maio de 2024, a embaixada do Brasil em Tel Aviv é chefiada por um encarregado de negócios, sem embaixador.

O embaixador Frederico Meyer, de terno escuro e gravata amarela, sentado à mesa de uma audiência do Senado, ao lado de uma placa com seu nome.
O embaixador Frederico Meyer em audiência da Comissão de Relações Exteriores do Senado, em 18 de maio de 2023. Ele deixou Tel Aviv em 2024.Foto: Geraldo Magela / Agência Senado / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Em 28 de maio de 2024, o presidente Lula assinou a retirada do embaixador Frederico Meyer de Israel. A decisão foi publicada no Diário Oficial no dia seguinte. Desde então, a embaixada em Tel Aviv não tem embaixador.

Até outubro de 2026, não encontramos anúncio de novo embaixador brasileiro em Israel. Para entender o que essa vaga significa, é preciso saber o que é o cargo que ficou no lugar.

Meyer deixou Tel Aviv no fim de fevereiro de 2024. Antes disso, Lula comparou a ação militar israelense em Gaza ao extermínio de judeus por Hitler. O então chanceler israelense, Israel Katz, declarou o presidente persona non grata, ou seja, indesejado no país, segundo o Poder360.

Embaixador e encarregado: a diferença

O embaixador é o chefe de missão de categoria mais alta. Ele é credenciado junto ao chefe de Estado do país que o recebe.

O encarregado de negócios pertence à terceira classe. Ele é credenciado junto ao ministro das Relações Exteriores, e não ao chefe de Estado. A regra vem da Convenção de Viena de 1961, promulgada no Brasil pelo Decreto 56.435, de 1965. Quando o chefe está ausente ou o posto está vago, um encarregado pode chefiar a missão de forma provisória.

Linha do tempo da vaga em Israel Fatos datados em reportagens e documentos oficiais

Data O que aconteceu
Fim de fev. 2024 Meyer deixa Tel Aviv e volta a Brasília
28 mai. 2024 Lula assina a retirada de Meyer, transferido para Genebra
12 ago. 2025 Daniel Zonshine deixa a embaixada de Israel em Brasília
25 ago. 2025 Israel retira a indicação de Gali Dagan e rebaixa as relações
abr. 2026 Aos Fatos confirma que a embaixada israelense segue sem embaixador

Fontes: Poder360; Metrópoles; Aos Fatos. Elaboração: redação.

O que continua funcionando

A embaixada segue aberta. Em 2024, o Itamaraty disse que o posto continuaria sob a chefia de um encarregado de negócios, segundo o Poder360. Ele citou Fábio Farias. Não encontramos o nome atual do encarregado em fontes oficiais.

O atendimento consular tem regra própria. Segundo a página da embaixada no gov.br, ele é feito só com agendamento pelo sistema e-consular, das 9h às 15h.

Sobre o comércio, não encontramos dado oficial bilateral de 2025 ou 2026 que mostre efeito do rebaixamento. O Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), permite consultar as trocas por país.

O que muda com o rebaixamento

O rebaixamento partiu de Israel. Em janeiro de 2025, o país pediu o agrément para Gali Dagan, seu novo embaixador. O Brasil não respondeu. Segundo a Folha, esse tipo de pedido “nunca é formalmente recusado, apenas fica sem resposta”.

Em 25 de agosto de 2025, Israel retirou o pedido. Disse que as relações passariam a ser conduzidas “em um nível diplomático inferior”, segundo o Metrópoles. Do lado israelense, a embaixada em Brasília também não tem embaixador. Em abril de 2026, segundo o Aos Fatos, a representação era dirigida pela encarregada de negócios Rasha Athamni.

Como se nomeia um embaixador

O primeiro passo é o agrément. É a autorização prévia do país que vai receber o diplomata. Ela é pedida antes da designação formal, segundo a Folha.

Depois, o nome vai ao Senado. A Constituição exige que os senadores aprovem, por voto secreto, a escolha de chefes de missão permanente (artigo 52, IV). O tema é tratado em outro texto deste site.

O que diz o Itamaraty: Em 2024, disse que a eventual designação de novo embaixador “será oportunamente divulgada por meio de nota à imprensa”, segundo o Poder360. Em 2025, afirmou que os processos de substituição de embaixadores são “rotineiros e sigilosos até a concessão do agrément”, segundo a Folha. Não encontramos manifestação nova sobre a vaga em 2026, e esta reportagem não enviou perguntas ao ministério.

O que isso significa

Brasil e Israel mantêm as embaixadas abertas, mas sem embaixadores nas duas capitais. Na prática, a relação passa por encarregados de negócios, em um canal formal mais baixo. Não há prazo público para um novo nome. Pelo que o Itamaraty já disse, a notícia viria por nota à imprensa.

Como fizemos: Reunimos datas e falas de reportagens do Poder360 (2024 e 2025), da Folha (republicada pelo Jornal de Brasília), do Metrópoles e do Aos Fatos, além da página da embaixada no gov.br, acessada em 22 de outubro de 2026, e do texto da Convenção de Viena no site do Senado. Não encontramos fonte oficial recente que confirme o nome do encarregado brasileiro em Tel Aviv nem o status da vaga após abril de 2026.

Fontes