Comércio exterior

Extrativa puxa exportações em outubro; superávit chega a US$ 5,96 bi

Exportações da indústria extrativa sobem 70,7% no mês, e o MDIC reduziu a projeção do superávit de 2026 para US$ 84,4 bi.

Navio porta-contêineres de grande porte, carregado de contêineres coloridos, manobra no canal do Porto de Santos.
O porta-contêineres MSC Natasha XIII, de 366 metros, atraca no Porto de Santos (SP) em fevereiro de 2024.Foto: Marinha do Brasil / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Na segunda-feira (19), a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), divulgou o resultado da terceira semana de outubro. A balança comercial mede a diferença entre o que o país exporta e o que importa. Superávit quer dizer que as exportações superaram as importações. Na semana, o superávit foi de US$ 2,661 bilhões.

No acumulado do mês, até a terceira semana, o superávit chega a US$ 5,959 bilhões. As exportações somam US$ 21,038 bilhões, e as importações, US$ 15,079 bilhões, segundo a Secex, conforme o Diario de Pernambuco.

O dado que mais chama atenção está na indústria extrativa. Esse setor reúne a extração de recursos naturais, como petróleo e minérios. Suas exportações subiram 70,7% em relação ao mesmo período de 2025, para US$ 6,40 bilhões.

Quem puxou as exportações

Exportações de outubro por setor, até a 3ª semana Valores em US$ bilhões e variação sobre o mesmo período de 2025

Setor Exportações Variação
Indústria extrativa 6,40 +70,7%
Agropecuária 4,09 +21,0%
Indústria de transformação 10,32 +20,9%
Total das exportações 21,04 +33,5%

Fonte: Secex/MDIC, conforme Diario de Pernambuco (Estadão Conteúdo). O total inclui categorias não listadas. Elaboração: redação.

Pela nossa conta, a partir das variações publicadas, a extrativa respondeu por cerca de metade do aumento das exportações do mês. O aumento total é de cerca de US$ 5,27 bilhões, e o da extrativa, de cerca de US$ 2,65 bilhões. A extrativa é, portanto, o principal motor do aumento das exportações no mês.

As reportagens sobre o balanço de outubro não trazem uma explicação da Secex para essa alta. Em setembro, porém, o próprio órgão atribuiu o salto sobretudo ao preço. Os produtos exportados ficaram 9,9% mais caros, enquanto o volume embarcado cresceu 2,3%, segundo O Hoje.

A projeção que caiu mesmo com exportações em alta

O MDIC reduziu a projeção de superávit de 2026 de US$ 90 bilhões para US$ 84,4 bilhões. A revisão foi divulgada no início de outubro, segundo O Hoje. Mesmo com o corte, o superávit previsto seria 24% maior que o de 2025, de US$ 68,1 bilhões.

Por que cair a previsão se as exportações sobem? O ministério atribuiu a revisão à queda nas estimativas do preço do barril de petróleo. Em outras palavras, o preço do petróleo esperado para o restante do ano caiu nas contas do governo. Segundo a mesma reportagem, o país precisa acumular cerca de US$ 22 bilhões entre outubro e dezembro para atingir a meta.

O que diz o MDIC: Segundo o ministério, a revisão para US$ 84,4 bilhões reflete a queda nas estimativas de preço do barril de petróleo. O diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, afirmou que a previsão “está alinhada ao desempenho já consolidado até o momento” (O Hoje, 7/10/2026).

O que fica em aberto

O resultado de outubro ainda é parcial, e o fechamento do mês não saiu. O acumulado do ano, de US$ 68,355 bilhões, cresceu 36,8% em relação a 2025, segundo a Secex. A previsão para o ano inteiro depende do preço do petróleo no que resta de 2026. Se o preço cair mais, o superávit pode ficar abaixo da estimativa. Se subir, pode ficar acima.

Como fizemos: Usamos o balanço semanal da Secex/MDIC divulgado em 19/10/2026, conforme o Diario de Pernambuco (Estadão Conteúdo), e a revisão da projeção, conforme O Hoje (7/10/2026), acessados em 21/10/2026. A página oficial da balança não abriu na apuração, e os dados são parciais e podem ser revisados. Os valores são em dólares correntes, sem correção pela inflação, porque a comparação é com o mesmo período de 2025. A parcela da extrativa é nossa conta: o valor de 2025 de cada setor é o valor de 2026 dividido pela variação publicada (cerca de US$ 3,75 bilhões para a extrativa). A base de 2025 do acumulado do ano, de US$ 52,985 bilhões, não reproduz a alta de 36,8%; por isso usamos apenas a variação divulgada.

Fontes